AC/DC é sagrado e toma conta de um Morumbi extasiado

AC/DC sempre nos levando para a estrada do inferno (Foto: divulgação)

Henrique Neal – especial para o Combate Rock

Quando os sinos do inferno sora, 70 mil atenderam ao chamado e lotaram o imenso templo de adoração ao rock; O supremo sacerdote ecoou os primeiros acordes e todos se teletransportaram para os dias em que efetivamente o guitarrista Angus Young reinava sobre a terra e o AC/DC era a única cia que existia.

Não foi a mesma coisa, mas quem se importa? Era só fechar os olhos e sentir as fortes vibrações e imaginar que a banda era a mesma força demolidora dos anos 80, quando estava no auge. Ou mesmo imaginar que estávamos no mágico Pacaembu de 1996, quando o AC/DC fez o amior shows de todos os tempos.

Um desfigurado AC/DC cumpriu bem o seu papel no agora denominado Morumbis tocando direitinho todas as canções. Até pareci o AC/DC, mas cadê Malcolm Young: E onde estava a usina de força Phil Rudd, com sua precisão milimétrica? E o escudeiro Cliff Williamns, p monstro que não deixava o trem sair dos trilhos? Dava aé mesmo para sentir falta do baterusta marreteiro Chris Slade…

É sempre um prazer escutar AC/;DC ao vivo – ver, naquele estádio imenso, nem pensar -, ms desta vez havia algo de diferente. E bem era o fato de que Angus e o vocalista Brian Johnson estavam entre os 70 e os 80 anos. Não sei se era uma questão de ajuste de sintonia ou uma percepção meramente particular, mas tudo parecia estar em uma rotação um pouco mais lenta, mais bluesy. O tempo estava parando ao meu redor?

Amgus Young ainda é um dínamo aos 70 anos de idade mantém a sonoridade intata de guitarra estridente e fascinante, mas o restante parecia muito previsível, até os engasgos e escorregadas do ótimo Brian Johnson. Tudo estava encaixado demais, perfeito demais. Onde estava aquela “sujeira” sonora, aquela paixão que fazia Malcolm estar com sangue nos olhos e empurrar todos até a beira do precipício?

Tudo bem, tudo isso era esperado, o rock explosivo dos senhores setentões não é o mesmo de 2009, a última vez em que estiveram aqui, mas eu tenho o direito de sonar e imaginar que o AC/DC no palco era o AC/DC de sempre, a força máxima do rock pesado de todos os tempos…

Virando o foco, foi um privilégio ter a oportunidade de ver o quinteto pela última vez, provavelmente. O grupo estava desfigurado, mas fez um show correto, eficiente e prazeroso.

Pelo menos tivemos algumas surpresas o repertório, canções pouco ou nunca executadas. Pudemos ouvir a obscura “Demon Fire” r sarcástica “have a Drink On Me”, ssim como as jurássicas “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” e “T.N.T”, E ainda teve Sin City”, “Shot Down in Flames”, “Shoot to Thrill” em meios clássicos eternos, para não falar de uma introdução magistral com “If You Want to Blood (You’ve Gor It”;

Quando os sinos do inferno de Hells Bells” soara, estava claro que eu estava no lugar certo, ainda que a banda não fosse a mesma de sempre. Como ocorre com toda a instituição, basta apena a presença da marca para causar comoção – algo ocorrerá quando o Rush sem Neil Peart na bateria no ano que vem por aí.

Por todos aqueles que são pelo rock, nós os saudamos. Não poderia haver desfecho melhor para uma noite memorável, já que “For Those Abou to Rock (We Salte You)”, mais uma vez, foi dedicada a Malcolm Young (1953-2017). Tentarei não chorar no p´roximo show, no dia 28 d fevereiro.6

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