Rita Lee foi presa, Raul Seixas foi perseguido e Elia Regina foi intimidada. Só que foi uma banda progressiva e psicodélica pernambucana uma das maiores vítimas da ditadura militar fascista e criminosa brasileira: A Ave Sangria foi vítima de censura há mais de 50 anos, tendo como alvo seu único álbum lançado.
O Estado brasileiro reconheceu oficialmente a perseguição sofrida pela banda durante a ditadura militar e determinou o pagamento de indenização aos integrantes sobreviventes como forma de reparação pela censura que atingiu o grupo nos anos 1970. As informações são do portal Diário Pernambucano.
A decisão foi tomada pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos, que concedeu anistia política ao conjunto após constatar que o disco de estreia, lançado em 1974, foi alvo direto da censura do regime, principalmente a música “Seu Waldir“. O álbum acabou retirado de circulação pouco tempo após chegar às lojas, interrompendo abruptamente a ascensão do grupo, que vivia um momento de destaque na cena musical do Nordeste.
Música e áudio
Inicialmente liberado pelos órgãos da Polícia Federal, o disco chegou às lojas do Recife e rapidamente ganhou espaço nas rádios locais, tornando-se um sucesso regional. O cenário, porém, mudou em pouco tempo. Parte da imprensa passou a direcionar críticas à canção, alegando que a letra insinuaria um suposto conteúdo homossexual e que representaria uma afronta à chamada “moral da família tradicional pernambucana”. A repercussão negativa ganhou força e se transformou em uma campanha pública contra a música.