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Firewing (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Firewing – Uma das boas novidades da cena pesada lançou “Ressurection”, pelo selo Massacre Records, e promete dar novos rumos ao symphonic metal, gênero que une o peso do heavy metal a elementos e orquestrações da música erudita. O quinteto tem a peculiaridade de ser formado por músicos brasileiros e americanos, quatro deles ex-alunos da Berklee College of Music, uma das mais conceituadas instituições de ensino musical dos Estados Unidos. A Firewing é integrada por Airton Araujo (vocal), Chris Dovas (bateria), Peter de Reyna (baixo), Bruno Oliveira (guitarra e orquestrações) e Caio Kehyayan (compositor e guitarrista). As primeiras canções foram escritas em 2015 quando Caio e Airton deram o start no que seria a Firewing. No ano seguinte, Caio partiu para os EUA pra estudar na Berklee. Lá conheceu os demais integrantes que completaram o grupo. Ele é o mentor de “Ressurection” é Caio Kehyayan. São dele todas as letras, arranjos, conceito do álbum, além de assinar a produção. Muita qualidade e ousadia nesta estreia.

– Northtale – Uma banda liderada por um brasileiro que surge nos Estados Unidos, mas com maioria de integrantes suecos. E a Northtale nasce – ou renasce – grande e em altíssimo estilo. Legítimo produto da pandemia, “Eternal Flame”, o segundo disco recém-lançado do grupo, é uma surpreendente obra de power metal em um momento em que o subgênero pesado não está tão em evidência, seja por um certo esgotamento do estilo, seja pela predominância de outros subestilos. Não é original, e nem era esse o objetivo, mas o projeto foi muito bem recebido em sua segunda encarnação entre produtores musicais e de shows do estilo nos Estados Unidos e na Europa, o que reforçou os laços profissionais com a gigante gravadora Nuclear Blast. Sob a liderança do guitarrista brasileiro Bill Hudson, a banda cresceu muito com a chegada do vocalista também brasileiro Guilherme Hirose (TraumeR). Originalidade? Já que estamos falando no primeiro disco do Northtale de verdade, deixemos isso para quando a banda estiver consolidada. Enquanto, vamos saborear a progressiva “Midnight Bells”, onde o trabalho vocal de Hirose é excelente, mostrando versatilidade em uma base muito pesada e veloz. No lado experimental e progressivo, é necessário citar “The Land of Mystic Rites”, que consegue misturar bem o lado pesado e o lado world music na melhor tradição brasileira de Sepultura e Angra.

– Marenna-Meister – O projeto chama a atenção por envolver o cantor Rod Marenna, conhecido no mercado do metal pela sólida carreira à frente da banda Marenna, que tem quatro trabalhos lançados com muita qualidade, inclusive chamando a atenção de selos internacionais. A sua associação como guitarrista Alex Meister é inusitada porque não é algo tão distante do Marenna, em termos estilísticos e conceituais. É mais pesado, as guitarras estão mais altas e presentes em “Out of Reach”, o disco da dupla, mas ainda assim transita na confortável zona hard na qual Rod Marenna se dá muito bem. 
Experiência é o que não falta para a dupla, que teve muito cuidado ao compor o material que estaria neste trabalho, com foco no som pesado e ganchudo daquele hard rock mais pesado dos anos 80 e menos eclético, nem tão bluesy como a banda Marenna. O resultado é muito bom, principalmente em um subgênero tão pouco sitado pelos roqueiros nacionais. Tudo bem, não é algo fácil de se fazer com competência, mas é só dar uma olhada em trabalhos recentes do Sioux 66 e do Mattilha para perceber o imenso campo aberto pronto para ser conquistado. Ambos os músicos reúnem ao menos 30 anos de dedicação ao rock pesado e isso, aliado à excelência de seus trabalhos, colocam “Out of Reach” como um dos ótimos trabalhos de 2020. É tanta música boa que “Out of Reach” parece coletânea. Descontando-se um ou outro eventual excesso de solos de guitarra, temos uma profusão de riffs e refrões que remetem aos bons tempos de Ratt, Dokken e até Motley Crue. “Gimme All You’ve Got” tem um clima mais old school, à la Whitesnake, mas as guitarras modernas se encarregam de jogar a música na área mais pesada dos anos 80. “Sleeping with the Enemy” e “Dangerous Minds” resgatam uma sonoridade mais “cheia”, típica do hard do fim daquela década, com as guitarras nem tão na frente e com Marenna arrebentando nos vocais. A segunda música tem um refrão tão bom que merece ser trilha de propaganda de produto top. São bons exemplos do poder da banda.