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Banda Malvada é um dos trunfos para a mulherada mudar o cenário dos direitos autorais (FOTO: DIVULGAÇÃO/FACEBOOK/ROBERTO SANT’ANNA)

Todo ano é a mesma coisa, com a divulgação dos mesmos dados e as mesmas conclusões. Por que é tão difícil valorizar mais as mulheres no mercado de trabalho e oferecer um tratamento justo e igualitário?

Na data anual do Dia Internacional da Mulher, a tônica dos noticiários é quase sempre a mesma: a mulher sempre e em todos os ambientes ganha bem menos do que os homens, que ignoram a desigualdade e fazem questão de dizer que vão manter essa situação.

Na área da música o vexame é bem maior e mais asqueroso, principalmente na distribuição dos direitos autorais, que refletem um grande desequilíbrio de gênero no Brasil. 

É o que revela a quinta edição do estudo “Por Elas Que Fazem a Música”, realizado pela União Brasileira de Compositores (UBC) e divulgado neste 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. 

O levantamento aponta que, em 2021, as mulheres receberam somente 9% do total distribuído em direitos autorais. Considerando os rendimentos vindos do exterior, entre os 100 maiores arrecadadores de direitos autorais, apenas 13 são mulheres.

No entanto, a pesquisa também traz dados positivos (pelo menos isso), como o aumento do número de obras registradas com participação de mulheres. 

Em relação ao ano anterior, a participação feminina na quantidade de obras e fonogramas cadastrados cresceu em quatro categorias. Sendo 13% a mais no número de autoras e versionistas, 10% como intérpretes, 9% de músicos executantes e 22% de produtoras fonográficas 

Realizado anualmente, o relatório traça um mapeamento do papel e, fundamentalmente, da representatividade feminina na música brasileira. A pesquisa está disponível no site da UBC.

Associação responsável pela distribuição de quase 60% dos direitos autorais de execução pública musical no país, a UBC revela através do relatório que, entre artistas mulheres, a maior concentração está no sudeste, com 63%, enquanto a região norte reúne apenas 2%.

Representante de mais de 48 mil artistas, em 2021 a entidade registrou outro dado positivo sobre a participação feminina: o relatório indica que dobrou o número de associadas em relação ao primeiro levantamento, feito em 2018. Agora, elas representam 16% do quadro. No último ano, dos quase 8 mil novos associados, 18% foram mulheres.

Mila Ventura, coordenadora de comunicação da UBC, chama a atenção para o debate e urgência de uma participação maior das mulheres na indústria. “Entendemos a importância de gerar dados, pesquisas e estudos para o mercado da música como ferramenta de inteligência.”

Segundo ela, “este ano, mesmo com a pandemia, o aumento significativo do número total de associadas demonstra que apesar de todos os desafios, as mulheres persistem e pouco a pouco vêm ocupando seus espaços, um reflexo direto da nossa sociedade. Além de aumentarmos o debate sobre os espaços ocupados pela mulher no cenário musical, este ano apresentamos também dados internos, provando que nosso compromisso com a mudança começa de dentro para fora. O quadro de funcionários da UBC é composto 58% por mulheres e dessas, 12 ocupam cargos de liderança, incluindo as gerências de todas as nossas filiais.”

Apesar do boom das plataformas de streaming, os tradicionais meios de rádio e TV aberta seguem sendo as maiores fontes de distribuição de direitos autorais para as mulheres, representando 25% e 20%, respectivamente. Enquanto as plataformas digitais representam apenas 10% deste montante. 
Neste ponto, salta aos olhos outra disparidade: comparada aos homens, a TV aberta foi a rubrica com a menor participação feminina (5% para mulheres contra 95% para os homens). Apesar disso, a TV permaneceu como maior fonte de rendimentos dentre o total arrecadado pelas mulheres.

Deste modo, a pesquisa comprova que, apesar do crescimento da participação da mulher, ainda há um longo caminho a ser percorrido rumo ao equilíbrio de gênero no mercado fonográfico.