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Marcelo Moreira



Uma depredação sem paralelos em nossa sociedade em nossa história. É inacreditável a erosão que o governo perverso e destrutivo de Jair Bolsonaro está provocando em nossas vidas, a tal ponto que gera letargia em setores importantes da sociedade, como a cultura e artes.
São poucos os que estão se posicionando contra o rolo compressor fascista que nos atinge, e menos ainda aqueles que vaticinavam a tragédia político-administrativa que viria.
A banda Dorsal Atlântica, nome fundamental do rock e do metal brasileiros, fez uma leitura expressiva e profética em seu álbum mais recente, “Canudos”, fazendo uma analogia com os eventos de 1896 e 1897, com os massacres ocorridos no interior da Bahia, e os desmandos e ocorrências violentas do século XXI no Brasil.
A bandae seu mentor, o guitarrista e vocalista Carlos Lopes, voltam mais virulentos e desafiadores com “Pandemia”, que deve ser o próximo trabalho a ser lançado via financiamento coletivo, A capa já foi divulgada, de autoria do artista Cristiano Suarez que, com seus traços coloridos bem ao estilo tropical, fez uma representação do atual momento na politica do país.
Suarez foi o autor do cartaz ácido e perturbador da turnê da banda Dead Kennedys pelo Brasil em 2019, captando perfeitamente o momento político do Brasil e o perigo fascista que representava a eleição de Bolsonaro. 
A repercussão foi tamanha que assustou a banda, que cancelou a turnê alegando que não tinha autorizado o cartaz e que não pretendia se posicionar politicamente a respeito da vida brasileira – logo os Dead Kennedy, uma banda política por excelência desde os tempos de Jello Biafra como vocalista – formando, entre outras coisas, em história, com especialização na América Latina, está fora da banda desde 1986.
“A arte mostra a realeza equina que conduz um jumento ao poder, com a missão de contaminar mentes e almas”, diz Lopes, outra apelidado de Vândalo.
O músico, um das vozes mais contundentes dentro do espectro musical progressista do Brasil, questiona a passividade da sociedade diante dos descalabros cometidos pelo atual governo, a absurda e incompetente condução do combate à pandemia e a baixa resistência diante da escalada do conservadorismo de inspiração fascista.”
O golpe de Estado, que vem desde há muito em nossa democracia frágil, é teve amparo do Judiciário”, esbraveja Lopes no material promocional que acompanha a divulgação da capa. “Esse amparo se estendeu à grande imprensa e às Forças Armadas. O povo canino que se rebela tem os caninos arrancados e os cães pró-golpe vestem perucas equinas. Esta é Brazilândia.”    
O álbum “Pandemia” ainda não tem data de lançamento. Lopes anunciou também um documentário e revista que serão lançados em abril .