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Marcelo Moreira

A busca do som diferente e pessoal deve nortear a criação musical, por mais utópico e impossível que seja a jornada. Isso dá sentido a muitas existências, especialmente no concorrido segmento marginal do heavy metal brasileiro. E a constante busca pelo som único impulsona a arte em plena pandemia da covid-19, que tanto atrapalhou, chacoalhou e revolucionou o mundo das artes.
A banda Dead or a Lie decidiu arriscar no EP “Monster” trilhando o stoner metal com viés grunge e colheu bons resultados. Não busque a originalidade, talvez nem tenha sido essa a intenção, mas é um som diferente do que temos ouvidos por aí.
O melhor cartão de visitas é a segunda música, quase que emendada na introdução. “Never Look Away” consegue manter o climão Black Label Society durante toda a música. Zakk Wylde ficaria orgulhoso ao ouvir seus ecos em um som denso, pesado e que mantém a tensão o tempo todo, como convém a um metal corrosivo e incômodo.

“Bad Dreams… No Crimes” consegue melhorar ainda mais o ambiente. O stoner metal se transforma em um heavy tradicional com direito a solo à la banda de Ozzy Osbourne e um timbre de guitarra que oscila entre o que de mais pesado fizeram Pearl Jam e Soundgarden com bandas mais metal, como a escola alemã oitentista.
O barulho bom do trio de Araraquara (SP) segue firme com “Leave No Trace”, voltando a mesclar Black Label Society e os timbres mais soturnos do Alice in Chains e aí temos um som que certamente poderá dar uma “cara” ao Dead or a Lie. E as guitarras contam muito neste processo, conduzindo de forma magistral as linhas melódicas e guiando a música para o precipício. 
As composições soam um pouco parecidas, de certa forma, obedecendo a uma fórmula que privilegia a chegada de “ápice” para então descambar para o peso total. Está dando certo, como em “Monster”, quase uma balada grunge que deságua em um instrumental soturno e melancólico digno de uma banda doom por excelência.
Dead or a Lie é uma das boas novidades do rock pesado nacional de 2020, embora tenha sido gravado e lançando bem antes da pandemia. É stoner metal da melhor qualidade, entrando para um seleto grupo de bandas como Baranga, King Bird, Gods & Punks, Weedevil, entre outras. Formam a banda  Billy The Willie (vocal e bateria), Matthew Daniels (guitarra e baixo) e Charlie Nelson (guitarra solo e baixo). 

A Die For A Reason é uma banda com o som calcado no hard/heavy dos anos 80 e 90 com uma roupagem moderna e pesada. Passeia também pelo stoner, só que aposta em uma agressividade que lembra bastante bandas como Alter Bridge até Lamb of God e Avenged Sevenfold.
 Edu Sumiya (guitarra/vocal), Paulo Cortez (contrabaixo) e Moises de Souza (bateria) são músicos experientes que passaram pelo underground paulistano e uniram forças para trabalhar em um álbum após o incentivo do produtor Thiago Bianchi (Noturnall), do Estúdio Fusão.

Edu Sumiya tinha por volta de 40 músicas compostas e depois de apresentar o material ao produtor iniciaram o processo de seleção do material e pré-produção do álbum.

“A Reason To Die For” é um trabalho bem feito e muito focado. Nota-se que o dedo do produtor Thiago Bianchi na meticulosa escolha de timbres e no equilíbrio entre a agressividade e a técnica, especialmente nos trabalho de guitarra.

Um dos destaques é a “A Reason to Die For” são as participações especiais – o baterista Henrique Pucci (Noturnall) na faixa “Walking In A Dark Road” e o guitarrista Rodrigo Flausino em “When You Be Gone”.

A primeira música tem um jeitão mais modernoso, com timbres mais pesados e “gordos”. Guitarra e baixo são velozes e destruidores, com uma bateria extremamente técnica e agressiva. “When You Be Gone” é mais simples e reta, mas pesadona, com um groove legal.
“Come to Life”, que abre o CD, é um pouco mais cadenciada, mas é potente, com destaque para a guitarra bem conduzida, que serpenteia pela melodia.
“A Reason To Die For” também se destaca pela simplicidade e pela força do seu riff, assim como seu refrão forte e bem construído. Também chama a atenção a hard’n’heavy “No Bounds”, com sua guitarra ferina e cortante, e a épica “My Last Breath”, com sua produção um pouco mais “grandiosa”. Passaram com boa nota neste teste.

De Criciúma (SC) surge de forma rápida e avassaladora o As the Palaces Burn, uma banda que, pelo nome, sugere alguma ligação forte ou extrema influência do Lamb of God – algo que pode ser perceptível aqui e ali.

Alyson Garcia (voz), Diego Bittencourt (guitarra), André Schneider (baixo) e Gilson Naspolini (bateria) estão com sangue nos olhos e não querem perfer tempo. Em menos de um ano lançaram um álbum , “End’evour”, e um EP, “All the Evil”, onde transitam com desenvoltura pelo heavy tradicional e pelo metal progressivo.
Por mais que seus integrantes sejam experientes músicos, o material registrado até agora ainda não tem uma sonoridade própria, ou seja, a tal da originalidade que sempre almejamos ouvir, ainda não está presente, mas as perspectiva de isso acontecer são excelentes, já que não falta competência.
“All the Evil”, o EP, tem aquela urgência que as bandas pronta para o massacre precisam ter. É uma composição tensa, intensa e violenta, conseguindo equilibrar elementos modernos e clássicos nas duas músicas inéditas. 
A faixa-título não economiza no virtuosismo e mistura em poucos segundos as principais influências -m prog metal à la Dream Theater e Symphony X com o melhor do metal moderno escandinavo. É caótico, é excitante, ´pe instigante, é bom.
“Nothing Lasts Forever” não tem o mesmo impacto, mas exibe um trabalho muito bom de guitarras e linhas melódicas feitas pelo baixo cativantes. A versão de “Hall of the Mountain King”, do Savatage, é corajosa e reverente, o que já bastante em se tratando da banda homenageada.
“End’evour”, de 2019, foi uma estreia de causar inveja, com uma quantidade de músicas boas e muito bom gosto na escolha de arranjos, especialmente nas guitarras. É um metal típico para os amantes de guitarras muito pesadas e baixos gigantes e gordos.
Produzido pelo próprio grupo no estúdio IMGN, com mixagem e masterização de Júnior Bussolo (Orland Studios), teve a concepção de arte visual criada por Jean Michel (Dnsart.com).
Os destaques são a forte”I Tried”, a avassaladora “Turns to Black”, as incrementadas e sofisticadas “Incarnate” e “The Devil’s Hand” e progressiva “Arcanum”, cm menção honrosa para a correta versão de “Abigail”, de King Diamond”. É uma banda com um futuro muito promissor.