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Marcelo Moreira

Novos tempos, novas experiências e muita resistência. A pandemia de covid-19 bagunçou a vida de todos neste ano de 2020 e forçou o mercado musical a passar pelas mudanças mais impactantes em tão pouco tempo. 
Artistas e profissionais da cultura foram obrigados a se reinventar de uma forma nunca antes imaginada. E isso incluiu, entre outras coisas, o surgimento de uma nova banda com nomes estrelados, a realização do lançamento de “meio álbum ao vivo” e a retomada de uma carreira promissora.
Tribal Scream (FOTO: DIVULGAÇÃO)
Tribal Scream está lançando o primeiro EP com o nome do grupo. É a nova empreitada dos músicos Vítor Rodrigues (vocais, ex-Torture Squad e Voodoopriest), Maurício Nogueira (guitarra, com colaborações com Krisiun, Torture Squad e Matanza), Vinnie Savastanno (baixo, ex-Rygel) e Estevam furlan (ex-Kamala e Sangre). 
São três músicas misturando thrash e death metal que já estão disponíveis nos serviços de streaming. E o resultado impressiona pelo vigor e pela violência sonora.
Nada que surpreenda, a julgar pelos projetos anteriores em que Rodrigues se envolveu. Conjugando uma voz potente e uma técnica extraordinária, o cantor despeja quase 30 anos de experiência para criar um ambiente de terror e devastação sonora. As paredes tremem com seus vocais e com a parede de guitarras que sacodem tudo.
“I Am God” é poderosa e explicita todas as intenções do grupo. É ótimo perceber o vigor de uma banda que sabe respeitar a tradição e tem experiência suficiente para ousar sem descaracterizar o subgênero a que se dedica.
O mesmo pode ser dito em relação a “Tribal Scream”, uma verdadeira declaração de guerra. Extremamente violenta, tem um ótimo riff e uma condução rítmica hipnótica, que demonstra extrema criatividade.
Por fim, “Refuse It” não economiza na violência, mas apresenta alguns elementos diferentes, como uma bateria mais forte e trabalhada, dando um suporte preciso para as toneladas de riffs de guitarras que inundam o ambiente.
É maravilhoso que a pandemia tenha permitido o “surgimento” de três novas forças do metal extremo brasileiro: Tribal Scream, The Troops of Doom e The Damnnation.

Quem está de volta aos lançamentos é a ótima banda de heavy metal tradicional paulistana King Bird. Enquanto continua as gravações do próximo CD, “Flying High”, o quinteto decidiu, finalmente, lançar o seu primeiro CD ao vivo, ou quase.

“Alive, Revisited and… Isolated” traz seis faixas ao vivo captadas na apresentação realizada no Sesc Belenzinho (SP) na turnê que promovia “Got Newz”, em 2016. Escute aqui.

O repertório ainda traz faixas bônus de estúdio, incluindo regravações de faixas do EP “Beyond the Rainbow”, agora com a voz de Ton Cremon, e as versões de clássicos do Black Sabbath e AC/DC que saíram em tributos. 
“Não só colocamos a voz de Ton Cremon no lugar do antigo vocalista, João Luiz, pois também remixamos as músicas de ‘Beyond the Rainbow’, que lançamos em 2012”, explicou o baixista Fábio Cesar. 
“Para encorpar ainda mais o repertório, resolvemos incluir as versões que fizemos para ‘Supernaut’, do Black Sabbath, que obviamente é uma de nossas referências musicais, e ‘Moneytalks’, do AC/DC”, completou o baterista Marcelo Ladwig.

O show, registrado em setembro de 2016, conta com as participações do guitarrista Heros Trench (Korzus, Armored Dawn), que foi o produtor dos três primeiros trabalhos de estúdio do King Bird, e do multi-instrumentista Rodrigo Hid (ex-Patrulha do Espaço e Pedra) no Hammond, que também participou das gravações de “Got Newz” e recentemente lançou seu álbum solo, “Sigo o Sol”.

O trabalho é importante porque retoma as atividades em plena pandemia de covid-19 e promove uma espécie de “ressignificação” de parte do repertório com Cremon, um vocalista menos bluesy e mais voltado ao metal do que João Luiz, atualmente no Golpe de Estado.

“Beyond the Rainbow”, o grande tributo ao Ronnie James Dio, morto em 2010, pode ser considerado um dos grandes momentos do rock pesado nacional. 
Na voz de Cremon, ao vivo ganhou dramaticidade e eloquência em cima de uma base de guitarras densa e muito pesada. No estúdio, a canção continuou poderosa, mas está mais direta, sem tanta versatilidade vocal.

“Daybreak” e “Break Away” são os outros destaques da parte ao vivo, mostrando que o King Bird tem uma das apresentações mais bombásticas do metal nacional. É quase inconcebível que uma banda de tamanha qualidade e força fique cinco anos sem lançar material autoral.

A formalão atual conta com Ton Cremon (vocal), Silvio Lopes e Marccos Chaves (guitarras), Fábio Cesar (baixo) e Marcelo Ladwig (bateria). Lopes revelou que “Flying High” trará algumas inovações, especialmente no trabalho com duas guitarras. 
“Estamos com Marccos Chaves, guitarrista que entrou na banda no início desse ano. ‘Flying High’ irá mostrar não só que a nossa personalidade musical foi mantida, mas também algumas surpresas”, concluiu o guitarrista.

O Mofo é um quinteto thrash que acaba de lançar seu álbum “Sick and Insane”. Nenhuma grande novidade no som, mas a energia despejada nos riffs insanos é contagiante.
A impressão que se tem era de que eles tentaram mergulhar no verdadeiro som “old school”, querendo emular o som que forjou o metal extremo lá nos anos 80. 
Banda experiente, optou por um caminho mais difícil ao incluir elementos diferentes na música e o resultado ficou bom. Tem death metal, com passagens onde o som cru predomina, tem hardcore, por conta da velocidade enorme, e tem muito peso, que também estremece as paredes. 
A faixa-título é o destaque, reunindo todas as características já descritas. “Cynic”, que abre o trabalho, serve como bom cartão de apresentação, com muita agressividade e bons riffs.
“Purgatory” e “Hate and Disgrace” ampliam a “desgraceira” e o clima de fim do mundo. O desfile de competência não inclui originalidade nem inovação, mas essa não era a intenção. É música feita para divertir (bom, até certo ponto, já que é thtrash/death e os temas abordados são muito pesados e tétricos) e objetivo foi plenamente cumprido.