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 Marcelo Moreira



O rock fez a sua contribuição asquerosa para os anais da falta de respeito e de cidadania em relação ao combate à covid-19. A Prefeitura de Contagem (MG), com o apoio da Polícia Militar, invadiu um local no sábado à noite e acabou com o minifestival com seis bandas, com a presença de aproximadamente 500 pessoas – um crime flagrant contra a saúde pública.

O evento foi interrompido e algumas pessoas chegaram a ser detidas e levadas para uma delegacia. Os organizadores do evento foram multados em R$ 14 mil, e os donos do espaço também serão punidos, segundo comunicado da prefeitura. O evento não tinha autorização para ocorrer, u seja, era clandestino.

Foi só mais um dos crimes cometidos pela população nojenta deste país infeliz, que desdenha os 240 mil mortos na pandemia. 

Empatia? Sentimento inexistente para um povo que ignora o bem estar social e aplaude um dejeto humano como a excrescência que está na Presidência da República.

Assim como o show de rock de Contagem, foram inúmeras as demonstrações de desprezo neste carnaval que não ocorre, especialmente em praias lotadas ao longo do litoral e sítios/casas de shows abarrotadas com gente vagabunda e criminosa.

Houve muitos destes eventos em São Paulo e em Belo Horizonte, mas o Rio de Janeiro ganhou de longe na quantidade e na desfaçatez/falta de vergonha.

Um pagodeiro protagonizou o por dos casos na favela da Maré. Contratado para cantar, o tal de Belo ignorou todas as recomendações de distanciamento e isolamento para cantar para milhares de pessoas. Será investigado pela Polícia Civil e corre risco de ser processado – será intimado para esclarecer quem pagou o cachê da apresentação.

As explicações de “assessores” do cantor são um primor de cinismo, escárnio e indigência intelectual. Em nota enviada à TV Globo, a assessoria argumentou que o show foi feito seguindo todos os protocolos.

“As praias estão lotadas, transportes públicos, e só quem sofre as consequências são os artistas. Que foi o primeiro segmento a parar, e até agora não temos apoio de ninguém sobre a nossa retomada. Sustentamos mais de 50 famílias”, diz a nota. Por esse raciocínio estúpido, artistas acham que estão de isentos de cumprir a lei e que podem praticar crimes contra a saúde pública.

Depois do show na Maré, Belo se apresentou em outra favela do Rio, o Complexo da Penha, de acordo com o jornal Extra. Na noite de sábado, foi a vez da casa noturna Konteiner, na Vila Cruzeiro, receber o cantor e outras atrações. Nas imagens de redes sociais, é possível ver pessoas aglomeradas na plateia durante a apresentação.

Esse tipo de comportamento absurdo de artistas só depõe contra os próprios, que alimentam os argumentos de que não precisamos de shows e de arte – e que podemos viver muito bem sem isso e sem bares, restaurantes e carnaval. Ou seja, só prolongam a agonia do setor de entretenimento.

O empresário Belo supostamente sustenta 50 famílias? E por isso acha que pode colocar em risco outras mil e tantas desrespeitando as normas de isolamento social? Que seja processado e condenado, e que quem trabalha para ele procure outras formas de trabalho.

Muitos roqueiros, de forma igualmente asquerosa, apoiaram nas redes sociais o pagodeiro que desrespeitou a lei e criticaram duramente as autoridades de Contagem por interromper aquele lixo de minifestival de rock. 

Um dos imbecis vomitou em letras garrafais: “Ninguém ali era bandido, estavam, todos trabalhando”. É um caso explícito de má fé e mau caratismo, já que a lei foi burlada e todos os envolvidos, de organizadores e músicos aos espectadores, atentaram contra a saúde pública com a disseminação do vírus ao aglomerar e ignorar as normas sanitárias.

Com o comportamento altamente reprovável de uma grande parcela da população brasileira, a pandemia vai durar muito tempo. E gente da área de artes e entretenimento está contribuindo muito para que saiamos o mais tarde possível da crise. Que assim seja, então.

Que os empresários que só pensam no bolso quebrem, e bem quebrados, principalmente aqueles que criticam as medidas restritivas de isolamento social e que abriram quando não deviam. Seus estabelecimentos não farão falta.

Que artistas que desprezam as medidas sanitárias e fazem shows com público neste momento sejam processados e condenados, especialmente os roqueiros sem noção, pois deveriam dar o exemplo. Que nunca mais consigam tocar para ninguém, nem no pior bar possível.