Punho de Mahin lança novo álbum mais furioso e contundente

Punho de Mahin (Foto: divulgação)

O mundo do rock nacional ficou pasmo quando um trio de músicos negros de Minas Geris chegou chutando a porta e elevando muito o nível de engajamento e ativismo; Nunca uma banda preta de rock tinha ido tão longe, a ponto de se tornar a mais relevante banda do rock nacional da atualidade.

Se a ferocidade e bravura do Black Pantera espantaram e causaram um certo temor, então o que esperar da destemida banda paulista Punho de Mahin com seu punk/hardcore furioso e ainda mais engajado?

A música do quarteto negro não é tão violenta quanto a dos mineiros, mas o discurso é mais contundente em alguns momentos, soando tão alto e necessário a ponto de incomodar vários setores conservadores que mal conseguem controlar seus impulsos racistas.

Fundada em 2018, a Punho de Mahin é um dos principais nomes do afro punk no Brasil, com uma proposta artística e política que revisita uma temática frequentemente negligenciada na cena punk e underground: a experiência negra na sociedade contemporânea.

Temas como protagonismo negro, racismo estrutural, machismo, intolerância e violência policial ganham forma em uma sonoridade crua e contundente em “Entre a Penitência e a Ruptura”, segundo álbum de estúdio da banda. O disco chega hoje às plataformas digitais, pela gravadora Deck, com produção musical assinada por Clemente Nascimento, fundador dos Inocentes.

Na primeira parte do álbum, até a sexta faixa, o contexto da “penitência” é abordado sob perspectivas histórica e atual, refletindo o legado da colonização e da espoliação. O disco expõe um projeto estrutural de opressão, questiona o mito da meritocracia e atravessa processos de exclusão social associados a uma estrutura urbana precária.

Já a segunda parte, marcada pela “ruptura”, ressalta a força gerada pela resistência diante do impasse. A articulação e a ancestralidade conduzem à insurreição, resgatando a potência de mulheres apagadas pela história e destacando o embate feminino atual pela permanência plena, especialmente em espaços considerados libertários.

“O lado A contextualiza essa luta que aflige a existência de milhares de pessoas; ele é mais sangrento. Já o lado B traz a esperança, que surge mesmo depois de atravessar experiências difíceis”, comenta Natália Matos, vocalista da banda.

O lançamento chega acompanhado de um clipe do single “Meritomentira”, disponível para ser assistido no canal oficial da Punho de Mahin no Youtube. A formação tem Natália Matos (voz), Camila Araújo (guitarra), Paulo Tertuliano (bateria) e Dú Costa (baixo)

Faixa a faixa por Paulo Tertuliano:

1- Violação: Desperta a reflexão sobre a negligência do estado diante do sistema carcerário feminino. A letra expõe a extrema desigualdade que vigora na sociedade e que abrange o encarceramento.

2- Marcus Vinicius da Maré: O título da canção não é apenas uma menção direta à vítima assassinada pelo aparato de segurança pública, ele expõe justamente as ações do racismo estrutural e do genocídio planejado e implantado ao longo dos anos. A música é uma reflexão sobre a ameaça institucional.

3- Meritomentira: O tema dessa letra é justamente o impacto da desigualdade social aplicada em diversos níveis, gerando a reflexão crítica sobre a meritocracia projetada por eixos conservadores e de ideologia duvidosa.

4- Vão: Essa letra destaca a forma como a administração público-privada age quando a questão é gerir de maneira ampla, seja a mobilidade urbana ou o acesso pleno ao direito de ir e vir. Além disso, aponta o descaso do capitalismo, que nunca prioriza vidas.

5- Linha Tênue: “Linha Tênue” abrange de maneira direta os vestígios do período da ditadura que vigoram até hoje na suposta democracia, lançando a perspectiva sobre o que ainda permanece, seja na gestão pública ou no modo de operação das corporações.

6- 13 de Maio: Expressa o contexto histórico e deflagra o que é óbvio, porém não evidente, que é a falsa abolição. A história manipulada expõe a abolição de maneira errônea e essa letra propõe justamente o questionamento sobre isso.

7- Entre a Penitência e a Ruptura: Faixa título do álbum, reflete a emancipação e resistência diante de inúmeras violações que afligem principalmente mulheres ou grupos marginalizados. É sobre a ruptura de vínculos que degradam milhares de existências.

8- Raios, Trovões e Tempestades: Essa música fala sobre as forças da natureza e da ancestralidade como elementos que nutrem a luta necessária para a permanência do povo preto. A letra é sobre o embate que se mantém mesmo diante do absurdo da segregação.

9- Dandara: É sobre a força da mulher negra que mantém articulações e lutas, tal qual Luiza Mahin, pareando com Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Marielle Franco e inúmeras mulheres não reconhecidas por conta do apagamento histórico.

10- Ei Mulher: É o convite para mulheres sentirem, absorverem e celebrarem as melhores vivências possíveis além da luta, para, justamente, contrapor as violências geradas pelo patriarcado.

11- Respiro: Expõe que não são raros os levantes de corpos que não querem apenas o direito de existir, mas também ter suas expressões e subjetividades respeitadas. A letra fala sobre liberdade, permanência e amor como valores que não deveriam depender apenas do que está previsto na legislação.

12- Grito Quilombo: Amplia essa força essencial que está ligada à história, à contínua organização e ao aquilombamento pleno, que amplia ações e fomenta possíveis cami

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