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Doctor Pheabes: Eduardo Parrillo é o segundo da esq. para a dir.; Fernando Parrillo é o último à direita (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Estamos na terceira década do século XXI e a comunicação continua sendo uma desconhecida para a maior parte dos habitantes do planeta. No Brasil, os constantes “equívocos” entre o que é jornalismo e o que não é, o que é fake news e o que não é, e o que é jornalismo correto e o que não é povoam as redes sociais e expõem a vergonhosa indigência intelectual da população.

O alvo da burrice coletiva agora são dois textos de veículos do Grupo Infoglobo/Rede Globo (Época Negócios e G1) que tratam dos problemas gríssimos e nojentos e que afetam a operadora de saúde Prevent Senior, especializada em clientes idosos.

Entre as várias acusações recentes, a operadora é acusada de maquiar dados sobre uma suposta pesquisa a respeito do uso absurdo de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, além de esconder dos pacientes de que estavam sendo submetidos a esse tipo de tratamento. Pelo menos nove mortes são investigadas e podem ser relacionadas aos procedimentos unanimemente condenados pelas áreas médicas e científicas.

As reclamações contra os textos dizem respeito aos títulos, que mencionam rock e roqueiros, em alusão ao fato de que os irmãos Fernando e Eduardo Parrillo são donos da Prevent Senior e tocam na banda Doctor Pheabes, que já se apresentou no Rock in Rio e no Lollapalooza. Eduardo também é vocalista da banda de metal Armored Dawn sob o nome de Eduardo Parras.

E o que os “desinformados” questionam? “Por que associar o nome da empresa, seus donos e as denúncias como um todo ao rock e pelo fato de os donos serem roqueiros e tocarem em banda mais ou menos conhecida?”

Simplesmente porque é verdade. Para azar do rock e do meio artístico, a Prevent Senior está intimamente relacionada com o rock nacional. Seus proprietários integram bandas relativamente conhecidas em São Paulo. Doctor Pheabes já lançou três CDs e tocou em festivais grandes; Armored Dawn tem quatro CDs lançados, já fez turnês pela Europa e gravou trabalhos em estúdios norte-americanos.

A empresa também patrocina e oferece serviços médicos aos festivais Rock in Rio e Lollapalooza. Os próprios músicos admitem que terem tocado nestes festivais teve alguma relação pelo fato de serem patrocinadores e prestadores de serviço, o que não é errado.

Eticamente é questionável, já que existem muitas outras bandas merecedoras? É uma discussão válida, mas não necessariamente correta. Não há nada de errado na escolha das bandas vinculadas aos patrocinadores, pois é um evento privado. Um diretor do Rock in rio não cansa de responder a essa questão: “As bandas não tocariam se não tivessem um mínimo de qualidade. Organizadores e curadores não se arriscariam a escalar atrações em a mínima condição.”

A banda Armored Dawn é uma boa banda de rock. A originalidade passa longe, seja na execução musical ou nos temas vikings e batalhas medievais, mas o heavy metal tradicional tem qualidade e é bem produzido – não é à toa, já que dois dos músicos, o baterista rodrigo Oliveira e o guitarrista Heros Trench, que também tocam no Korzus, são ótimos produtores dentro do estilo.

Já a Doctor Pheabes, que faz hard rock bem feito, apesar de comum, não tem a mesma inspiração e o mesmo investimento, além de ser bissexta, ou seja, toca bem de vez em quando e demora anos para gravar trabalhos inéditos, Além dos irmãos Parrillo, é formada por outra dupla de irmãos empresários do ramo odontológico – os dentistas Paulo Rogério (baixo) e Fabio Ressio (bateria).

Até que ponto as duas bandas estão envolvidas com a Prevent Senior? Difícil dizer. Em uma primeira análise, não há indícios de ligação a não ser o fato de os donos serem integrantes das bandas.

Com uma lupa, por outro lado, fica complicado fazer a desvinculação quando sabemos que ambas as bandas tocaram em festivais em que a operadora de saúde era patrocinadora e também a responsável pelos serviços médicos.

Queiramos ou não, as relações do rock com a Prevent Senior são fortes e os veículos de comunicação não erram quando fazem a associação. As acusações contra a empresa são gravíssimas, com uma profusão de inquéritos, investigações e CPIs abertas. As bandas não conseguirão sair ilesas, ao menos não no médio prazo.

O que diz a Prevent Senior

Em nota enviada à GloboNews, a operadora negou e repudiou as denúncias, e disse que está tomando medidas para investigar quem, segundo a empresa, “está tentando desgastar a imagem da Prevent Senior”.

Disse ainda que os médicos sempre tiveram a autonomia respeitada, e que atuam com afinco para salvar milhares de vidas.
A empresa reiterou que os números à disposição da CPI demonstram que a taxa de mortalidade entre pacientes de Covid-19 atendidos por seus profissionais de saúde é inferior as demais.

P.S.: E a coisa só piora os eventos relacionados a essa operadora de saúde. Em depoimento à CPI da Covid, no Senado, a advogada de vários médicos que denunciaram as barbaridades. Bruna Morato, informou que os funcionários da empresa tinham de “cantar” um “hino” composto pelos irmãos proprietários em eventos da empresa. A banda Doctor Pheabes tocava e os médicos, enfermeiros e funcionários tinham dee colocar a mão no peito e entoar a música composta pela banda… É um dos maiores vexames a que o rock nacional já foi submetido, sem nenhuma dúvida. Leia mais sobre isso na coluna de Guilherme Amado, no site Metrópole. E aqui escute o tal do hino da Prevent Senior.

Após a declaração da advogada, a assessoria da empresa afirmou que a empresa não obrigava os médicos a cantar que o hino era “uma brincadeira”.

“O hino era muito mais uma brincadeira. Os médicos nunca foram obrigados a cantar. Os guardiões eram um programa em que cada pessoa — não só médicos — tutelavam os pacientes, resolvendo problemas burocráticos. Eram quase como um gerente de relacionamento”, afirmou a assessoria da operadora.