A música cura a alma e o espírito de múltiplas maneiras, e dois guitarristas brasileiro expressam esse conceito e formas distintas, mas com uma sensibilidade inigualável em seus mais recentes trabalhos.
Edu Gomes & A Pirâmide usa a experiência em sua série “Concerto da Cura” para criar um blues etéreo e atmosférico, enquanto Rodrigo Nassif mergulha na brasilidade para extrair o melhor de nós.
O paulista Edu Gomes ganhou destaque fazendo rock e blues nos anos 80 e foi o guitarrista da excelente Irmandade do Blues por mais de 20 anos.
Ao lado do pianista Adriano Grineberg, elaborou uma sofisticada mescla de blues e MPB em vários álbuns, enquanto na carreira solo dedicou-se o jazz blues instrumental de uma sofisticação poucas vezes no Brasil. É o coautor de vários volumes da série “Concerto da Cura”, música ambiente na guitarra voltada para a área terapêutica e musicoterapia – um trabalho de imenso valor artístico. Social e cultural.
De rara beleza e sensibilidade, “Solo” segue a linhagem de ´álbuns anteriores de Gomes como “Imo”, “Âmago” e “ Ventura”, só que desta vez, conectando as oito canções com o conceito de “Concerto da Cura”, em uma onda mais progressiva e folk ao mesmo tempo. Mias do que relaxar, é música para pensar e refletir.
Nono lançamento do projeto Edu Gomes & A Pirâmide e 30º de sua carreira se somados a seus outros trabalhos no “Concerto de Cura”, Irmandade do Blues, ZFG Mob e Preces, “Solo” está entre as três melhores coisas que o guitarrista já fez.
A composição, execução e finalização da parte musical foi feita somente pelo Edu Gomes e daí o nome do álbum. O lindo desenho de sua companheira Sheila Oliveira, que faz todas as suas capas, completa perfeitamente a composição da obra.
Curiosamente, a IA, através do aplicativo Moises, foi fundamental. A maioria das canções foram registradas em vídeo durante a pandemia. Momentos de pura solidão, introspecção e improviso.
Os áudios originais das gravações se perderam sobrando apenas esses vídeos. Com a IA foi possível separar as faixas e extrair os temas principais em violão e guitarra, e refazer ou acrescentar arranjos e instrumentos, melhorando o resultado final e mantendo a fonte original da composição. Por isso o trabalho é bastante introspectivo e meditativo com influências claras do Progressivo, New Age e World Music.
As texturas sonoras diversas e efeitos suaves e delicados, juntos aos violões e guitarras originais, propiciam um clima perfeito para o relaxamento e paz.
Pode ser considerado um trabalho irmão de seu penúltimo lançamento chamado “Suavidade”, álbuns que tendem para o lado meditativo, se diferenciando de seus outros lançamentos de rock e instrumental.

Brasilidade e história
O guitarrista gaúcho Rodrigo Nassif decidiu aprofundar seu mergulho na música brasileira com o extraordinário EP “Pegando Estrelas”, co, quatro músicas misturando jazz e MPB instrumental da melhor qualidade.
Escrito em uma época de pandemia de covid-19, que coincidiu com o nasceu seu filho, o EP é o trabalho mais pessoal do instrumentista, esbanjando uma delicadeza e de uma sutileza que emocionam desde o primeiro acorde.
A suavidade com que Nassif dedilha e vança em riffs e melodias no violão e na guitarra acústica fazem com que a música percorra caminhos inusitados, como em “Pegando Estrelas”, que tem um entrelaçamento importante com os arranjos de sopros.
O mesmo ocorre na interessante “Estampa de Artista”, a mais jazzística, qu mostra o perfeito diálogo entre violão, guitarra acústica e flauta. A Vida Pela Frente” é uma canção mais suave e voltada para o brasileirismo, enquanto |””A Dança das Bruxas” investe em um sincretismo mais denso e complexo. Onde o trio de Nassif exibe virtuosismo e extrema habilidade.
“Pegando Estrelas é um trabalho de coeso e diferente, que exalta o coletivo mesmo em suas individualidades. Serve de trilha sonora para tudo e engrandece o espírito. É a essência de uma música brasileira formosa e brilhante.