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Lá no final dos anos 80, em plena zona norte conflagrada de São Paulo, com brigas constantes entre punls e metaleiros nas imediações das estações Carandiru e Santana do metrô, existiu uma trupe de provocadores que gerava descontentamento, ira e mutos risos ao satirizar o rock

O combo Punk-A-Samba percorria os barizinhos com música ao vivo na época do carnaval e tocava marchinhas e sucessos do samba desde sempre, mas todos vestidos como verdadeiros punks e darks de todos os tipos. Eram sempre oito ou nove batuqueiros com cabelo moicano e roupas rasgadas e duas passistas vestidas como zumbis sambando e se divertindo. 

Claro que roqueiros traicionai e encastelados em seus mundinhos de guitarras altas detestavam e não admitiam o sacrilégio. Até que um dia, uns dois ou três anos depois, punks enfezados se uniram a metaleiros ofendidos e foram bater nos membros do Pun-A-Samba; Apoada deixou de ser engraçada e is gozadores sumiram;

Deixando o radicalismo de lado, já faz tempo que o carnaval deixou de ser um velório para roqueiros empedernidos. A data da folia passou a colher diversos “carnaroocks” pelo país, com minifestivais para quem odeia samba, além de muitos blocos de rua absorverem boas ideia e passarem a tocar Beatles, Ramones e hits punks no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Em Curitiba (PR), por exemplo, antes da pandemia, era sagrada a realização de um festival de psychobilly, uma tradição que parece estar sendo retomada em São Paulo, mas dedicado ao metal extremo. 

O Carnaval Profano vai reunir as bandas Manger Cadavre? e Sangue de Bode em uma miniturnê paulista entre 9 e 18 de fevereiro passando por sete cidades. O som é o mais “podre” possível, com muita violência sonora e protesto contra tudo e todos, em uma tentativa de mostrar que existe Caranaval sem alegria.

Para amenizar o sofrimento de quem odeia o ziriguidum lembramos que, em alguns moentos, o rock cruzou um pouco a fronteira com o samba, se é que ela existe, e tentou se apossar dos batuques e dos tambores diversosç

“Sympathy for the Devil”, dos Rolling Stones, surgiu em 1969 depois que Mick Jagger (vocais) e Keith Richards (guitarra), com suas namoradas de então, passaram quase um mês no Brasil no ano interior, wm férias. Consta que a canção, que mistura batuques, rock e samba, foi iniciada em uma fazenda de Matão, no interior de São Pauo. É uma grande canção.

Em sua fase final, o Led Z3eppelin também abraçou o samba, em uma das poucas contribuições para valer de Jimmy Page para o álbum “In Through the Out Door”, de 1979.

“Fool in the Rain”, é um mistura de reggae e boogie do tipo Nova Orleans que inclui uma passagem de samba no meio, com apito e tudo. Page já estava imerso na cultura brasileira, visitava o país com frequência e, anos depois, compraria uma casa no interior da Bahia para morar com uma namorada argentina.

E tem também o  Barão Vermelho, banda carioca que talvez seja a amais genuína do gênero no Brasil. Não só nomeou um disco como “Carnaval” como perpetrou nele um de seus maiores sucessos, “Pense e Dance”, repleto de batuques e tambores. Quem disse que rock, Carnaval e samba não se misturam?