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Marcelo Moreira


Pete Townshend (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Enquanto decide o futuro de sua banda, The Who, o guitarrista Pete Townshend anuncia que finalmente seu primeiro romance chegará às livrarias neste semestre. “The Age of Anxiety” (A Era da Ansiedade) também ganhará uma edição brasileira em junho, em iniciativa da editora Rocco, segundo informação do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
O projeto do livro era antigo e mudou várias vezes de tema, de rumo e de forma. Deveria se chamar “Floss” e seria baseado em mais uma de suas óperas-rock que seria gravada pelo Who. Ele mudou de ideia e disco e livro seriam todos parte de um combo exclusivamente solo.
“Floss” chegou a ter alguns capítulos publicados em um blog do músico na década passada, mas aparentemente a história foi abandonada em favor de “Endless Wire”, uma mini-ópera-rock que virou CD em 2006 com a marca The Who, o primeiro disco de ineditas da banda em 24 anos.
O flerte de Townshend com a literatura é antigo. Quando The Who encerrou as atividades, em 1982, ele se tornou um artista solo frenético, com lançamentos de LPs quase simultâneos. Entretanto, ele ficou tentado a entrar para o mercado editorial em 1983. Relutou, mas aceitou o cargo de editor de livros na venerável empresa inglesa Faber & Faber.
Foi nessa época que ele publicou seu primeiro livro, “Horse’s Neck” (“Treze”, no Brasil), uma coletânea de contos apenas razoável. No convívio com escritores, acabou se convencendo que seu lugar era na música, mas ficou muito amigo do poeta Ted Hughes, que o ajudou na confecção do álbum “The Iron Man”, de 1988, outra ópera-rock. Esse disco é baseado em um livro de Hughes.
Este álbum foi importante porque reaproximou o guitarrista dos companheiros de Who Roger Daltrey (vocais) e John Entwistle (baixo), que tocaram na obra. No ano seguinte, depois de sete anos, The Who se reagrupou para uma imensa turnê pelos Estados Unidos.
As incursões de Townshend pela literatura ainda incluem um libreto com a história de “Psychoderelict”, seu álbum solo de 1993 que era mais uma ópera-rock. Este libreto deveria ser a base de um romance chamado “Ray High and the Glass Household”, que nunca foi publicado.
Quando finalmente descansou da turnê de “Endless Wire”, o guitarrista anunciou que finalmente terminaria a sua autobiografia, algo prometido havia muitos anos. No entanto, “Who Am I”, que ganhou versão em português, só chegaria às livrarias oito anos depois, em 2015.

O que pouca gente sabe é que Townshend foi dono de uma livraria em Londres, chamada Magic Bus (hoje Open Book), que surgiu a partir da fundação de seu selo musical Eel Pie Publishing, que existe até hoje.

Mark Booth, editor da Coronet, que está lançando o livro, descreveu o livro de Townshend em entrevista ao jornal inglês The Guardian como “um grande romance do rock, com um narrator que é “uma criação brilhante – culto, perspicaz e não confiável”.

Para o editor, o romance “captura a loucura da indústria musical e demonstra o senso de humor astuto e o ouvido afiado para o diálogo do autor, lidando com temas míticos e operáticos incluindo um labirinto, loucura divina e crianças perdidas”.

Em relação ao Who, Townshend é mais reticente. Em entrevista recente ao jornal The Guardian, mostrou-se contrariado com a interrupção da turnê do álbum de 2019, “WHO”, que ainda tem seu retorno indefinido.
Para ele, deveria ser, agora de forma definitiva, a derradeira série de shows, que incluíam uma orquestra na perna norte-americana. Ao término desta, a banda se aposentaria dos palcos, embora ainda esteja previsto ao menos mais um disco de estúdio. Só que o guitarrista insinuou, na entrevista, que esse “cronograma” pode sofrer “alterações”.