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U2 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Um grande presente de aniversário. Nos 45 anos de fundação do U2, a banda que mais tempo manteve a mesma formação – e inicial – no rock, a novidade é a produção de um seriado ou cinebiografia pela Netflix.

O formato ainda não foi definido, mas tem gente importante envolvida no projeto, de acordo com o site THR: a produtora Bad Robot, uma das maiores do mundo, com a presente do diretor J.J. Abrahms, que já trabalhou em filmes como “Star Trek”, e o roteirista e escritor Anthony McCarten, que escreveu “Dois Papas”, de Fernando Meirelles, e “O Destino de Uma Nação”.

As comeomorações dos 45 anos, na verdade, estão atrasadas. A banda foi formada em setembro de 1976 em Dublin, na Irlanda, e mantém a mesma formação até hoje, com o vocalista Bono, o guitarrista The Edge, o baixista Adam Clayton e o baterista Larry Mullen Jr. 
Com 14 álbuns de estúdio lançados, o U2 já vendeu mais de 170 milhões de cópias e conquistou 22 Grammys. Promete um novo disco com inéditas ainda neste ano e u nova turnê mundial.

Ao lado de Guns N’Roses e Oasis, o U2 é considerada a última das grandes bandas, aquelas que movimentam milhões e agregam números superlativos. Há quem diga que Coldplay e Radiohead podem ser incluídos nesta lista, mas acredito quer não haja possibilidades de comparações com as tr~es anteriormente citadas.

Inicialmente uma banda punk, o U2 se descolou do movimento já em 1980 com o lançamento do disco “Boy”, em que misturava um pop mais acessível e um hard rock incipiente.

O estouro mundial veio com “War”, de 1983, um disco de rock mais pesado e com letras muito politizadas, o que atraiu a atenção de um público variado que ainda sentia saudades de bandas viscerais como The Clash. “Sunday Bloody Sunday” e “New Year’s Day” se tornaram hits planetários.

O rock mais denso e  com cores mais soturnas prevaleceram em “The Unforgettable Fire”, de 1984, o melhor trabalho da banda, que ainda mantinha o frescor da juventude mas apontava para a adição de novos elementos nas letras e nos arranjos.

Banda gigante, voltou aos estúdios somente em 1987, com “The Joshua Tree”, mas suave no som, mas não menos contundente, em um mergulho no cancioneiro norte-americano, regado a muito blues e country music, coisa que permaneceu no disco duplo do ano seguinte, “Rattle and Hum”, com músicas inéditas e gravações ao vivo – e que virou um filme bem interessante sobre o disco e a turnê de “The Joshua Tree”.

Os dez anos de carreira cobraram o seu preço e a banda precisou de três anos para descansar e se reinventar. A mudança foi total e assustadora, para muitos. 

O mergulho na música eletrônica ampliou ainda mais o público e as vendas, mas colocaram a banda em caminho perigoso ao optar pela maior acessibilidade, digamos assim.

“Achtung Baby” (1991) e “Zooropa” (1993) mostraram ao mundo uma banda versátil e, até certo ponto, inspirada, mas o fôlego pareceu ter acabado no mediano “Pop” (1997), que ainda flertava com os arranjos eletrônicos.]

Se os discos do século XXI, cada vez mais raros, careciam de inspiração e maior qualidade, a fama e o tamanho cresceram ainda mais. É possível dizer que somente os Rolling Stones e, talvez, o Metallica, sejam capazes de ombrear os irlandeses em termos de tamanho e prestígio em termos de apresentações em estádios.

Muito se fala no esgotamento criativo de uma banda de 45 anos com a mesma formação e em um mundo em constante transformação e, para nossa tristeza, com cada vez menos guitarras. 

O vocalista Bono Vox rechaça as “acusações” de acomodação e falta de inspiração, mas descarta qualquer guinada radical no som, indicando que o grupo pode dar continuidade ao que foi feito nos discos mais recentes – “Songs of Innocence” e “Songs of Experience”, que decepcionaram muitos fãs, e certa forma.

Quando se fala em U2, imagina-se quem, de alguma forma, algum hit possa surgir, em lembrança dos bons tempos em que dominavam o mundo, nos anos 90. É normal, foi assim quando The Who decidiu lançar um disco novo depois de 14 anos. 

As chances de um single fabuloso que se torne um clássico e que venda horrores são pequenas. O mais provável é que o novo disco seja um punhado de canções pop modernas ainda envoltas em guitarras características e um conceito diferente. 

São quatro caras de 60 anos que tocam juntos e quase as mesmas coisas desde os 15. O U2, queiramos ou não, é uma típica banda de classic rock, bilionária, bem estabelecida e, de certa forma, fossilizada. É possível que consiga comemorar o seu cinquentenário nos palcos e com a menos mais um disco e tentativas de músicas inéditas. 

É difícil falar sobre a questão de que “já cumpriram a sua missão”. O que precisamos é cobrar músicas novas boas e que tenham a indelével marca U2. Por menos inspirados que estejam, já adquiriram aquele rótulo comum aos Rolling Stones e The Who – são incapazes de criar e lançar coisas ruins. Assim sendo, vida longa ao quarteto irlandês.