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 Marcelo Moreira

Neil Peart (FOTO: DIVULGAÇÃO)

“Não curto muito Rush. Mas eu fui ao show só para vê-lo. Quase não identifiquei as músicas, mas fiquei vidrado no desempenho dele na bateria. O cara tem um concentração absurda e uma técnica inacreditável.” 

O depoimento é do baterista paulistano Marcos Vinny, que ficou colado na grade da pista do estádio do Morumbi em 2003, quando da primeira visita do Rush ao Brasil.

Assim como ele, outros instrumentistas, nem todos bateristas, fizeram o mesmo para ver e reverenciar o mestre Neil Peart, o maior músico da história do rock progressivo, eleito no ano passado por alguns veículos de comunicação ingleses.

Peart morreu há um ano, aos 67 anos, vítima de câncer no cérebro. O Rush já não existia mais e o recluso e reservado músico saiu de cena para curtir a filha pequena e, depois, para se tratar.

Até hoje é difícil enquadrar e listar todos os adjetivos para demonstrar o quão o baterista do Rush foi importante para o rock. Estilista, versátil, inovador, ultratécnico e genial, fazia questão de colocar tudo isso a serviço da música e da composição. 

Por mais genial que fosse, nunca fazia demais. Nunca havia excesso na sua performance, por mais rica e cheia de detalhes. Por isso a música do Rush era ainda mais especial.

Além de baterista mágico, Peart era um excelente cronista do rock, dos bastidores da música e de viagens ao redor do planeta. Adorava sair para conhecer terras,povos e lugares exóticos.

Seus relatos a respeito de como a música e suas aventuras se entrelaçavam renderam textos e livos interessantes, a maioria deles publicado no Brasil pela editora Belas Letras. 

Infelizmente, um dos relatos mais saborosos não está editado, ainda em livros. É aquele em que Peart narra a sua peripécia de viajar de motocicleta do Rio de Janeiro a Buenos Aires, durante a turnê da banda pema América do Sul em 2011. Ele costumava fazer isso com amigos enquanto excursionava onde quer que estivesse, principalmente na Europa e na América do Norte.

Embora bem humorado, uma parte do relato, publicado em um blog, mostra uma viagem fracassada, já que ele e um amigo se perderam no interior de Santa Catarina, sendo que a muito custo conseguiu retomar o curso, e quase chegou atrasado para a sequência da turnê na Argentina.

Neil Peart foi um dos grandes músicos do nosso tempo. Encarnou como nunca a busca obsessiva da perfeição musical e do estudo constante para atingir o máximo grau de excelência técnica em seu instrumento. É o tipo de cara que derrubava rapidamente qualquer argumento dos detratores.

Assim como a de Eddie Van Halen, sua morte chocou até mesmo quem não gosta ou não conhece rock. Isso mostra, de leve, o tamanho que o baterista do Rush adquiriu dentro da música do nosso tempo.