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 Marcelo Moreira

Mike Bloomfield (FOTO: REPRODUÇÃO/VEVO/YOUTUBE)

Houve um tempo em que a guitarra blues tinha nos Estados Unidos e não era Jimi Hendrix. O moço atrevido e dedos rápidos, mas extremamente sensíveis, atendia pelo nome de Mike Bloomfield, um instrumentistas requisitado por todos e cobiçado por gente graúda, do primeiro time, como o mestre Bob Dylan.

Bloomfield morreu há 40 anos e não foi, obviamente, um membro do “Clube dos 27” por causa da idade, mas sumiu bem cedo em razão de problemas crônicos com drogas, que agravaram sua frágil saúde.

Bloomfield foi aquele cara certo nas horas certas em que era necessário resolver as coisas. Dê uma guitarra a ele e tudo se resolve, diziam os companheiros de estúdio e de bandas. 

Seu blues era automático, brotava dos dedos e seu som era harmonioso e reconhecível. Por que não se tornou um dos grandes, com uma carreira errática e escorregadia nos anos 70?

Ele foi o cara que deu o requinte ao intenso disco “Highway 61 Revisited”, de Bob Dylan, um dico crucial lançado em 1965. A guitarra era elegante e precisa, sem excessos, revelando ao mundo um dos grandes talentos daquele tempo.

Mais tarde, com a Paul Butterfiled Blues Band, refinou o seu estilo e mostrou o quando a guitarra tinha evoluído dentro da música popular. As reações aos seus solos e seus fraseados cristalinos geralmente eram de estupefação.

Em algum momento nos 70’s a coisa desandou e Mike Bloomfield perdeu o bonde. Seus discos solos não vendiam, apesar da boa qualidade, e acabou ficando à margem, esquecido até mesmo para trabalhar como músico de estúdio.

Claro que sempre podemos dizer que sua morte, aos 37 anos, em 1981, foi um desperdício por ter ocorrido muito cedo. No entanto, ele já feito muita coisa e era um nome grande, mesmo que parcialmente esquecido. 

As pessoas reverenciavam quando ouviam o seu nome, mas parecia haver algum bloqueio na carreira do instrumentista. Nem mesmo a força dada por Andy Warhol a partir de 1977 catapultou Bloomfied para o topo, obrigando-o a uma busca incensante de trabalho até morte acidental, segundo a polícia: uma overdose de Valium, um medicamento forte, dentro de seu carro.

Embora pouco lembrado atualmente, foi um dos grandes da guitarra, inserido por duas vezes na lista de 50 melhores guitarristas de todos os tempos pela revista Rolling Stone norte-americana.