Henrique Neal – especial para o Combate Rock
Para algumas bandas de rock, a simples existência é um ato político. Para outras, basta apena subir ao palco para que o mundo se transforme e estremeça tudo. Onde encaixar o Living Colour, que acabou de passar pelo Brasil?
Quando os quatro entram em cena, em qualquer ambiente, preenchem tudo e tomam conta de tudo. Foi assim em São Paulo, no Tokio Marine Hall, em 27 de fevereiro, e foi emocionante, como não poderia deixar de ser.
Quer coisa mais poderosa politicamente do que cantar “Hallellujah”, de Leonard Cohen, na introdução da pancada “Opem Letter (To a Landlord)”?
Como não curtir uma gema pop Glamour Boys”? É mais uma canção política…
A força da música de Living Colour é brutal, daquele tipo que é impossível de não ser impactado. O mundo para e o público entra em outra dimensão. Um mundo maravilhoso, em que a vida assume feições de coisa perfeita.
O quarteto recuperou “Bi”, uma ode em apoio à causa “LGBTQIA+” – como não amar essa provocação política? E então vieram os hist. “Type”, “Cult of Personality”, “This Is the Life”, “Solace of You” e mais uns quilos de hits imensos e extraordinários.
Ninguém sai da esma forma que entrou de um show do Living Colour, um fenômeno raro que apenas alguns artistas conseguem impingir ao público – Paul McCartney, Rolling Stones, Pink Floyd, The Who e talvez Rush e U2. A energia é muito forte e o astral, altíssimo. É quase uma experiência transcendental.
Quando eles toaram recentemente no rock in Rio, na companha do estupendo Steve Vai, foi impossível medi o impacto da apresentação por causa do inadequado (para eles) palco Sunset. O quarteto negro é imenso e não cabia lá
É um show único e de tamanha magnitude que precisa de estofo e desprendimento para se apreciado e absorvido. Tivemos a honra de presenciar em São Paulo um pouco da verdadeira essência da música pop e sua enorme carga dramática e política. É uma das bandas fundamentais