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 Marcelo Moreira



O mundo democrático e decente deve comemorar mais uma notícia boa. O deputado estadual paulista Douglas Garcia (PTB), bolsonarista fanático e com demonstrações explícitas de comportamento antidemocrático, foi condenado em primeira instância a pagar R$ 20 mil a uma pessoa incluída em dossiê elaborado pelo parlamentar “denunciando terroristas” e divulgado em 2019. Ainda cabem recursos.

O lunático parlamentar compilou o tal dossiê com mil nomes de gente que ele considerava “perigosa”, seja por ser de esquerda, seja por criticar o nefasto presidente Jair Bolsonaro. Como ele compilou tal lista? Vasculhando aleatoriamente redes sociais. 

É a segunda condenação contra o deputado alucinado, e pelo mesmo motivo. Parece que virão muitas mais, já que a prática fascista de compilar dossiês contra inimigos é considerada ilegal em democracias, como é o caso do Brasil.

Infelizmente, gostaríamos que o ato tresloucado de um parlamentar insignificante e indigente intelectual fosse apenas isso, um ato tresloucado. Entretanto, é bem mais do que isso. 

É apenas a ponta mais visível de um fascismo que se espreita em nossa sociedade forma insidiosa, se espalhando por ambientes religiosos dos piores que existem e entre gente ressentida, frustrada e preconceituosa que não admite qualquer forma de direitos humanos e redução da pobreza – por mais que seja tão pobre quanto.

Talvez seja a face mais visível do fascismo, que corrói o tecido social e estimula o ódio e a discriminação social em todos os níveis, exatamente como preconiza as “doutrinas” associadas ao nojento bolsonarismo.

Isso significa que Douglas Garcia não é o único boçal a praticar a nojeira do dossiê contra adversários e inimigos políticos. O próprio Palácio do Planalto já foi acusado de patrocinar tipo de dossiê, como ficou claro quando veio à tona a lista de jornalistas e influenciadores “detratores” do governo federal.

É improvável que as condenações do ridículo deputado paulista assustem os fascistas adeptos deste tpo de crime. No entanto, é salutar que a Justiça cumpra o seu papel e cause prejuízos sensíveis a seres execráveis que atentem e ameacem a democracia.