Sting e Bruce Springsteen brilham no formato acústico puro

Bruce Springsteen (Foto: reprodução/YOUtube

Não era para ser inovador, justamente porque estava longe de ser novidade, mas acaba sendo algo diferente neste tempos de tecnologia avançada e inteligência artificial: um concerto acústico rústico e raiz, só com violão, voz e gaita. Para muita gente, é tão inovador quanto encantador.0

Bob Dylan e Neil Young são os “especialistas” no formato, que revisitam desde sempre em álbuns sempre maravilhosos. Neste ano fpi a vez de dois outros grandes astros aderirem a essa modalidade com resultados ótimos.

Sting, ex-The Police, tocou violão ao lado do parceiro Dominic Miller para série de concertos filmados em um museu dos mais renomados da Holanda. O formato acútico do projeto é mais formal, respeitando a liturgia e a sobriedade do lugar, mas o músico se mostrou solto e descontraído em “The Night Watch”.

Despojado de produção e adereços, Sting evidencia que é um grande músico e compositor ao desfilar clássicos como “Fields of Gold”, “Every Breath You Take”, “Roxanne” e “Message in a Botle”, que ficaram boas em um formato mais “sacro e sagrado”. É um Sting nunc visto antes e que traz um novo olhar para o seu repertório.

Rústico e majestoso

“Contra os facínoras fascistas, poesia. Eles odeiam poesia.” A indignação da jovem ativista com o assassinato do poeta Federico Garcia Llorca em 1936 cabe muito bem nos tempos de hoje. Em que artistas progressistas são ameaçados de morte por ua militância.

O cantor guitarrista Bruce Sprimgdteen, ferrenho opositor das políticas de depredação social, de direitos civis e humanos do governo do presidente Donald Trump, contou em recente entrevista que recebe várias ameaças de morte a cada cidade em que está se apresentando na atual turnê pelo país, denominada “Land of Hope and Dreams” (terra de esperança e sonos).

Qual a resposta de Spriongsteen aos fascistas covardes? Uma música contra a perseguição aos imigrantes e assassinatos cometidos pela polícia de imigração, o ICE, e um audiovisual onde toca na íntegra uma de suas obras-primas, o disco “Nebrask”, de 1982. Sozinho, sentado no banquinho, só voz, gaita e violão.

Filmado em presto e branco por Thom Zimy, que também captou o áudio, o trabalho ficou maravilhoso. A força das canções se multiplicou e o resultado é um tapa na cara dos detratores, que, como se esperava, odiaram as letras, poesia e talento do músico de Nova Jersey.

A fita, já publicada no YouTube na íntegra e como áudio sendo vendido digitalmente no Google Paly, é de uma delicadeza e tocante, belo e suave dentro de sua proposta acústica, m,as contundente na mensagem e na forma como foi apresentada nestes tempos.

Legítimo intérprete do cotidiano americano e dos anseios da classe operária dos Estados Unidos, Springsteen é celebrado como o artista que melhor conseguiu captar a essência do sonho americano de vida próspera e de esperança no desenvolvimento humano em bases sociais justas.

Mesmo assim, até hoje continua sendo vítima de oportunistas que deturpam a ua mensagem. “Born in USA”, seu álbum de 1984 que contém hit como a faixa-título, foi sucesso mundial exaltando a força e a resiliência do americano médio que fez dos Estados Unidos uma potência econômica.

Entretanto, na campanha eleitoral presidencial de 1984, protestou contra o uso político deturpado da canção na pelos apoiadores de Ronald Reagan, candidato à reeleição pelo partido Republicano, que teve de parar de tocar a música. A patifaria dos republicanos continua se repetindo.

O audiovisual de Springsteen é uma resposta adequada ao mundo podre de Trump e seus apoiadores de extrema-direita que acreditam na intimidação como instrumento político para calar adversários. Não e trata apenas de resistência, mas também de sobrevivência.

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