O rock afogado na nostalgia e na falta de interesse pela informação

Imagem: mazon/divulgação/reprodução

A expansão da mente, e do mundo, passa pela informação e pelas referências, como disse Paul McCartney em uma entrevista para o jornal The Guardian em 1998. Ele conheceu os maiores nomes do jazz ouvindo a banda do pai, Jim Mac’s Jazz Band, e gravações de Louis Armstrong, Glenn Miller e Tommy Dorsey

Na nossa vidinha mundana, digo que conheci o rock dos primórdios e do blues ouvindo ba adolescência as versões dos Beatles e dos Rolling Stones para clássicos de Chuck Berry e Little Richard ;

Por isso é aterrador saber que muitos “fãs” da cantora pop Anita acharam, por algum tempo, que a versão dela para “Bichos Escrotos” ea uma composição dela. A artista gravou a canção dos Titãs para um projeto especial de celebração do rock nacional – a música integra o disco cabeça Dinossauro”, que está fazendo 40 anos.

Parcel expressiva dos “apreciados” da música fa funkeira não só não sabia que a música não era dela como desconhecia a obra original dos Titãs – e ficou horroriza com o ”fato” de Anitta ter “composto” uma música agressiva como aquela.

Lamentavelmente, a falta de informação não se restringe aos fãs de Anitta. Domina toda uma juventude de uma geração que despreza o conhecimento e a educação.

Vivemos a era das fake new e da desinformação. Onde ninguém mais ouve além de um minuto de uma canção – e ninguém dá a mínima para a autoria das músicas e de suas histórias. Não surpreende, portanto, que o fascismo, o extremismo de direita e as mais asquerosas seitas religiossas estejam avançando.

A coisa está tão complicada que jornalistas, influencers e produtores culturaisestão se esforçando para explicar a atual geralçao que sçao as bandas Sysyrm of a Down e Faith No More, que anunciaram show no Brasil em 2027- e nem são bandas tão antigas assim. Falta de informação, desinformação ou puro desinteresse/preguiça? Muito de tudo isso, infelizmente.

Por outro lado, a sensação de que o rock está ficando cada vez mais “uma coisa de velho” só aumenta. O elenco do C6 Rock corrobora isso, por mais qu fosse uma celebração dos anos 80. Todos os artistas escalados tinham amis dde 40 anos de carreira.

Turnês do tipo “Encontro”, como as de Titãs e barão Vermelho, abarrotam estádios. Assim como as de grandes nomes internacionais do passado. Artistas médios mal conseguem colocar 80 em casas muito menores. =

A publicidade, tanto aqui como no exterior, se vale do rock clássico para as trilhas dos filmes e comerciais, com preferência para Beatles, Rolling Stones, Queen e Led Zeppelin.

O mesmo ocorre npos seriados de TV e streaming americanos, responsáveis pela “redescoberta” de Fleetwood Mac, Heart, Metallica e outras bandas com décadas de existência. Até quando o rock vai viver de nostalgia?

Segundo o relatório semestral de 2026 da Luminate, 75% do streaming de rock nos Estados Unidos já vem do chamado “deep catalog” — músicas lançadas há mais de cinco anos. O índice cresceu cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior e abre uma discussão interessante: por que os clássicos continuam dominando o consumo do gênero e conquistando novas gerações?

O assunto parece não ter fim e aponta para uma fossilização do rock e um dilema insuperável: ficaremos amarrados ao clássicos do rock, principalmente em uma era em que não existem mais clássicos, ai menos em relação aos artistas doi século XXI?

Qual foi realmente a última grande canção memorável de rock? Por que não conseguimos lembrar de nenhuma da banda Greta Van Fleet ou do Volbeat? Qual é mesmo o grande hit do Maneskin? Entre as bandas indie, por que ninguém sabe cantar uma música sequer de Wet Lag, Wolf Alice, The Warning?

O rock virou música de nicho definitivamente, como jazz e o blues? Por que somente segmentos alternativos conseguem dar alguma sustentabilidade a artistas como Black Pantera, Boogains, Autoramas,Bike e bandas semelhantes do panorama alternativo? Como furar esse “teto”?

Incentivo e festivais alternativos não faltam, mas a visibilidade para esse tipo de banda está bem aquém do necessário para que uma cena realmente viva e ativa renasça entre os artistas mais novos do rock brasileiro.

“Seria interessante que houvesse maior coordenação entre cenários alternativos de rock e metal na atualidade no Brasil”, diz Bruna Rocha, vocalista da banda carioca Revengin e agitadora cultural. “O pa[is é muito grande, é verdade, mas as cna locais são muito isoladas e sem conexão. Há tantos festivais médios legais que oferecem tantas oportunidades de divulgação, mas s informações ficam restritas. É preciso melhorar a comunicação e as conexões.”

Clemente Nascimento, vocalista e guitarrista das bandas Inocentes e Plebe Rude, acredita que que é preciso fomentar as diversas cena também com as possobilidades de injeção de dinheiro público – tudo isso por meio de editais da prefeituras e governos estaduais.

Ele é o presidente da ABMI (Associação Brasileira dos Músicos Independentes), que oferece ajuda e informações sobre como os artistas podem ir atrás de editais para se candidatar a receber ajuda oficial.

“O movimento punk até hoje tem uma cena interessante e com alguma organização. As informações circulam e há bandas que aproveitam bem as oportunidades para arrumar lugares para tocar por meio de chances do poder público. Temos de aprofundar essas possibilidades”, observa o músico.

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