Vai acontecer com a as bandas n0va preferida amanhã. E você, sem perceber, vai sacanear os seus preferidos no show daqui a alguns anos: no solo de bateria ou na execução da nova música, você vai ao banheiro ou aproveitará para ir buscar cerveja ou refrigerante.
A audiência ansiosa e a falta do interesse em músicas novas autorais, efeitos colaterais nefastos dos novos hábitos de consumo de música neste século, ameaça s produções nova e reforça o comodismo e a preguiça de parcela expressiva do público, principalmente dos roqueiros.
Assim como as fossilizadas rádios de rock clássico e de flashbacks só tocam há décadas as mesmas músicas, muitos artistas s veem na obrigação de fazer o mesmo se quiserem alguma atenção e ser contratados. Novas composições? Para que perder tempo?
“Durante algum tempo, recebíamos ao menos dez ligações por dia de gente nos xingando porque estávamos tocando ‘músicas novas e desconhecidas de artistas e desconhecidos’. Só queriam ouvir as mesmas velharias de sempre. Nem mesmo músicas pouco conhecidas de bandas antjgas serviam”, contou certa vez um apresentador de rádio rock em almoço com este jornalista.
Clemente Nascimento, vocalista e guitarrista das bandas Inocentes e Plebe Rude, abordou esse assunto em recente entrevista ao Combate Rock. Com 45 anos de carreira, disse abertamente que hoje tem dúvidas a respeito da viabilidade de lançar novos álbuns e músicas inéditas.
“Está mais complicado divulgar, a a concorrência é grande e hoje há menos interesse no que fazemos de novo. A Plebe Rude lançou dois discos conceituais recentemente, mas as pessoas só querem ouvir ‘Até Quando Esperar’ e o catálogo mais antigo, diz o guitarrista.
Ele reconhece que há uma cena interessante no punk e no rock nacional, com bandas fazendo música boa e autoral, mas é uma parcela que precisa conviver com grande parte de apreciadores, ou que se dizem apreciadores de música, que não se interessam por trabalhos novos.
Em 2915, no espaço d duas semanas, dois astros do rock deram entrevistas para revistas inglesas questionando as necessidades de se lançar músicas novas em um tempo em que o interesse declinante por are e música novas predominava.
Ao suplemento cultural de The Times”, Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, disse não ver mais sentido em compor lançar coisas ovas devido ao pouco interesse do público. “A atenção fica dispersa quando tocam as músicas novas ou nada conhecidas nos shows. As pessoas aproveitam para se beijar ou comprar cerveja.”
Desde 2005 os Stones só lançaram três ákbuns, sendo um deles de versões de clássicos do blues. Os conterrâneos contemporâneos The Who têm uma marca pior: só dois álbuns de inéditas desde 1982.
Seu vocalista, Roger Daltrey, comento em entrevista à revista Classic Rock Magazine: “Além do publico não querer ouvir coisas novas, tem a questão dos custos. Tudo ficou mais caro, e a música ficou grátis. Gastamos tempo e dinheiro com horas de estúdio, salários de músicos e técnicos, marketing, prensagens e o retorno é zero. Não faz sentido.”
Há desilusão e desânimo, mas mesmos os que questionam a validade de se fastar tempo e dinheiro com novas músicas reconhecem que não há muita saída no momento e que a paixão pela arte fala mais alto.
Dois músicos gaúchos disseram recentemente quase a mesma coisa em entrevistas ao Combate Rock a respeito do oficio de tocar, cantar e compor. Thedy Correa, do Nenhum de Nós: “Fazer música é uma necessidade. Arte precisa estar em constante movimento e tem de oferecer algo diferente e inovador sempre. Se não for assim não cumpre a sua função. Beto Bruno, da Cachorro Grande: “Acho inconcebível não compor e não lançar canções novas. É o ofício do músico, nãpdá para ficar só em cinco ou seis canções a vida inteira. Temos de evoluir e crescer, senão fossilizamos”.