Soul Asylum volta ao acústico para uma deliciosa volta ao passado

Uma banda que resgatou o country rock e os violinos, e que lançou uma das músicas, com o respectivo clipe, mais tristes da história. Ninguém consegue explicar como o Soul Asylum foi de promissora atração dos anos 90, com potencial para ser muito grande, caiu n esquecimento poucos anos depois.

O grupo não resisti à superexposição com o estrondoso sucesso de “Runaway Trai”, que teve o clipe exibindo retratos de crianças e jovens desaparecidos nos Estados Unidos por décadas e colocando o problema na ordem do dia. E ainda teve o sucesso espetacular do especial “MTV Unplugged” e o namoro do guitarrista e vocalista David Pirner com a sensação do cinema da época, a atriz Wynona Ryder.

Exatamente 30 anos após a lendária sessão “MTV Unplugged”, em 1993 — gravada no auge da fama da banda —, o grupo de rock alternativo de Minneapolis retornou à sua cidade natal para, mais uma vez, despir o som e apresentar-se em formato acústico. O resultado é “MPLS Unplugged”, recém-lançado, com a banda em formato acústico acompanhada de orquestra.

A apresentação registrada naquela noite não foi uma recriação, música por música, do repertório do início dos anos 90, mas foi concebida com o mesmo espírito: um olhar íntimo e sem artifícios sobre uma banda e um repertório que agora carregam mais três décadas de história.

Três anos depois, a banda lança oficialmente o álbum “MPLS Unplugged”, gravado naquele show em Minneapolis. O vocalista e guitarrista base Dave Pirner é o único membro remanescente da era “Grave Dancers Union” da banda, mas o grupo registrado no novo disco demonstra uma coesão notável.

Houve um acerto grande na escalação do  STRINGenius e o coral gospel de Robert Robinson. Esses vocalistas deram o tom na faixa de abertura, “The Storm Is Passing Over”, uma introdução belíssima e emocionante para um disco que consegue ser, ao mesmo tempo, íntimo — algo impressionante, considerando o público de alguns milhares de pessoas — e alegre ao longo de um repertório de 20 músicas.

A banda homenageia os fãs apostando em seus clássicos (surpreendentemente, eles tocam “Runaway Train” no meio do show, em vez de guardá-la para o final), ao mesmo tempo em que reimagina muitas dessas canções.

Algumas recebem arranjos mais minimalistas, enquanto em outras as cordas preenchem a sonoridade de forma impressionante. O resultado transforma o que poderia ter sido apenas um álbum padrão de sucessos ao vivo em algo original.

“Crazy Mixed Up World” ganha um toque de country, e “Misery”, um dos maiores sucessos da banda, soa melhor aqui do que no single original, impulsionada pelos vocais de apoio e pelas cordas.

O repertório é impressionantemente abrangente, indo desde “Made to Be Broken” (1986) até “Hurry Up and Wait” (2020), mas a maior parte das músicas vem, apropriadamente, de “Grave Dancers Union.

 Surpreendentemente, uma das melhores faixas do álbum, “What Will Become of Me”, nunca havia sido lançada anteriormente. É uma canção de andamento moderado e tom autodepreciativo que remete ao passado cowpunk da banda, apresentando um refrão contagiante feito para ser cantado em coro.

Esta coletânea também inclui “Farmer John” que, assim como “What Will Become of Me”, foi presença constante nos shows da banda por muito tempo, mas nunca havia sido lançada oficialmente até agora.

Entre as músicas clássicas presentes aqui, as versões acústicas e despojadas de “Stand Up and Be Strong” (do álbum “The Silver Lining”) e “Black and Gold” (de “Grave Dancers Union”) são pontos altos.

Nenhuma delas difere drasticamente da original, mas ambas ganham muito mais espaço graças aos novos arranjos e à inclusão de instrumentos de corda.

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