O guitarrista mais rápido de todo os tempos. O rótulo pegou a tal ponto que o inglês Alvin Lee (1944-2012) começou a se irritar todas as vezes que lia isso nas revistas por todo o mundo. “É injusto reduzir a minha carreira a isso”, reclamou certa vez quando esteve para tocar no Brasil, em sua única passagem por aqui, nos anos 90.
Lee foi um dos pioneiros do blues rock e se notabilizou pelos solos incendiários com suas mágicas composições com a banda Tem Years After, É blues na veia, mas o rótulo permanece mesmo depois de 12 anos de sua morte.
Então nada melhor do que apreciar o trabalho da banda em mais uma reedição de um álbum importante do grupo, “Chickenwood Green”. Há alguns meses chegou ao mercado o relançamento de “Ssssh”, de 1969, um discaço – uma edição que chega com um ano e atraso, pois deveria ter saído no ano passado para celebrar os 55 anos álbum, e os 80 de nascimento de Alvin Lee.
Tem Years After se destacava das bandas de blues inglesas pela ferocidade com que tocava e pela extrema reverência ao blues eletrificado. E, é lógico, a sonoridade única da guitarra de Lee, impossível de ser copiado e reproduzido. É uma banda que destoa muito d concorrência da época – Cream, John Mayall and Bluesbrakers, Canned Heat, Fleetwood Mac e tantas outras.
O álbum “Chickenwood Green” é o quarto disco do Tem Years After e foi lançado em 1970. Passou por uma nova masterização para esta reedição, e a versão em CD duplo traz uma seleção de raridades anexada ao primeiro disco, incluindo uma demo instrumental recém-descoberta, “Cricklewood Jam”.
O segundo disco contém uma versão com nova mixagem do segundo set da banda no Fillmore East, em 27 de fevereiro de 1970, incluindo uma versão de 11 minutos de “Going Home”.
“Cricklewood Green” oferece o melhor exemplo da sonoridade registrada do Ten Years After. Neste álbum, a banda e o engenheiro de som Andy Johns combinam truques de estúdio e efeitos sonoros, estruturas musicais baseadas no blues, uma seção rítmica pulsante e as frases de guitarra ultrarrápidas — marca registrada de Alvin Lee — em um trabalho coeso que flui muito bem do início ao fim.
O trabalho abre com duas faixas de rock com influência de blues nas quais “Working on the Road” é impulsionada por um riff de guitarra e órgão que prende a atenção do ouvinte graças ao uso de manipulação de fita à medida que a música se desenvolve.
“50,000 Miles Beneath My Brain” e “Love Like a Man” são clássicos do estilo de jam do grupo; nelas, versos de letra despretensiosa servem de base para longas improvisações de guitarra que crescem em intensidade, tanto rítmica quanto sonora. Esta última foi presença constante nas rádios FM no início dos anos 70.
“Year 3000 Blues” é uma faixa country animada, temperada pelas letras bem-humoradas de Lee sobre ficção científica, enquanto “Me and My Baby” exibe de forma concisa as frases de jazz da banda — melhor do que qualquer outra faixa de estúdio do grupo — e conta com um excelente solo de piano de Chick Churchill. A música tem uma atmosfera semelhante às faixas longas do Lado A do álbum ao vivo “Undead”. “Circles” é uma peça acústica com uma pegada hippie, ao passo que “As the Sun Still Burns Away” encerra o álbum construída sobre outro riff clássico de guitarra e órgão, acompanhado por mais efeitos sonoros