Mais do que a voz respeitada contra o histórico machismo no rock, ações concretas. Ninguém apoiou mais a presença de musicistas mulheres nos principais palcos do que o guitarrista inglês Jeff Beck (1944-2023), que sempre incluiu em, sua banda ao menos uma instrumentista desde o final do século passado.
A medida foi adotada para quebrar paradigmas e acrescentar outros olhares e a uma obra marcada pela controvérsia e pela ousadia. As mulheres mudaram a forma como Beck encarava a música. A química com elas,dizia ele, era diferente e apreciava a abordagem que elas impunham no baixo e na bateria.
Além de coloca-las em suas bandas de apoio, Jeff Beck apreciava colaborar com cantoras de diferentes matizes. Beth Hart, americana que surgiu no hard rock, migrou para o blues e fez duetos memoráveis do o guitarrista. A irlandesa Imelda May, egressa do rockabilly antes de virar cantora pop, tornou-se uma voz frequente em shows e álbuns do músico.
A diva do soul britânico Joss Stone foi outra que trabalhou muito bem em clássicos da música com ele, ao lado da musicista alternativa Imogen Heap.
Os olhos do guitarrista também se voltaram para nomes rock mais moderno, como a cantora Rosie Bones, da banda Bones UK. Nem mesmo a música erudita escapou aos seus olhares, como podemos observar em “Elegy of Dunkirk”, com a participação da canora Olivia Safe.
Veja a lista de mulheres que tocaram na banda de apoio do mestre inglês da guitarra:
– Jennifer Batten – Guitarrista americana que teve destaque ao participar de álbuns e shows de Michael Jackson nos anos 80. Tocando com Beck entre 1997 e 2000, não era apenas uma guitarrista base, mas um grande complemento ao trabalho majestoso que o inglês realizada ao extrair sons impossíveis, como ocorreu no álbum “Who Else”, lançado na época.
– Tal Wilkenfeld: Prodígio australiana do baixo que ganhou fama mundial ao tocar com Beck no final dos anos 2000. Suas performances gravadas no famoso DVD “Live at Ronnie Scott’s” (2007) são históricas. Seu estilo jazzístico foi o que chamou a atenção de Beck, que buscava uma abordagem mais livre de parte de seu repertório.

– Rhonda Smith: Renomada baixista (famosa também por tocar com Prince) que integrou a banda de turnê de Jeff Beck por muitos anos, incluindo suas apresentações finais. O que chamou a atenção de Beck foi o groove de soul music e a abordagem bluesy que imprimia em clássicos do músico e do rock.
– Anika Nilles: A aclamada baterista alemã foi escolhida para integrar a banda oficial de Beck durante sua turnê final pelos EUA e Europa em 2022. Foi escolhida porque é um dos maiores nomes do jazz europeu e por sua versatilidade, fato que a credenciou a ser convocada para a volta da banda canadense Rush aos palçcos. Substituir Neil Peart (1952-2020) é uma tarefa de enorme responsabilidade.
– Carmen Vandenberg: Guitarrista que colaborou profundamente com Jeff Beck no álbum “Loud Hailer” (2016) e dividiu os palcos com ele na guitarra base. Integrou a banda Bones UK com a cantora Rosie Bones.
– Vanessa Freebairn-Smith: Violoncelista talentosa que se juntou a Beck em performances ao vivo para adicionar arranjos de cordas dinâmicos.
– Beth Hart: Protagonizou uma performance emocionante e visceral ao lado de Beck no tributo a Buddy Guy no Kennedy Center Honors em 2012, cantando “I’d Rather Go Blind”.
– Joss Stone: Cantora britânica de soul que colaborou com o guitarrista em estúdio e em diversas apresentações ao vivo.
– Imogen Heap: Participou de gravações icônicas com ele, incluindo a versão vencedora do Grammy para a faixa “Rollin’ and Tumblin'”.
– Imelda May – Surgiu como fenômeno do rockabilly britânico na Irlanda e migrou para a música pop sofisticada depois. Também colabora com Ron Wood na banda solo deste e tem uma carreira solo bem consistente.