Dois vocalistas clones como solução ordinária para substituir um dos fundadores que fico doente – e foi demitido por isso. É um triste fim para uma uma instituição do rock progressivo que insiste em vagar como uma alma penada pelo século XXI.
O Yes não jogou sua linda história de 59 anos no lixo, mas se esforça para despedaçar um legado importante do rock britânico e do mundo progressivo. Seu mais recente lançamento, “Aurora”, que acaba de ganhar uma versão estendida, é uma pálida sombra do que o grupo já foi, desfigurada e sem nenhum integrante original.
O vocalista atual é Jon 9Davison , americano egresso de uma banda que tocava versões de rock clássico, com predileção pelo Yes. Substituiu o canadense Benoit David, esse sim canto de banda cover do Yes, que saiu também por ficar doente em época de turnê, tal qual ocorreu com 2007 com o fundador Jon Anderson. Davidsob e David são clones de Jon Anderson até nos maneirismos.
Com Anderson fora e o baixista Chris Squi9re morto em 2015m aos 67 anos, a liderança foi assumida pelo guitarrista Steve Howe, que entrou em 1970 e esteve fora em diversos momentos. É ele quem barra a volta de Anderson, que manifestou interesse em voltar ao grupo ao lado de Rick Wakeman, tecladista histórico dp Yes que também se tornou desafeto de Howe.
Com tantas tretas e inimizades, Steve Howe segue sendo o mais antigo integrante e o único da formação clássica dos anos 70. Está ao lado do vocalista Jon Davison, do tecladista Geoff Downes, do baixista e tecladista Billy Sherwood e do baterista Jay Schellen.
A nova edição de “Aurora” traz um disco bônus com versões instrumentais no CD 2. Bandas consagradas precisam encontrar um equilíbrio entre a abordagem musical que as tornou famosas e a experimentação de algo novo.
Para alguns fãs, qualquer uma das opções — se adotada de forma absoluta — condena o lançamento mais recente. Mas e quanto às bandas que passam por mudanças radicais na formação ao longo dos anos?
Elas ainda estão presas ao passado? E aquelas que surgem sem nenhum membro original remanescente? Estão condenadas a virar uma caricatura de si mesmas?
Um período de estabilidade totalmente inesperado proporcionou à atual encarnação do Yes a oportunidade de lidar com a pesada bagagem musical que herdaram. Cada novo projeto de estúdio, culminando em “Aurora”, representou mais um passo para sair dessas longas sombras em direção a uma abordagem musical que agora é genuinamente deles.
Não se trata mais de um grupo tentando evocar as glórias de outrora ou reviver o período do início dos anos 70 — que definiu a carreira da banda e marcou a entrada de Howe. O Yes também deixou de perseguir o sucesso fácil da era dos hits dos anos 80, época em que Howe havia migrado para o Asia após concluir o álbum *Drama* (1980) com Downes.
Em vez disso, temos um grupo de músicos com três elos notáveis com o passado — Sherwood já havia integrado a banda nos anos 90 — que finalmente descobriram sua própria identidade artística.
Há uma faixa central dividida em vários capítulos, “Countermovement”, embora, felizmente, nada se compare àquelas faixas extensas e divagantes que ocupavam lados inteiros dos discos em álbuns dos anos 70.
“Outside the Box” apresenta, logo no início, uma interação vocal a cappella que remete a “Leave It”, de 1983. “Jambustin’”, uma das faixas bônus, faz uma referência lúdica a “Don’t Kill the Whale”, de 1978.
Há até alusões a uma fase mais recente: os momentos iniciais de “Aurora” ecoam a atmosfera crescente e contemplativa sobre a manifestação cósmica presente em “Cut From the Stars”, do álbum “Mirror to the Sky” (2023).
No entanto, o fato de tocarem juntos há tanto tempo — muitas vezes apresentando na íntegra os álbuns mais cultuados do Yes — permitiu que esta formação fosse além das homenagens previsíveis ao catálogo da banda.