A profusão de lançamentos no ciquentenário de The Fall

O cinquentenário de uma das mais improváveis bandas punks britânicas está sendo celebrado com uma profusão de relançamentos neste ano, além da promessa da chegada ao mercado neste mês de um álbum póstumo e inédito. The Fall está recebendo um digno tratamento nos mesmos moldes de The Jam e The Pogues, outras instituições britânicas com 50 anos de história relevante.

A banda terminou em 2018, mas o líder, o guitarrista e vocalista Mark., E. Sm,ith, afirmou em uma entrevista à época que o arquivo de The Fall era farto e que não descartava lançamentos futuros, incluindo material inédito. Ele demorou seis anos para mexer nesses arquivos e começou a desovar tudo a partir de 2024.

Inicialmente associado com o movimento punk do final dos anos 1970 , o grupo tem um amplo espectro de estilos musicais, desde o rock atonal, melódico e quase cacofônico característico dos seus primórdios até uma música globalmente acessível, especialmente após a chegada de Brix Smith em 1983, mas sempre com uma propensão para o experimentalismo.

A música dos The Fall, no entanto, contém outras características constantes: suas melodias intencionalmente cruas e repetitivas, o abrasivo som de guitarra e as letras enigmáticas cantadas pelo vocal nasal e quase incompreensível de Smith

Formados em 1976, os The Fall editaram mais de trinta álbuns de estúdio, além de numerosos álbuns ao vivo e compilações. A AllMusic descreve a banda como uma das mais prolíficas e duradouras surgidas na vaga pós-punk britânica.

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The Fall confirmou o lançamento de um álbum póstumo com materiais inéditos registrados pouco antes da morte de Mark E. Smith. O disco, intitulado “Post Script”, traz gravações que o vocalista e líder da banda deixou prontas antes de falecer em 2018, aos 60 anos, vítima de câncer.

A primeira amostra do projeto é a faixa “30 Degrees”, que já foi disponibilizada. A produção e composição da  ficaram a cargo de Simon Archer e Ed Blaney, ex-membros do grupo que trabalharam diretamente com Smith nas sessões finais. De acordo com Blaney, o álbum completo terá nove faixas, embora a data oficial de lançamento ainda não tenha sido confirmada.

Este será o primeiro trabalho associado ao nome do The Fall desde “New Facts Emerge”, de 2017, o último disco de estúdio lançado pela banda inglesa. O grupo encerrou suas atividades logo após a morte de seu fundador, que foi o único integrante presente em todas as formações desde o início. Agora, “Post Script” surge como um registro oficial da reta final da carreira de uma das figuras mais singulares da música alternativa.
Nas plataformas digitais já está “The Peel Sessions 1978”, uma das primeiras aparições do grupo de Manchester no famoso programa de rádio britânico comandado por John Peel (1939-2004).

É um EP com poucas músicas que mosta Tge Fall rústico e agressivo, sem a característica experimental que viria a adquirir nas décadas seguintes.

Embora nunca tenham alcançado um sucesso comercial comparável ao de outras bandas da sua geração, The Fall lançaram vários singles que entraram nas tabelas britânicas durante a década de 1980 e mantiveram uma base fiel de seguidores, exercendo igualmente influência sobre diversas bandas de rock alternativo e pós-punk.

Há dois anos os incessantes os relançamentos de trabalhos mais importantes d grupo. São eles: “The Infotaimnt Scan”, “Seminal Live”, “Fall Heads Roll”, “Singles Live: Vol. Two 1980-1983” e “Ceebral Caustic”, este último relançado em edição expandida em, uma mecaxaixa.

A banda sempre tem sido associada com a famosa BBC Radio 1 “ Middle Class Revolt”, do DJ John Peel, que lhe deu um apoio considerável desde a sua criação, afirmando que The Fall era a sua banda favorita. Peel disse uma famosa frase sobre a banda : “Eles são sempre diferentes, eles são sempre os mesmos

Material vasto

A caixa “Cerebral Caustic”  inclui versões alternativas, bem como um show inédito gravado em Rennes, além de mixagens preliminares e sessões de rádio da época. Inclui também “Twenty-Seven Points” (lançado originalmente em 1995), um álbum composto por gravações ao vivo realizadas em vários locais entre 1991 e 1995, mas que também traz interlúdios e duas faixas de estúdio inéditas.

Mark E. Smith mais uma vez deu a volta por cima após deixar uma gravadora — trocando a Matador pela Permanent —, mas “Cerebral Caustic” destaca-se por muitos outros motivos.

Primeiramente, Brix Smith (que ainda usava esse nome artístico) retornou à formação, ao passo que acontecimentos posteriores fizeram deste o último álbum de estúdio com a participação de Craig Scanlon.

Embora não fosse um membro fundador, sua maneira de tocar guitarradefiniu o som do The Fall tanto quanto a visão e os vocais de Smith; saber, em retrospecto, que essa foi sua despedida não intencional torna “Cerebral” ainda mais interessante. Além disso, Dave Bush também deixaria a banda após este álbum e a turnê de divulgação para se juntar ao Elastica.

Musicalmente, *Cerebral* seguiu a linha de álbuns recentes como “Infotainment Scan”, misturando toques de sonoridade techno e homenagens à era glam rock à habitual mistura de abordagens da banda.

De modo geral, a banda parece estar se divertindo muito, apresentando arranjos peculiares e detalhes lúdicos, como a melodia de altos e baixos de “Life Just Bounces”.

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