Eles são podres, malvados, sujos, asquerosos e tentaram sequestrar o Papai Noel. E agora pretendem invadir os cérebros de seus filhos. Às vésperas de celebrar 45 anos de punk rock engajado e ativista, os Garotos Podres decidiram enveredar pela música infantil, mas com a ironia, o sarcasmo e a sonoridade punk característica.
“Mais Podrinhos do que Nunca” é uma versão escatológica, mas infantil, do conteúdo do primeiro álbum da banda, “Mais Podres do que Nunca”, lançado em 1985.
Está sendo vendido no site da banda em vinil de 7 polegadas, o antigo compacto simples, na cor vermelha, ao preço de R% 90. Serve ao mesmo tempo como item de colecionador e iniciação ao punk rock engajado para as crianças.
A iniciativa é interessante porque é a primeira banda punk brasileira a mirar as crianças – e sem precisar apelar para a escatologia pobre e sem compromisso dos mamonas Assassinas, por exemplo. Alia engajamento, humor e sacanagem sem ser necessariamente ofensiva.
O vocalista José Rodrigues “Mao” Júnior éuma figura de ponta da música brasileira e do rock nacional. Intelectual da estirpe de Jello Biafra (ex-Dead Kennedys) e Greg Grasffin (Bad Religion), que são professores universitários, tornou=se referência na arte engajada e na defesa da democracia dentro da área do entretenimento. É professor de história em faculdades é autor de livros sobre s revoluções de Cuba e da China ocorrida no século passado.
Surgida em Mauá, no ABC Paulista, em 1982, sempre esteve ligada aos movimentos trabalhistas e aos sindicatos de metalúrgicos da região -e automaticamente, à Central Única dos Trabalhadores e ao Partido dos Trabalhadores sem, no entanto, manter vínculos oficiais. Até mesmo a esquerda foi alvo de críticas ferinas do cantor.
“Mais Podrinhos do que Nunca” é uma boa ideia para diversificar o portfólio de uma instituição da música brasileira. Em momento de desvalorização da cultua e da séria ameaça à democracia, é sempre necessário educar e preparar as crianças para o ibevitável combate e neutralização dos inimigos do progresso.