A alegria é imensa quando do anúncio: substituir um ídolo mundial do rock em uma banda clássica, com a chance de fazer história e se tornar, também, um ídolo mundial. Cinco anos depois, vem a decepção: banda e empresários tramam, pelas suas costas, a volta do antigo ídolo, com a suposta argumentação de que os “fãs pediram”.
Cena mais comum no rock desde sempre, deixa inimizades, constrangimentos e batalhas judiciais pelo caminho, além da evidente falta de respeito – e também de profissionalismo. Nunca é fácil demitir alguém, mas há maneiras civilizadas de se fazer isso.
Em 1986, o Black Sabbath tinha problemas sérios com a instabillidade do canor Glenn Hughes, então mergulhado nas drogas e no álcool – recuperou-se depois. Ele começou a turnê americana, ma havia fois meses um substituto estava sendo preparado secretamente para substituí-lo. Ray Gillem assumiu no quinto show do firo.
Os exemplos mais gritantes de desrespeito recentes envolvem bandas como Iron Maiden e Judas Priest, mas também outros nomes estrelados, como Van Halen e Yes.
– Iron Maiden – A banda inglesa enrou em crise quando o vocalista Bruce Dickinson anunciou que sairia para a carrira solo em 1992. Antecipando a era dos realities shows, foi realizado um suposto concurso mundial paraescolher o novo vantor, sendo que ele já estava escolhido de antemão> Blaze Bayley, da banda Wolfsbane, que tinha estilo completamente diferente. Ele durou seis anos e ficou sabendo nos bastidores de um show no Brasil em 1998 que o empresário Rod Smallwood articulava a volta de Dickinson, fato que realmente ocorreu em 1999. Blaze demorou anos para superar a traição, por mais que que soubesse que a parcel dos fãs que o rejeitava era enorme.

– Judas Priest – Outra instituição britânica que repetiu a patifaria do Iron Maiden, e por duas vezes. O vocalista Rob Halford surpreendeu ao decidir sair em 1991 depois de um excelente álbum, “Painkiller”. O impacto foi tão grande que a banda se desorganizou e ficou ao menos três anos sem atividades, com seus integrantes partindo para projetos solo. Em 19995 começaram a procurar um substituo. Na triagem, chegaram ao alemão Ralf Scheepers, da banda Gamma Ray, um notório fanático pelo Judas Priest e famoso pela voz parecida com a de Halford. Nas vésperas de ser anunciado, a banda recebeu uma fita de vídeo com uma apresentação da banda americana W9inter’s Bane, que fazia versões de música do Judas e tinha algumas músicas autorais. Os guitarristas Glen Tipton e K,K Downing ficaram magnetizados com o cantor Tim Owens e correram para fazer um teste com o músico na Inglaterra. A decisão foi rápida: descartaram sem cerimônias Scheepes. Cinco anos depois,emk2003, após dois CDs de estúdio e dois ao vivo, Owens era surpreendido com a confirmação dos boatos: Rob Halford estava de volt – e sua demissão, ocorrida tempos depois por telefone.
-Van Halen – O modus operandi é o mesmo: banda no auge, vende milhões, e o vocalistainsatisfeito com o rumos do grupo decide pela carreira solo e rompe com os ex-colegas em separação rumorosa. Foi assim que Dave Lee Roth saiu do Van Halen e já engatou a careira solo com um hard rpop baeado em canções antigas, como “Calçiforni Girls”, dos Beach Boys. Para substituí-lo, a surpresa: o vocalista e guitarrista Sammy Hagar, ex-Montrose e com carreira sol de sucesso, quae dez anos mais velho que os outros integrantes. Deu muito certo pelos dez anos seguintes, com cinco álbuns estourados e vendas multimilionárias. Entretanto, divergências internas e boatos da volta de Roth minaram as relações e Hagar saiu em 1996. Roth gravou duas canções inéditas para uma coletânea da banda, mas não ficou por novas desavença com os demais integrantes. Gary Cherone, do Extreme, assumiu os vocais com a desconfiança de todos, gravou um disco e saiu em 1998. Foram seis anos de boatos sobre uma turnê conjunta do Van Hlen com roth e hagar, mas só o segundo participou em 2004 para nunca mais voltar. Roth finalmente acertou a volta em 2007 e ficou até 2015, quando o Van Halen parou de vez – o guitarrista Eddie Van Halen morreu em 2020.
– Yes – Banda d rock progressivo marcada pelas idas e vindas do vocalista Jon Anderson, qu saiu três vezes – em 1979, 1987 e2007. Sempre à espreita por uma nova oportunidade, esteve disponível quando o baixista Chris Squire, morto em 2015 e dono da marca, precisou. Irritado com os rumos do Yes, Anderson saiu em 1979 para trabalhar com o tecladista grego Vangelis. O produtor Trvor Horn assumiu os vocais, mas a banda acaba em 1981. Dois anos depois, Squire monta o Cinema, mas Anderson aparece no estúdio e se encanta com o material e se convida para entrar e resgatar o nome Yes. Novas desavenças o fazem sair em 1987 pra retornar quatro anos depois ao ladode outros ex-integrantes e permanece até 2007. Doente com certa gravidade, Anderson é sumariamente demitido e substituído por um cantor de banda cover do próprio Yes. Nunca mais voltou.

– Black Sabbath – Os criadores do heavy metal tiveram imensas dificuldades para sobreviver depois que o vocalista Ozzy Osbourne foi demitido em 979. Dois anosantes,tinha brigado com os companheiros e abandonado o grupo, Dave Walker, ex-Savoy Brown, ocupou o posto por quatro meses até que Ozzy forçasse a sua recontratação. Entre 1980 e 1986, quatro cantores de primeiro escalão passaram pela banda: Dio, Ian Gillan, Glenn Hugher e Ray Gillan, todos sempre com a sobrade Ozzy por perto, A estabilidade veio com o inglês Tony Martin em 1987, que foi o vocalista que mais tempo ficou na banda depois do próprio Ozzy – foram oito anos e cinco álbuns. Só que Martin foi desrespeitado em 1991 quando empresários articularam a volta de Dio, com a concordância de Tony Iommi, o guitarrista. Sem aviso e sabendo pelos jornais, martin estava fora. Mas ó por um ano e meio, porque Dio brigou de novo com Iommi e obaixista Geezer Butler e saiu em 19982. Martin retorna, meio constrangido, para mais dois discos. Sua saída definitiva ocorre em 1996 em meio a boatos da volta de Ozzy, fato que acontece em 1997.
– Deep Purple – Quando Ian Gikkan saiu da banda, em 1973, partiu para o ramo empresarial – comprou um hotel no sul da Inglaterra e construiu uma fábrica de barcos, uma de suas paixões. Entretanto, só ficou longe da música por três anos. Em 1976 já engatava a Ian Gollan Band, que em 1980 virou Gillan. O Deep Purple estava acabado e sepultado. Depois de passagem rápida pelo Black Sabbath, em 1983, aceitou reagrupar a segunda e clássica formação do Dep Purple em1984 para sair brigado em 1988. Substituído por Joe Lynn Turner, voltaria em 1993 para não mais sair. Turner gravou apenas m disco, “Slaves and másters”, e ficou sabendo por roadies que não era mais o cano r do Deep Purple em 1992. 6
– Accept – Os alemães pioneiros do metal alemão, com 50 anos de carreira, viveram seu momento de turbulência em 1988, quando o roteiro clássico foi aplicado: vocalista ídolo não aceita mudanças estética e na sonoridade e sai. O Accept seguiu e mudou, ficando mais americanizado e hard rock, como fez o Judas Priest anos antes. O vocalista substituto era o americano David Reece, que gravou o álbum Eat the Heat”. Fraco, o disco fracassou e os fãs rejeitaram as mudanças. Imediatamente surgiram com força os boatos de que o canor Udo Dirkschneider voltaria. Isso ocorreu, mas somente em 1993, uando Reecce já tinjha sido demitido. Udo sairia seis anos depois para nunca mais voltar.

– Helloween – A banda alemã criou o power metal há 41 anos, mas o guitarrista e então vocalista Kai Hanmsen sentiu que não seguraria a barra. Então partiu dele a sugestão de contratar rápido um prodígio da voz, o jovem Michael Kiske,de 18 anos. Foi a melhor coisa que a banda fez e o o cantor se tornou um gigante do heavy metal, ficando no grupo até 1993. Seu substituto, o alemão Andi deris, da banda Pink Cream 69, até hoje no grupo, passou todo esse tempo convivendo com o fantasma da volta de Kiske. Sereno e bem-humorado, Deris aparentemente lidou bem com o fantasma. Seis anos atrás, o Helloween percebia eu patinava e perdia vigor e Andi Deris, sentindo que as coisas não estavam bem, se antecipou e jogou a ideia: por que não convidar Kiske e Hansen para participar de alguns shows e gravar uma ou duas participações em músicas novas? A ideia agradou e isso ocorreu. Deu tão certo que os dois convidados voltaram, a ser oficialmente integrantes do grupo, que hoje é um septeto.