A maior sensação do rock americano é um tapa muito forte nacara do nefasto presidente Donald Trump e sua política autoritária e protofascista. The Linda Lindas é um quarteto feminino de poppy punk formado por meninas adolescentes descendentes de chineses e mexicanos. O som é muito bom no recém-lançado terceiro álbum, “Gotta Get Off”, que mistura punk, pop e rock pesado.
Será que o ICE, a polícia de imigração americana, vai ter coragem de prendê-las e deportá-las?
O som é puro suco de música pop, longe de qualquer ativismo ou protesto, mas a simples existência e composição do grupo já é um ato político relevante d grande repercussão. Em tempos d perseguição a imigrantes de todos os tipos, The Linda Lindas representa muito mais do que resistência.
O discurso em torno das Linda Lindas revela mais sobre o estado da indústria musical do que sobre a música propriamente dita da banda.
É impossível ignorar as críticas culturais associadas ao quarteto formado por Lucia e Mila de la Garza, Eloise Wong e Bela Salazar, que alcançaram a fama graças a um vídeo viral de 2021 no qual tocavam a música “Racist, Sexist Boy” na Biblioteca Pública de Los Angeles.
Basta uma rápida busca no Google para encontrar uma enxurrada de comentários rotulando as Linda Lindas como “nepo babies” (filhas de famosos que se beneficiam de conexões familiares) ou “industry plants” (artistas fabricados pela indústria).
Embora as pessoas tenham se apressado em apontar o dedo para os “nepo babies” ultimamente, é impossível não notar que esses rótulos são usados de forma desproporcional contra mulheres, especialmente mulheres racializadas.
É verdade que as Linda Lindas podem enfrentar algumas acusações fundamentadas de nepotismo (as irmãs de la Garza são filhas do engenheiro de som e produtor Carlos de la Garza, vencedor do Grammy), mas elas também são um grupo de jovens marginalizadas criando um punk sólido e politicamente engajado. O que há de errado nisso?
“Gotta Get Out” é uma declaração alegre e eclética da força e longevidade da banda, que evoluiu muito desde o álbum anterior, “No Obligation” (2024).
As músicas soam mais criativas e ambiciosas, expandindo os horizontes do projeto além do que se imaginava anteriormente; neste terceiro disco, a banda realmente assume o controle de sua sonoridade.
Grande parte do álbum transita confortavelmente por uma estética de alt-punk e grunge inspirada nos anos 2000, mas as Linda Lindas não têm medo de ousar e sair do óbvio.
Ao longo dos 40 minutos de duração do disco, elas flutuam entre o punk e o slacker rock em faixas como “High Horse”, o pastiche de hardcore na música de crítica a Trump “Blood on Our Hands” e em “Break”, e uma atmosfera onírica que remete a artistas como The Sundays ou Luna Li na faixa de encerramento, “See You Next Time”.
Com músicas divertidas e explosivas, repletos de refrões que dão vontade de cantar junto, os melhores momentos do álbum parecem trilha sonora para um filme para adolescentes – uma mistura essencialmente feminina de punk e alt-rock com forte apelo pop, filtrada pelas lentes cor-de-rosa da nostalgia do início dos anos 2000.
“Gotta Get Out” é uma excelente evolução da sonoridade das Linda Lindas, repleta de promessas de longevidade na carreira. É um álbum alegre e positivo, que se adequa bem ao lema republicano da Guerra Civil Espanhola (1936-1939): “Vamos fazer poesia e música. Os fascistas odeiam poesia e música!”