A maior sombra de David Bowie no chamado movimento glam rock da Inglaterra era um sujeito tímido, mas muito criativo e obcecado pela perfeição. Com fama mde difícil, acabou ficando pelo caminho nos anos 70, ms escreveu páginas brilhantes na música pop inglesa.
Marc Bolan morreu cedo, aos 31 anos e,m 1977, em um desastre de automóvel, mas já tinha obra vasta musical em apenas sete anos de produção fonográfica, seja como artista solo ou com a banda Tyranossaurus Rex, que logo viou T. Rex. Esse nome se tornou tão influente que é mencionado na letra da canção “You Better You You Bet”, de The Who, de 1981.
Dentro do projeto que prevê a lembrança dos 50 anos da morte de Bolan, no ano que vem, o espólio do cantor coloca no mercado o primeiro produto de uma série programada para celebrar o se legado e o de T. Rex.
“T. Rex 974-1977” reúne cinco CDs repletos de música que abrangem o período mais negligenciado — porém, possivelmente, o mais pioneiro — da brilhante carreira de Marc Bolan. A coleção inclui os três últimos álbuns de estúdio do T. Rex — “Bolan’s Zip Gun”, “Futuristic Dragon” e “Dandy in the Underworld”.
Também traz uma série de 10 singles (e lados B) inigualáveis dessa fase final, incluindo “New York City”, “Dreamy Lady”, “The Soul of My Suit” e, claro, “I Love to Boogie”.
Ao longo dessa jornada, a musa inquieta e a centelha criativa de Marc exploram o soul e o R&B (“Ride My Wheels”, “Dreamy Lady”), incursões pelo proto-glam metal (“Zip Gun Boogie”, “The London Boys”) e faixas tensas e cortantes (“Think Zinc”, “Celebrate Summer”) que remetem à explosão do punk que acontecia.
em Londres naquela época — movimento no qual Marc exerceu uma influência fundamental.
Um destaque empolgante é a inclusão de dois CDs com uma vasta seleção de gravações de ensaio inéditas, cuidadosamente remasterizadas e selecionadas a partir de um acervo de fitas do próprio Marc, descoberto no final de 2024.
Esses registros fascinantes mostram um artista com energia e criatividade renovadas, documentando também como Marc e sua banda afiadíssima mantinham as gravações rolando enquanto viajavam pelo mundo — de Londres aos EUA, passando pela Alemanha e França, até retornar a Manchester.
Também estão incluídas as gravações completas e recém-descobertas do programa de TV “MARC”, da Granada TV, de 1977. Embora a seleção de clássicos do T. Rex apresentada no programa (“Ride a White Swan”, “Hot Love”, “Jeepster”, entre outros) já estivesse disponível anteriormente, as versões anteriores provinham de fitas de transmissão e, por isso, tinham qualidade muito inferior: som mono, cortes prematuros (fades) e aplausos da plateia adicionados artificialmente.
Dadas como perdidas por quase meio século, as versões originais completas — gravadas pelo T. Rex antes da dublagem realizada no programa — foram uma descoberta surpreendente e maravilhosa.
Há também, é claro, “I’m Dazed”, o single “perdido” do T. Rex resgatado daquelas mesmas caixas de fitas em 2024. Remasterizado e lançado em um disco de 7 polegadas na cor “amarelo cósmico” no aniversário de Marc em 2025 (trazendo uma nova versão de “Billy Super Duper” no lado B), o lançamento também marcou a ocasião em que Marc foi homenageado com uma “Blue Plaque” (Placa Azul) oficial da English Heritage.
Essa honraria fez dele um dos apenas cinco músicos pop a receber tal distinção, ao lado de Freddie Mercury, John Lennon, Jimi Hendrix e Bob Marley. Duas versões bem diferentes de “I’m Dazed” brilham aqui: a versão do single de 2025, remixada por Steven Wilson, e uma outra, muito mais lenta, conduzida por uma bateria lânguida, clavinet e piano.