Nas listas de melhores álbuns ao vivo de todos os tempos, três costumam aparecer em quase toda: “Live at Leeds”, de The Who”, “Paris”, de Supertramp,, e “Made in Japan”, do Deep Purple. Este último ganhou tantas edições especiais comemorativas que muita gente tem dificuldade de saber qual é a original.
Para confundir mais a cabeça dos fãs, mais algumas versões estão chegando neste ano, com áudio remixado e remasterizado, além de material extra, como não poderia deixar de ser.
O áudio foi gravado na excursão japonesa de agosto de 1972, quando a banda já iniciava a promoção do álbum “Machine Head”, o melhor do quinteto. Era o auheda segunda formação, que tina Ritchie Blackmore (guitarra, Jon Lord (teclados), Ian Paice (bateria), Ian Gillan (vocais) e Roger Glover (baixo), os ois últimos chegando em 1969.
Os shows de Tóquio e Osaka foram gravados, mas boa parte utilizada é do dia 15 de agosto de 1972, onde a banda mostra peso, fúria e excelência musical, com Ian Gillan simplesmente nas melhores performances de sua carreira.
“Made in Japan (Super Deluxe Edition)” inclui novas mixagens estéreo e em Dolby ATMOS feitas pelo produtor Steven Wilson (também guitarrista e vocalista do Porcupine Tree, além de rresonsável por remixagens de álbuns do Yes, Jethro Tull, Genesis e The Who), além de todos os três concertos completamente remixados por Richard Digby Smith e diversas versões raras editadas para singles.

A edição já está disponível na loja oficial do Deep Purple, em diferentes formatos: box com 10 LPs de vinil, box com 5 CDs + Blu-ray, ou versão avulsa em vinil duplo com capa gatefold (com lançamento previsto para 3 de outubro nos EUA, Canadá e Japão). Há ainda um livreto com material fotográfico inédito.
Também está disponível nas plataformas digitais uma versão ótima com a remixagem comandada por Steven Wilson, guitarrista e vocalista da banda inglesa Porcupine Tree.
Produtor experiente e criativo, ele foi responsável pelo mesmo trabalho em álbuns clássicos de The Whom, Yes, Jethro Tull e Emerson, Lake and Palmer, entre outras bandas.
O som, está mais encorpado e [e possível perceber muitos detalhes com mais nitidez, coisas antes soterradas pelas imperfeições técnicas da captação sonora e das produções de 50 anos atrás.
Auge e superação
O então LP duplo foi descrito, nos anos 70, como uma das obras prefeitas para se introduzir um marciano ao rock and roll. Tem rock pesado, tem jazz, tem blues e músicos fenomenais. Só que pouca gente imagina que as fissuras internas já eram grandes e preocupantes.
“As divergências com Ritchie [Blackmore] estavam aumentando e o clima às vezes ficava tenso”, disse Gillan, de forma elegante, em uma entrevista à revista Classic Rock no começo dos anos 2000. “O que faz ‘Machine Head’ ter a força que tem é a alta criatividade combinada com o trabalho conjunto dos cinco músicos. Ritchie queria que suas ideias prevalecessem depois do lançamento,”
Pouco mais de um ano após a mágica turnê pelo Japão, Gillan e Roger Glover saíram depois de muita briga. Os dois dizem que saíram porque não aguentavam mais o clima ruim. Blackmore, à época, diz que o demitiu por desinteresse deles com a banda. – Glover estava acumulando a função de músico e produtor de várias bandas, como o Nazareth.

O fato é que o último disco de estúdio com aquela formação, na época, demonstrava que algo estava diferente. “Who Do We Think We Are”, de 1973, pareceu protocolar, sem a mesma pegada de “Machine Head”, sem a mesma inspiração. “Woman FromTokyo” era o hit, mas não tinha a força das canções anteriores;
David Coverdale (vocais) e Glenn Hughes (vocais e baixo) foram os substitutos e ajudaram decisivamente a banda a mudar o direcionamento musical, abraçando outros gêneros, como o rhythm and blues e a soul music.
“Burn” e “Stormbringer” foram dois álbuns maravilhosos, mas Blackmore se cansou e queria voltar ao rock pesado mais baseado no blues. Só que dessa vez não teve força para impor a sua vontade. Sem apoio de Lord e Paice, siu em 1975 para formar o Rainbow.
‘Nova’ banda
Hughes e Coverdale assumiram a liderança e a banda ficou mais versátil e diversificada, mas saem o peso de antes. O instável guitarrista americano Tommy Bolan entrou e reforçou o direcionamento mais funky e o álbum “Come Taste the Band” mostrou uma banda mais versátil que agregava um público diferente.
Só que ao vivo as performances eram criticadas pelas oscilações e irregulares atuações de todos, mas principalmente de Bolin e Hughes, afundados no vício em drogas e álcool; O Deep Purple acabou no começo de 1976 e Bolin morreria no final daquele ano em razão do abuso de drogas.
Foram oito anos de hiato até que a formação número 2, aquela que gravou “Machine Head” e “Made in Japan”, topasse se reunir para gravar e lançar “Perfect Strangers” em 1984. Com muitas mudanças de formação, o Deep Purple resiste ayé hoje,. aos 58 anos de existência.