Quando o movimento neoprogressivo inglês capitaneado pelo Marillion despontou, em 1983, o rock progressivo estava enterrado nos Estados Unidos. Ninguém queria saber de suítes ou associações com música erudita. Era a época de ouro do hard rock e do heavy metal.
Foram necessários de anos para que alguns visionários remassem contra a maré e reativassem o gosto pela modalidade, em movimento em solo americano liderado pro duas bandas: Glass Hammer e Spocl’s Beard, que recuperaram as principais características progressivas das bandas europeias dos anos 70.
Criado pelos irmãos Neal (vocal, guitarra e teclados) e Alan Morse (guitarra) na Califórnia com a ajuda do amigo Nick D’Virgilio (vocais, vateria e guitarra) , o Spock’s Beard ultrapassa 35 anos de existência antenado com as novidades e inserido no que á de mais moderno no som progressivo a atualidade, ao lado de gigantes como o sueco Flower Kings, o alemão RPWL e o polonês Riverside.
Neal Morse de D’Virgilio partiram para a carreira solo e os desfalques fora sentidos, nas o quinteto seguiu em frente e acaba de soltar mais um álbum, “The Archaeoptimist”, eu chega sete anos depois do ótimo “Noise Floor”. E é ainda melhor.
A faixa de abertura, “Invisible”, começa com um trecho dramático de 25 segundos a cappella, com uma série de vozes cantando “olá aí fora, vocês conseguem me ver… Espero que não seja verdade, mas sinto que posso estar ficando invisível”.
Foi o primeiro single e surpreendentemente entrou em diversas listas de mais ouvidas de rock no streaming no mês de outubro. Seu cento pop teve grande contribuição para o bom resultado.
A faixa-título resgata as características que a banda sempre ostentou nos anos 90, com um som baseado na obra de Yes e Genesis. São mais de 20 minutos de variações e suítes que formam uma verdadeira trilha sonora de um filme vibrante e denso.
Tudo bem que o Spock’s Beard repita a dose com ainda mais pirotecnia vocal em “Afourthoughts”. Como já deveríamos saber depois de 33 anos e, agora, 14 álbuns, é difícil prever o que eles farão no próximo minuto, quanto mais ao longo de um álbum inteiro.
Alguns elementos básicos permanecem em seu primeiro álbum desde “Noise Floor”, de 2018. Os californianos ainda são tão complexos quanto o Yes – principalmente na era “Going for the One”, de 1978, curiosamente – e espalham harmonias como um rastilho de pólvora. Os maiores destaques são Alan Morse o vocalista Ted Leonard.

Trabalho autobiográfico
Neal Morse, por sua vez, uma usina de criatividade e workaholic total. Coloca mais um álbum na praça. “Neber Been Down the Road” é um treabalho autobiográfico e narra a sua trajetória desd que fundou o Spock’s Beard e a saída do grupo, em 2002, depois de se converter ao cristianismo.
Sincero e confessional, é o terceiro álbum desde 2024 e o terceiro seguido longe da pregação religiosa ou de cunho reflexivo. São mais de 30 trabalhos autorais desde 2002 quase sempre de rock progressivo.
“Never Been Down the Road” é um álbum ótimo, menos progressivo e mais rock and roll beirando o pop, com arranjos belíssimos de piano e violão, A faixa-título é um primor de dramaticidade, com uma letra cáustica e dilacerante. Entretanto, a melhor canção é a confessional “Leaving California”, quando narrou todos os seus dilemas ao abandonar o mundo em que vivia.
Aos 65 anos, Morse está pisando fundo no acelerador. O trabalho solo, mais voltado para temas religiosos, e a Neal Morse Band, mais filosófica, estão de molho, mas ele está envolvido em três projetos – a fase solo fora da religião, a colaboração com a banda The Resonance e a participação como integrante da banda de rock progressivo Cosmic Cathedral.
Com a banda Neal Mors and The Resonance ele lançou uma das melhores músicas do ano passado, “All the Rage”, uma pérola de rock and roll; com a Cosmic Cathedral, canta e toa teclado na maravilhosa “Deep Water
Homenagem ao Genesis
No ano em que a obra máxima da banda inglesa Genesis , “The LambLies Down on Broadway”, completa 50 anos, uma ótima homenagem retorna às lojas. Em uma tarefa complicadíssima, o baterista e cantor Nick D’Virgilio reedita o clássico álbum com a sua versão – a sua original é de 2008.
A versão de D’Virgilio foi remixada e remasterizada, com novas partes gravadas com a presença do ex-guitarrista do Genesis, Steve Hackett, e cordas gravadas nos icônicos estúdios Abbey Road, em Londres.
Abordar um álbum conceitual lendário do rock progressivo é uma proposta arriscada, especialmente quando uma remasterização recente refocalizou os holofotes no original.
Nick D’Virgilio está mais bem preparado do que a maioria para reinterpretar o clássico do Genesis, “The Lamb Lies Down on Broadway” (1975).

Ex-membro da banda de prog rock contemporânea Spock’s Beard (saiu em 2011), e talvez ainda mais importante, D’Virgilio tocou bateria em quatro faixas do subestimado álbum pós-Phil Collins do Genesis, “Calling All Stations” (1997).
Com essa conexão, e em colaboração com o produtor de Nashville, Mark Hornsby — que
já trabalhou com artistas como Jon Anderson, do Yes, e Neil Peart, do Rush — “Rewiring Genesis’ Tribute to the Lamb Lies Down on Broadway” começa em uma posição vantajosa.
A instrumentação deixa claro que esta não é uma interpretação literal da jornada oblíqua de Rael, das ruas de Nova York à Colônia dos Homens-Slip e além.
É bem diferente encontrar um quarteto de cordas e uma seção de metais na lista de músicos, mas é ainda mais perturbador não encontrar nenhum dos teclados que tanto definiram o original: órgão, mellotron e sintetizador.
Uma maior ênfase nas harmonias vocais e a substituição de sintetizadores e teclados por acordeão, trompetes, saxofones e cordas podem tornar esta uma experiência muito mais acústica, mas a reverência aos arranjos do Genesis permanece intacta, mesmo que D’Virgilio, Hornsby e o arranjador de metais/cordas John Hinchey tomem liberdades consideráveis e imaginativas com o material original.