Jota Quest: rock corporativo como símbolo da classe media conservadora

Jota Quest (foto? divulgação)

O rock corporativo tem a sua correspondência no Brasil – seria abanda mineira Jota Quest, segundo uma análise político-cultural realizada pelo youtuber Filipe Boni, que já enfureceu ao mostrar uma curiosidade estranha que é o fato de existir o “roqueiro reacionário ou de direita”, algo contraditório em si.

Aqui neste Combate Rock apontamos como o U2 passou de banda engajada e ativista para uma corporação anódina e insípida, que se tornou exemplo de rock corporativo, um conjunto que perdeu relevância por conta de seu material autoral fraco deste século, perdendo a relevância.

Em longo vídeo, Filipe Boni faz uma análise filosófica e sociológica do Jota Quest, que a “xará” sonora da classe média conservadora, em uma proximidade desagradável com o mundo podre da música sertaneja e do pagode mauicinho.

A argumentação é sólida, mas há exageros, especialmente quando Boni atribui a “cooptação” da banda como uma estratégia de mercado e se tornando representante de um mundo apolítico e distante de qualquer polêmica, o que não deixa de ser verdade.

É particularmente interessante a associação das letras isentonas e inofensivas com discursos religiosos próximos da Teoria d Prosperidade, despidas de qualquer tipo de contestação ou questionamento, agradando a todos os lados e sem o menor perigo de chocar ou causar desconforto, em um padrão perfeitamente palatável para um público conservador ansioso por estabilidade e longe de turbulências.

O youtuber também aborda o que considera uma “apropriação cultural” da estética da música negra a – funk. reggae e rhythm nd blues – para criar uma versão artificial embranquecida de um groove que é característico de um mundo sofrido e que cuja música tem origem na contestação, na luta pela liberdade e contra a desigualdade social.

Com letras vagamente positivas e de autoajuda, sem cutucar nada e nem ninguém,

Jota Quest é a personificação da adesão ao sistema que perpetua todos os problemas socioeconômicos do Brasil – e ainda conta com a produção do produtor Liminha, que atuou para desidratar o som e torna-lo ainda mais palatável e sem resquício de incômodo, limpo e perfeito demais,

O vídeo pode ser acessado abaixo e não contém o posicionamento da banda. O Combate Rock pediu uma posição aos empresários e assessores do Jota Quest, mas até agora não obteve resposta. O autor deste texto considera muitos dos argumentos pertinentes, mas vê exageros ao perceber que Boni dá a entender que uma maquinação para se tornar o que se tornou, abraçando de caso pensado a “estética ideológica do conservadorismo da classe média

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