O mito da banda de um homem só sempre teve força no rock desde os seu primórdios e chegou a ser tema de música do cantor inglês Roger Daltrey, de The Who, que gravou “One Man Band” em seu primeiro disco solo. Nos anos 80, o conceito ganhou mais força com muita gente se escondendo em nome de bandas para mascarar eventuais álbuns solo.
The Durutti Column foi um projeto do tipo que ganhou muito prestígio nos anos 80 fazendo um som alternativo e experimental. Nunc foi campeão de vendas, mas o som elaborado transformou seu mentor, o multi-instrumentista inglês Vini Reilly, em cultuado artista em vários ambientes.
O próprio nome foi considerado uma esquisitice – mas que denunciava o posicionamento político de esquerda de Reilly: a coluna Durrutti foi um regimento que combateu os fascistas na Guerra Civil Espanhola formado por combatentes voluntários estrangeiros. A guerra durou de 1936 a 1939e foi u ensaio para a II Guerra Mundial.
Alguns dos trabalhos de Durrutti Column estão sendo relançados com canções reformatadas, remixadas e remasterizadas. Faz parte das celebrações os 45 anos de lançamento das principais obras da banda. Muitas das músicas foram masterizada a partir das fitas originais pela primeira vez, esta edição inclui o álbum original, faixas bônus, demos caseiras e de estúdio (de 1978 a 1980) e gravações ao vivo antigas.
O álbum de estreia do The Durutti Column não tem uma história de origem auspiciosa. A banda que lhe deu nome havia se separado de forma conflituosa pouco antes da gravação.
Seu guitarrista, Vini Reilly, estava tão debilitado pela depressão que era praticamente incapaz de sair de casa: 12 tentativas diferentes foram feitas para interná-lo ao longo de 1979.
Acreditando que Reilly “iria morrer”, o chefe da Factory Records, Tony Wilson, interveio, comprando-lhe uma guitarra nova e sugerindo que ele visitasse um estúdio com o produtor visionário, porém problemático, da gravadora, Martin Hannett, como “um experimento”.
As sessões foram um desastre. Hannett ignorou Reilly em favor de mexer em uma vasta quantidade de equipamentos eletrônicos de ponta que havia trazido consigo. Reilly tocou algo na guitarra de forma intermitente, mas acabou saindo furioso, dizendo: “Estou farto disso”. Ele não voltou.
Sem saber que estava gravando um álbum, Reilly ficou “mortificado” quando Hannett lhe entregou o produto final e “detestou completamente” o que ouviu. O único ponto positivo, em sua opinião, era a sensação de que jamais alcançaria um público maior. A música de “The Return of the Durutti Column”, de 1980, não tinha nenhuma relação com o pós-punk pragmático que a formação original da banda havia produzido para a coletânea “A Factory Sample”, lançada pela mesma gravadora no ano anterior.
Buscando comparações, a imprensa musical associou o álbum ao jazz atmosférico da gravadora alemã ECM e o estilo de guitarra de Reilly ao de Mike Oldfield e Jerry Garcia, do Grateful Dead – nenhum dos dois com grande prestígio no mundo pós-punk de 1980. Até mesmo uma crítica positiva na NME sugeriu que os ouvintes considerariam “The Return of the Durutti Column”55 “devaneios hippies”.
Para uma música que poderia parecer tão frágil quanto o homem que a criou – um crítico comparou o som das linhas de guitarra habilidosas de Reilly, transformadas em intrincadas estruturas pelo uso do eco, a “geada em um vidro” – o som do Durutti Column provou ser surpreendentemente robusto. A banda apareceu nas trilhas sonoras de The Bear e do videogame Grand Theft Auto, e foi aclamada por artistas como Red Hot Chili Peppers e Frank Ocean. Uma interpolação de sua faixa de 1998, Sing to Me, conferiu uma melancolia tipicamente inglesa ao maravilhoso single recente do Blood Orange, The Field.
Ouvindo “The Return of the Durutti Column” hoje, sua longevidade e influência são fáceis de entender. O que pesou contra ele em 1980 foi seu distanciamento de tudo o que acontecia na época. Trata-se de uma música bastante original, alternativa e sofisticada, em alguns momentos.
Amado por fãs de jazz e cultuados por roqueiros esquisitos e amantes de bandas de college rádios, Vini Reilly virou referência de música alternativa para pelos duas gerações de compositores europeus,