Língua de Trapo celebra o aniversário de São Paulo na Penha

Língua, e Trapo (Foto: divulgação)

Nelson de Souza Lima – especial para o Combate RockLíngua de Trapo na Penha!!!! Queridas conchetas, conchetos e, para agradar os adeptos da linguagem neutra, conchetes. Estou a “escrevere” para te “dizere” que muito antes de Brasílias Amarelas e Robocops Gays um gigante dominou a Deboche Music. Num período jurássico, há mais de quarenta anos, surgiu o “Linguanossauros Di Trapinienses” cujas letras com veia debochada, irônica, escrachada e, acima de tudo, inteligente, documentavam as mudanças que rolavam no Brasil oitentista.

O Língua De Trapo se formou efetivamente em 1980. Fizeram parte da “Vanguarda Paulista”, movimento que teve seu auge entre 1979 e 1985, revelando tanta gente talentosa como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Suzana Salles, Tetê Espíndola e Premeditando o Breque. Esse “rótulo” agradou uns e desagradou outros. Mas faz parte do processo.

Enfim, o combo paulistano não se atinha a determinado gênero, podendo ir do rock ao xote, do chorinho ao samba-enredo, da música infantil aos arranjos eruditos. O que importava mesmo eram os versos irreverentes, que soavam engraçados, levando às gargalhadas, porém botando o povão pra pensar. Afinal estamos falando dos últimos anos do terrível regime militar, que tão mal fez ao país. O álbum homônimo lançado em 1982 marcou o início da trajetória discográfica do LDT, trazendo, entre outras, “Burrice Precoce” e “Xingu Disco”.

Um exemplo bem-acabado dessa irreverência de protesto pode ser vista em “Os Donos do Mundo”, do disco “Como é Bom Ser Punk”, de 1985. A animação dos arranjos infantis poderiam muito bem ser abertura de programas comandados por loiras acéfalas da época. Entretanto as críticas à política e sociedade questionavam a inocência infantil e falta de liberdade. O refrão delicioso dizia: “Criança não é imbecil, criança não é fantoche”/”Balão é o cacete, nós queremos é dinheiro”. Excelente retrato da frustração dos anos 80, mostrando o contraste entre a pureza sonhada com um futuro sombrio e a falta de verdade e liberdade.

Naturalmente os militares ficaram incomodados com tamanha provocação, censurando canções do grupo, entre elas, “Como É Bom Ser Punk” e “Amor à Vista”, além de restringir a venda dos discos a maiores de 18 anos. Apesar dos perrengues o Língua atravessou décadas, gravando e se apresentando em grandes eventos. Em 1985, aquele mesmo vencido por Tetê Espíndola com “Escrito nas Estrelas”, o grupo participou interpretando “Os Metaleiros Também Amam” (Ayrton Mugnaini Jr./Carlos Melo) que chegou até a final e que deu aos caras a honra de ser a música mais vaiada pelo público.

Outra honraria, essa do bem, veio com “O último CD da Terra”, de 2016, mais recente disco dos caras, que recebeu três indicações ao Grammy Latino. Atualmente as fileiras trapianas são integradas por Laert Sarrumor (voz); Sérgio Gama (voz, violão, guitarra), Zé Miletto (teclados), Valmir Valentim (bateria), Cacá Lima (baixo e vocal) e Marcos Arthur (percussão).

No Centro Cultural Penha, zona leste de São Paulo, o sexteto faz apresentação única integrando as comemorações de 472 anos da capital. Marcando as quatro décadas e meia os caras sobem ao palco do CCP tocando na íntegra o repertório dos dois primeiros álbuns, os já citados, “Língua de Trapo” e “Como é Bom Ser Punk” (1985).

Prepare-se para hits atemporais como “Xingu Disco”, “Concheta”, “Régui Espiritual”, “Xote Bandeiroso”, “Tragédia Afrodisíaca”, “O Que é Isso, Companheiro?”, “Quem Ama Não Mata”, “Vampiro S.A” e “Burrice Precoce”.

SERVIÇO

Língua de Trapo

Dia 25 de janeiro – 19 horas

Comemorando 472 anos de São Paulo

Grátis

60 minutos

Retirar ingressos uma hora antes na bilheteria

Centro Cultural Penha

Classificação: 10 anos

Largo do Rosário, 20

A dez minutos de caminhada da Estação Penha do Metrô – Linha 3 Vermelha

Inf: @ccpenha

Compartilhe...