As novas aventuras interestelares de Jaéder Menossi

A viagem espacial recomeçou, com a nave decolando de forma definitiva. A experiência interestelar do guitarrista paulista Jaéder Menossi percorre novos caminhos e agrega coisas diferentes ao planejar redescobrir o planeta Plutão, o o último de nosso sistema planetário. 

“Rediscovering Pluto” é o segundo trabalho solo do músico apaixonado pelo espaço sideral e pela Via Láctea. Habilidoso com o instrumento, construiu mais uma vez uma obra que dialoga bem com a realidade e que faz boas analogias entre a vida cotidiana e a exploração do mundo cósmico. A ficção científica, às vezes, expressa muito a melhor a realidade do que gostaríamos.

“Esse trabalho vai além do meu disco de estreia e agrega mais elementos sonoros e líricos”, diz o guitarrista em conversa com o Combate Rock. “Creio que consegui aliar os temas relativos aos planetas a uma série de sentimentos da atualidade. Dessa vez apenas uma canção é instrumental.”

Ex-guitarrista da banda de hard rock Javali/Pop Javali, Menossi é considerado um estilista w e reconhecido como um craque do instrumento, com uma passagem pela banda Busic depois do primeiro final do trio Dr. Sin. “Ele toca muito bem e tem uma versatilidade muito difícil de encontrar”, comentou certa vez o Andria Busic, baixista, cantor e produtor que fundou o Dr. Sin ao lado do irmão, Ivan, que é baterista.

O encerramento da Javali coincidiu com a criação do Jaéder Menossi Interstellar Experience,que unia hard rock, heavy metal e uma paixão por astronomia e ficção científica.

O primeiro álbum, autointitulado, de 2021, superou as expectativas em plena pandemia de covid-19. Solos precisos e riffs criativos dominam as canções parte orientadas para a própria guitarra, parte para a melodia elegante e diferente.

“Rediscovering Pluto” é, de certa forma, uma sequência lógica do primeiro álbum, mas desta vez a canção ganha proeminência e se torna a prioridade. “É um trabalho mais orgânico, mais descontraído, mas também bem mais trabalhado. Foi bastante minucioso.”

Nesse disco, Jaeder gravou guitarra, baixo e bateria programada, e o vocal ficou por conta de Jere Nery. A capa foi autoria de João Duarte. O disco foi gravado no estúdio V.M.S., em Santa Bárbara D’Oeste, produzido por Fábio “Pelúcio” Mendes e do próprio Jaeder.

Com exceção da faixa de abertura “9 1/2 Years” Later, que é instrumental, o resto são todas cantadas. O disco é conceitual, baseado na expedição New Horizon, da NASA, que investiga o planeta Plutão, que foi rebaixado no Sistema Solar, como planeta anão. Plutão é narrado em primeira pessoa, contando suas angústias e sentimentos. E também agradece aos cientistas por “ouvirem” o planeta.

“O tema é amplo e me permite expandir as ideias sobre o espaço”, diz Menossi. “O som é claro é límpido e serve para realçar a força das melodias. Para mim, a exploração sonora do rock é infinita, exatamente como a exploração espacial.”

Para o músico, abordar Plutão como “personagem principal fazia todo o sentido depois que Netuno teve sua “trajetória” enfocado no disco anterior – ele propôs uma viagem de 90 dias para o planeta Netuno, com o intuito de um “autorresgate”, segundo suas próprias palavras.

Seja qual for a metáfora, Plutão representa uma série de desafios que vão além da própria vida. Como lidar com as desconfianças e, para ir além, conseguir superar desafios diversos?

Os timbres de guitarra escolhidos por Menossi ajudam a explicar o a ambiência que simula, em parte, o clima espacial, uma influência direta de instrumentistas que também olhavam para p espaço infinito – gemente como Jimi Hendrix, David Gilmour (Pink Floyd), Steve Rothery (Marillion), John McLaughlin…

Novo mundos

Entre as inspirações do artista estão a já mencionada indignação do artista com a reclassificação de Plutão como planeta anão em 2006 pela União Astronômica Internacional e a redenção proporcionada pela missão New Horizons da NASA, lançada em 19 de janeiro de 2006 – e que realizou o primeiro sobrevoo próximo do planeta anão em 14 de julho de 2015, após nove anos e meio de viagem.

Liderada pelo astrofísico Alan Stern, com contribuições de Hal Weaver, Ralph McNutt e Alice Bowman, a sonda revelou um mundo inesperadamente ativo, com montanhas de gelo, vales profundos, atmosfera fina de nitrogênio, possíveis criovulcões e cinco luas, incluindo a maior, Caronte.

A missão também explorou o Cinturão de Kuiper, identificando objetos como o asteroide Arrokoth em 2019, reabilitando a importância científica de Plutão e inspirando Menossi a dar “voz” ao planeta anão em primeira pessoa, em paralelos com emoções humanas como o amor platônico, etéreo e não correspondido.

Reabilitar e dar voz a um “injustiçado” como Plutão se tornou um exercício prazeroso de observar a vida por outros prismas. Jaéder Menossi é um desses artistas diferentes que conseguem olhar outras possibilidades e transformá-las em sons instigantes. Qual será a próxima etapa da viagem interplanetária de Jaéder Menossi Interstellar Experience?

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