Isa Roddy ‘exorciza’ passagem pela Dogma e dá movo impulso à carreira

Isa Roddy (Fotos: Martin Kiesewetter/divulgação)


A tranquilidade contrasta com firmeza das declarações. o que só realça a coragem da moça brasileira em marcar a sua posição no até então inóspito mercado musical europeu. Ela queria colher os bons frutos de seus trabalhos vocais e de sua participação no program “The Voice” da Alemanha, mas não teve receio em enfrentar fantasmas do passado e, contar a sua versão e buscar reparação depois de contratos desrespeitados.

A determinação de Isa Roddy foi fundamental par ue superasse os problemas que teve quando participou do projeto da banda feminina Dogma e é a sua principal característica na tomada de decisões que a colocaram em ótima posição para iniciar a sua carreira solo internacional em 2026.

O primeiro teste veio com sua versão para “Changes”, do Black sabbath, seu primeiro single e a amostra inicial do que deverá ser sua trajetória profissional. “Já tenho material para trabalhar no meu primeiro álbum, bastante coisa autoral com diversas influências”, contou ela em conversa com o Combate Rock direto de Nuremberg. na Alemanha, onde mora.

“Changes” na sua versão ganhou novos contornos com os arranjos sinfônicos e novos fraseados de piano, Mas é a sua interpretação particular que quase deu nova forma à canção. a versão ficou muito boa, com personalidade e coragem para fazer algumas coisas diferentes uma canção tão sincônica e difícil de se inovar.

Preparo é o que não falta para essa cantor paranaense apaixonada por rock e heavy metal desde que os pais lhe apresentaram os clássicos undo era muito criança. Destinada a ser artista, passou por todos os palcos da cidade natal, Ponta Grossa, até seguir para cantar metal em várias bandas de Curitiba.

Atenta e muito bem informada, estudou o mundo do rock em ternos de negócios e percebeu que a Alemanha era o mais provável destino para ser bem-sucedida no heavy metal. Aprendeu o idioma e chegou ao país com um nível invejável de informação.

Isa Roddy caracterizada como Lilith, integrante da banda Dogma (Foto: divulgação/acervo pessoal)


“A imersão na vida e no cotidiano alemão foram fundamentais para uma adaptação mais fácil”, diz a cantora. “Esse tipo de dedicação faz toda a diferença para enfrentar um mercado profissional e competitivo na Europa.”

Com vantagens competitivas, além de uma voz e interpretações excelentes, foi selecionada para iniciar o projeto Dogma, uma banda de rock feminina em que as musicistas não teriam suas identidades reveladas e seriam caracterizadas como “freiras sensuais”.

“A minha voz está nos primeiros singles e a maquiagem tem como molde o meu rosto. Tenho participação relevante na criação do conceito desde o início”, afirma Isa Roddy, qu foi elogiano “The Voice” alemão ao cantar a canção “Barracuda, do grupo americano Heart,

Divergências artísticas e administrativas fizeram com que Isa decidisse sair bem no começo e não chegasse a faze turnês e gravar álbuns. Por questões contratuais, não poderia revelar sua participação na Dogma e nem dar qualquer informação – nem mesmo sobre a nacionalidade de origem do projeto.

Esse contrato a impede de dr mais detalhes sobre os motivos de sua saída. Como ela está acionando acionando judicialmente os administradores da banda, prefere se resguardar nesta contenda. Entretanto, orientada por advogados, entendeu que era hora de mostrar o rosto e revelar que era ex-integrante da Dogma.

“Quando as três integrantes saíram da Dogma em 2025 e contaram publicamente alguns detalhes dos problemas em torno da banda, decidi me juntar a essa situação para mostrar que não foram casos isolados”, explica a canora.

Ela nõ teme que a exposição no caso Dogma tenha repercussão negativa na continuidade de sua carreira. “Aco que vai reforçar a imagem de profissionalismo que construí na Europa e as manifestações de respeito que tive foram muitas.

Ex-aluna de Amanda Someville (canora americana radicada na Holanda, com trabalhos ao lado de Angra e Michael Kiske, do Helloween) e Ralf Scheepers (vocalista do Primal Fear), Isa Roddy vai direcionar seu trabalho para um metal mais moderno com influência do metal tradicional.

Como influências cita a banda ucraniana Jinjer e bandas holandesas com mulheres nos vocais – admiração que a faze procurar Amanda Somerville, que deu aulas ou consultorias a várias delas neste século.

A versatilidade de sua voz permite que ela tenha sonos mais altos, como gravar canções em inglês, português e alemão em um mesmo trabalho. “É possível por conta diversidade de influências e da minha experiência cantando. A variedade de estilos e possibilidades me interessa bastante.”

Profissional multimídia

Mais do que uma releitura musical, Changes ganha uma nova camada de significado nas mãos de Isa Roddy. A artista transforma a canção em um relato profundamente pessoal, usando a música como espelho de um momento decisivo de sua vida: o de transição, amadurecimento e despedida de versões passadas de si mesma.

A produção vocal e visual foi assinada pela própria Isa Roddy, com arranjos desenvolvidos em parceria com Martin Kiese, responsável também pela produção audiovisual. O resultado é uma obra sensível, honesta e madura, que dialoga com o público a partir de experiências universais como crescimento, perda e reinvenção.

“Eu escolhi criar a minha própria versão de Changes por causa do significado profundo que essa música passou a ter no momento de mudanças que estou vivendo. A letra original fala sobre o fim de um relacionamento, mas, ao fazer uma simples alteração, de ‘she was my woman’ para ‘she was my young one’, eu ressignifiquei completamente a canção”, explica Isa.

“Essa versão conta sobre uma fase de transição em que precisei deixar para trás a minha versão mais jovem, mais inocente. É sobre aceitar que existe uma parte de nós que não volta mais: aquela que enxergava a vida de forma ingênua. Não se trata de abandonar a criança interior, que acredito ser essencial preservar, mas de entender que a menina ficou no passado para que a mulher pudesse surgir”, adiciona.

Para finalizar, a cantora brasileira se apoia um pouco na filosofia para dar maior impulso à carreira: “A vida é feita de fases, e cada uma delas nos transforma. Ou nos tornamos pessoas melhores, ou nos endurecemos. No meu caso, a menina que muitos conheceram já não existe mais. Agora, permito que a mulher que eu sou transcenda, sem medo, sem desculpas e sem pedir permissão”, conclui a artista.

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