O delicado equilíbrio entre exuberância e simplicidade no blues brit^nico

Fazia tempo ue o blues britânico não vivia uma fase tão interessante em termos de lançamentos de álbuns inéditos, seja pela qualidade, seja pela variedade de estilos. A encurrada de bons trabalhos fz relembrar um movimento forte os anos de 2010, que revelaram Mitch Laddie Band, Virgil and the Accelerators, Simon McBride, The Brew e outros nomes influentes.

Desde o o fim da pandemia de covid-19 vem se destacando no Reino Unido pela produção de qualidade e de modo prolífico – Laurence Jones, Danny Bryant e Joanne Shaw Taylor, todos guitarristas e canores veteranos, todos com, longas discografias e amplo reconhecimento na Europa.

O trabalho mais surpreendente é o de Laurence Jones, um menino prodígio que sempre se equilibrou entre o blues e a soul music. Desta vez,. em “On My Own”, ele voltou às origens 6com um, violão e fez um disco acústico que exala sutileza e delicadeza em temas que têm óbvias influências autobiográficas,

Desde que Jones iniciou sua jornada na vida aos oito anos de idade como um prodígio do violão clássico, este álbum retorna a esse modo solitário. Foi escrito no último Natal, enquanto sofria com uma crise da doença de Crohn, com a maioria das letras e títulos das músicas, como “One Life”, “Life I Made”, “Change My Ways” e a faixa-título, refletindo sobre sua situação, mas seguindo em frente apesar, ou mais provavelmente por causa, de seus problemas de saúde.

Musicalmente, Jones busca ecos marcantes do blues do Delta. Ele usa técnicas de slide influenciadas por Muddy Waters e outros que encontraram suas vozes instrumentais nas dificuldades da vida no Sul dos Estados Unidos como fundamentos que sustentam e articulam sua música.

Ele replica essa experiência, envolvendo-a em seus desafios médicos e, em alguns casos, em seus relacionamentos, expressos nessas onze composições originais. “Aprendi com meus erros”, lamenta ele em “Life I Made”, acompanhado apenas por seus acordes pulsantes, batidas de pé e palmas.

Em “Change My Ways”, ele diz: “É hora de eu seguir em frente/Amanhã é outro dia”, acelerando o ritmo enquanto se mantém no estilo Delta de acordes e refrões repetidos, finalizando com um esperançoso “A mudança está chegando”.

A temática muda para envolvimentos românticos, e seus aspectos despedaçados, em “Do You Feel the Same”. Aqui, ele tenta convencer uma amada a voltar. Também incorpora totalmente a pegada de John Lee Hooker em “Middle of the Night”, acompanhando-se com vocais de apoio em uma canção sobre insônia (“Quando deito a cabeça/Não consigo dormir”).

As músicas são curtas — nenhuma ultrapassa quatro minutos, e cerca de metade não chega a três — criando dinamismo para um álbum que se mantém vivo e vibrante mesmo em seus momentos mais sombrios. Overdubs ocasionais reforçam e enriquecem a abordagem minimalista, mas são sutis e esparsos.

Blues moderno e quente

Desde que Joanne Shaw Taylor recapturou suas raízes com tanta eficácia em 2022 com “Blues from the Heart Live”, seus trabalhos em estúdio têm sido bastante varidos, uma ´pbvia influência do amricano Joe Bonamassa, que poduziu alguns e seus trabalhos.

Em seus esforços sinceros para expandir seu estilo, ela lançou um trabalho de estúdio pop e altamente polido intitulado “Nobody’s Fool”, preparando o terreno para o ótimo “Heavy Soul”, influenciado pelo R&B, um segundo trabalho com o produtor Kevin Shirley (que também supervisionou Wild, de 2016).

A voz rouca e potente, marcas registradas realçadas pelas produções mais limpas e despidas de floreios guitarrísicos, ficou mais evidente para deixar claro – el era uma cantora poderosa e e vibrante, com enorme potencial pop. Só que el sempre frisou que ra uma guitarristae que o instrumebto era uma extensão de seu crpo.

Em “Black & Gold”, a supervisão de Shirley (que já trabalhou com Iron Maiden, DreamTheter e Black Country Communion) resulta em um verniz brilhante que muitas vezes camufla a intimidade convidativa da qual a guitarrista/compositora mais se beneficia, em todos os sentidos. Em”All The Things I Said”, por exemplo, essa atmosfera prevalece, assim como no arranjo acústico/elétrico de “Hold of My Heart”, onde a voz rouca de Shaw Taylor se destaca

Se ela procurava o tom certo para empurrar á frente o seu blues moderno, ela encontrou em “Black &Gold”. A sua versatilidade fica evidente em solos econômicos, mas precisos, e em riffs estrategicamente executados sem excessos.

Para o crédito do engenheiro/músico australiano mencionado anteriormente, sua abordagem dá frutos com as camadas de guitarras que compõem “I Gotta Stop Letting You Let Me Down”: o slide guitar (do ex-Black Crowe Audley Freed?) se sobressai ainda mais na interação com as linhas de órgão que Jimmy Wallace cria. Essa sonoridade ruidosa também aparece com a distinção do piano deste último em “What Are You Gonna Do Now?”, que contrasta igualmente com faixas como “Summer Love”.

Ao final 46 minutos, surge a ideia de que os projetos de estúdio de Joanne Shaw Taylor se beneficiariam muito com a presença de toda a sua banda de turnê. Embora seja inegável a competência do núcleo da banda – o baterista Anton Fig (da banda do Letterman liderada por Paul Schaffer) e o guitarrista Doug Lancio (John Hiatt, Bob Dylan) – e a participação do cofundador da Journeyman Records, Joe Bonamassa, em duas faixas (“All The Things I Said” e “Who’s Gonna Love Me Now?”) seja um ponto positivo, a sincronia bem ensaiada dos seus companheiros de turnê poderia, sem dúvida, adicionar uma flexibilidade econômica à execução, incentivando assim uma improvisação mais ampla.

Blues pesado em outro formato

Danny Bryant sempre apreciou o adjetivo “estrondoso” em relação aos seus timbres, principalmente em álbuns de sucesso como “means to Escape”, de 2018. Ele adora timbres gordos e densos, daqueles que preenchem o o ambiente. Representa a mais pura mistura de blues rock inglês e americano.

“Nothing Left Behind”, o novo disco, ainda mantém a exuberância das guitarras estridentes, mas há momentos em que Bryant soa mais contido e direto. As canções estão mais próximas do blues americano , mas ainda preservam os elementos que indiquem muitas características do blues rock inglês.

O corpulento guitarrista privilegiou os arranjos mais tradicionais do gênero, deixando os timbres mais estrondosos e pesados em segundo plano. Entretanto, agora a potência dos acordes tem outro direcionamento mais voltado para a canção.

Não é que esteja mais ou menos visceral, ma o som está menos rock e mais blues, revelando uma nova faceta do artista. Passeando por outros caminhos, Bryant amplia a sua paleta de cores e oferece algo diferente deus timbres fortes e pesados de guitarra.

Em “Tougher Love, por exemplo, aproxima seu som ao de nomes como Robin Trower, pat Travers Walter Trout. mesclando blues moderno com o boogie tão apreciado na Inglaterra. “Swagger”, “Enemy Inside” e “Not Like the Ohers”. O som mais antigo parece na pesadona “Lover Like You”.

Não é o seu melhor trabalho, mas é bom o bastante para mantê-lo na primeira prateleira do blues britânico.

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