‘Roots’,. obra do Sepultura que mudou o metal, faz 30 anos

Marcelo Moreira

Com informações de textos de Flvio Leonel, do site Roque Reverso

Os rumores eram fortes: o Sepultura entraria definitivamente para a história com seu então próximo álbum, obra que mudaria os rumos d heavy metal mundial. E foi o que aconteceu: “Roots” espantou a todos com sua mistura de ritmos regionais, brasilidade e música muito pesada.

Em fevereiro de 1996, a banda brasileira atingia o auge e o topo do rock ao inovar e apontar os caminhos para o futuro, como se contagiado pelo movimento importante que explodia em Recife (PE), o mangue beat, capitaneado pela banda Nação Zumbi, de Chico Science. Sincronicidade e sincretismo eram as palavras de ordem.

Só os incrédulos e pessimistas se surpreenderam com a qualidade e o tamanho da ousadia de “Roots”. O Sepultura vinha de “Arise” e “Chaos A.D.”, que já eram clássicos imediatos do metal dos anos 90. Era o auge de um quarteto que acelerava e derrubava barreiras – a “periferia” do rock estava viva e ocupava. Finalmente, um, espaço relevante no mercado.

Quis o destino que o auge do Sepultura, com seu álbum mais emblemático, fosse o fim da era de ouro e que exacerbasse as tensões internas, que culminariam em dezembro de 1996, na implosão da formação clássica – o guitarrista e vocalista Max Cavalera saiu da banda porque os demais integrantes exigiram a demissão da empresária, Gloria, mulher de Max.

O Sepultura inaugurou uma nova fase no heavy metal com “Roots”, um disco que foi considerado o impulso principal e definitivo para o então nascente “nu metal”. Não há banda importante do subgênero que não cite os brasileiros como influência.

Até hoje especialistas e historiadores do rock se debruçam sobre a obra e tentam medir o tamanho do impacto de “Roots” sobre o heavy metal. A cada análise, o álbum cresce e fica ainda maio do que imaginávamos desde sempre. São inúmeras a dissertações de mestrado e teses de doutorado tendo o disco como tema, além de livros dissecando o trabalho máximo do Sepultuira.

A percepção de que “Roots” não é um álbum comum já começou pela belíssima capa do disco e como ela foi criada.

A imagem do rosto do índio nada mais é do que a reprodução de uma arte que fazia parte de uma nota de 1.000,00 cruzeiros. Elaborada e incrementada por Michael Whelan, a capa conseguiu sintetizar toda a ideia do disco com uma felicidade poucas vezes vista na história da música.

É bastante discutível dizer que o “Roots” é o melhor disco do Sepultura. Para os fãs de carteirinha da banda ou mesmo do thrash metal que o grupo ajudou a construir, há, por exemplo, os ótimos “Beneath The Remains”, “Arise” e “Chaos A.D.” para rivalizar.

“Beneath The Remains” foi praticamente um passaporte para a banda brasileira penetrar no cenário internacional do heavy metal. “Arise” traz o Sepultura com aquela fome dos grupos jovens querendo mostrar para o mundo que são os melhores do universo e colocou a banda no nível dos maiores do thrash metal.

“Chaos A.D.” é o disco que traz os músicos mais calejados e com vontade de experimentar e ditar novos rumos ao metal, com o detalhe que foi neste último que as inserções de sons brasileiros começaram a deixar os gringos mais ainda de boca aberta com as músicas.

Independentemente de ter mais ou menos clássicos que os três discos citados, “Roots” entra na lista de álbuns fundamentais do heavy metal justamente porque traz uma riqueza sonora incrível.

Do som cada vez mais grave vindo das guitarras de Max Cavalera e de Andreas Kisser até a produção grandiosa de Ross Robinson, passando pela mixagem de Andy Wallace e pela decisiva contribuição do baiano Carlinhos Brown com uma série de instrumentos (musicais ou não), tudo neste trabalho mostra sujeitos empenhados em fazer algo que fosse lembrado para sempre pelos seus seguidores. uma vertente do heavy metal (o nu metal) que se consolidaria anos depois. É um verdadeiro patrimônio nacional, tal qual o Sepultura, por trazer diversos elementos da cultura brasileira a um dos estilos musicais mais fechados e tradicionais do rock.

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