O Sepultura prometeu e cumpriu: antes de encerrar a carreira lançaria uma espécie de “balada” thrash metal, com toques progressivos. “The Place” foi lançada nesta semana com boas doses de fúria e rock progressivo, embora seu início cadenciado sugira que poderia ser uma balada pesada.
De certa forma, é uma canção que surpreende, por mais que alguns possam enxergar nela uma “sobra” de “Quadra”, o último álbum de inéditas lançado em 2020.
Por outro lado, quem esperava mais ousadia e algo ainda mais diferente terá de esperar as outras três músicas do EP derradeiro “The Cloud of Unknowing”, previsto para ser lançado em abril. É uma despedida digna e interessante, que só reforça a sensação de que o fim as atividades, após 42 anos, soa prematuro e até mesmo precipitado,
E dignidade nunca faltou à banda mesmo nas crises. É um vasto legado com 14 discos de ouro e apresentações em mais de 80 países, o Sepultura se destaca como o emissário incondicional do Brasil no cenário global e uma das bandas de metal mais influentes da atualidade.
“Essa música trata de imigrantes que vieram para um lugar em busca de refúgio e para começar uma nova vida. Uma vez assimilados por uma falsa sensação de segurança e propaganda implacável, eles começaram a agir contra o que odiavam em si mesmos. A transição começa a escapar do ódio próprio e da agressividade contra pessoas que acreditavam nas mesmas ideias. Sinto que a letra realmente acompanha as transições da música. Começando com decepção e chegando à raiva”, esclarece o vocalista Derrick Green.
Atualmente levando seu som pioneiro para públicos em todo o mundo na turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”, surgiu a pergunta: como o Sepultura deveria marcar o fim de uma jornada tão monumental? A resposta veio naturalmente: capturando um momento criativo final e preservando-o para a posteridade.
O resultado é o EP “The Cloud of Unknowing”, com lançamento previsto para 24 de abril, um dos lançamentos mais diversificados e emocionalmente ressonantes do Sepultura. Com quatro faixas, incluindo “The Place”, o EP serve como uma despedida agridoce, mostrando todo o espectro da criatividade da banda, refletindo tanto a ferocidade quanto a profundidade que definiram o legado do Sepultura.