Uma piada infantil nem tão engraçada que funcionou. E nada mais. Assim pode ser definida a trajetória da banda Mamonas Assassinas, que fez imenso sucesso entre 1995 e 1996 até desaparecer em um acidente aéreo na zona norte da cidade de São Paulo. Fez imenso sucesso, a ponto de ameaçar os recordes do RPM de dez ans ante, embora muita gente já cravasse que tinha prazo de validade.
Os 30 anos da morte de todos os integrantes, em março de 1996, já começaram a ser lembrados. A primeira e interessante iniciativa é a realização de um musical baseado na carreira dos cinco músicos de Guarulhos (SP). Após a escolha do elenco, os ensaios estão frenéticos para a estreia em breve.
O único CD lançado pelo grupo deverá ser novamente reeditado e um importante documentário relembra o sucesso meteórico do grupo – muito bem feito e com ótima pesquisa, aliás.
Inegavelmente um fenômeno popular, os Mamonas Assassinas eram bem diferentes de qualquer coisa existente no mercado dos anos 90, surgindo logo depois do chamado Mangue Beat, cena pop de Recife (PE) e de outro fenômeno, os Raimundos.
Desde o início apareceu uma questão que permanece até hoje: os Mamonas faziam música ou faziam humor? Ou seria um humor musicado? As piadas eram toscas, de nível ginasiano, que abusavam da escatologia infantil e dos preconceitos enraizados na sociedade brasileira. Ainda que houvesse certa maldade em algumas colocações, o trabalho era eril e quase inofensivo.
Como piada, funcionou bem, agradando crianças e adultos justamente pela bobeira que era – e os músicos revelaram um grande talento para o humor e transbordaram um carisma que nem eles sabiam que tinham.
Entretanto, musicalmente, a banda beirava a irrelevância, deliberada ou não. O foco sempre foram as piadas e o escracho, com a música servindo de mero apoio ou muleta para as performances – uma pena, já que quem conheceu a fundo o quinteto garante que ali também havia talento musical.
Ainda que tenha funcionado e os integrantes tenham demonstrado talento artístico para o humor, o fato é que os Mamonas Assassinas deixaram uma impressão de que a brincadeira tinha prazo de validade – e sem nunca se livrar do estigma de banda “montada” para fazer sucesso fácil, “artificial” e dependente dos humores de um mercado volátil..
O produtor Rick Bonadio, que se tornou mpresário da banda, sempre desmentiu o artificialismo, afirmando que ajudou na decisão de transformar o que era o Utopia em Mamonas Assassinas sem mexer na essência ou na formação do quinteto. Nas muitas entrevistas que deu, sempre realça o fato de que ajudou no redirecionamento da carreira e que se sente parte de tudo o que aconteceu de sucessp com a “cia”.
Os produtores do grupo conseguiram reunir vários clichês pop com competência, o que reforçou a impressão de “armação”, coisa que não influenciou em nada a trajetória meteórica e fulminante do quinteto.
É inegável que os músicos e seus produtores aproveitaram ao máximo uma oportunidade única na época, e cada vez mais rara no mundo do entretenimento. Reciclando ideias antigas e piadas quase sempre ruins, conseguiram produzir uma comédia pop palatável, ainda que infantilizada. A música foi importante para impulsionar o “projeto”, mas sempre esteve em segundo plano.
Os Mamonas Assassinas nunca passaram de uma piada até certo ponto engraçada, provavelmente com data de validade. E nada mais do que isso.Munca passaram de uma piada até certo ponto engraçada, provavelmente com data de validade. E nada mais do que isso.