O Angra precisava de um “hiato”, ainda que mínimo, para se livrar de seu vocalista italiano. Essa é a mensagem incômoda e desagradável que a banda brasileira de heavy metal passou ao anunciar, pouco mais de seis meses depois, o fim de seu “hiato nas atividades por tempo indeterminado”, chocando os fãs por prenunciar o fim do grupo.
O anúncio ocorreu em meados do ano passado, indicando que o Angra pararia por anos depois da bem-sucedida turnê do álbum, “Cycle of Pain”. Parecia que todos estavam exaustos e precisavam parar para engatar novos projetos.
Uma notícia ruim para um mercado que já tinha perdido Sepultura e Dr. Sin. Os integrantes pareciam resignados e conformados, menos o vocalista italiano Fabio Lione, indignado com a perspectiva de inatividade, Não demorou muito e antes do fim de 2025 ele anunciou a sua saída. Parece que o hiato foi feito na medida para que ele pedisse demissão.
Curiosamente, a saída do vocalista ocorreu na mesma semana em que o Angra anunciou o “último” show antes do hiato, um evento especial na edição de 2026 do Bamgers Open Air, em São Paulo. O Angra tocaria o álbum “Rebirth na íntegra com o ex-integrantes Kiko Loureiro (guitarra), Edu Falaschi (vocais) e Aquiles Priester (bateria), além de Lione como convidado especial” e apresentando Alírio Netto como futuro vocalista”.
Claro que o marketing funcionou e outro show semelhante foi marcado para abril de 2026 no Espaço Unimed, em São Paulo. E mais outras datas logos começaram a surgir. E o hiato foi abandonado, em pura jogada de marketing para chamar a atenção. Não precisava e não ficou bonito.
E, como reclamou Fabio Lione ao sair, o Angra continua olhando para o passado: anunciou ainda neste ano uma turnê para celebrar os 30 anos do maravilhoso álbum “Holy Land” , com Alírio Netto fazendo a sua estreia oficial {a frente do grupo. Havia o temos de que o baterista Bruno Valverde pudesse sair, já que mora em Los Angeles, na Califórnia, e toca também na banda Smith/Kotzen, de Richie Kotzen e Adriab Snith (guitarrista do Iron Maiden), mas ele está confirmado na formação.
Leia o comunicado pouco convincente da banda publicado nas redes sociais sobre o retorno:
“Algumas histórias não terminam.
Elas apenas esperam o momento certo para continuar sendo contadas.
Depois de um período de silêncio, reflexão, reencontros, reorganização e reconexão com nossas próprias origens, o Angra anuncia o fim do hiato e o retorno aos palcos no segundo semestre para celebrar um capítulo fundamental da nossa trajetória: o álbum Holy Land.
Quando Holy Land nasceu, em 1996, a ideia era ousada: contar a história do nascimento do Brasil através da música. Misturar heavy metal, orquestrações e ritmos brasileiros para falar de encontro de culturas, de identidade, de descoberta — não apenas de um território, mas de quem somos.
Quase três décadas depois, percebemos que essa história continua viva.
Nas canções. Nos palcos.
E principalmente nas pessoas que caminharam conosco durante todos esses anos.
Revisitar Holy Land agora não é apenas tocar um álbum clássico.
É voltar às raízes do Angra.
É reencontrar a força criativa que nos trouxe até aqui.
E é celebrar com os fãs que transformaram essa música em parte de suas próprias vidas.
O fim do hiato marca também um novo começo.
Voltamos com o mesmo espírito aventureiro que nos guiou desde o início: explorar, criar e conectar mundos através da música.
Essa turnê será mais do que uma comemoração.
Será uma travessia.
Uma celebração das nossas origens.
E um reencontro com todos que ajudaram a construir essa história.
A jornada continua.
Nos vemos na estrada.”