As novas histórias colaborativas de Jon Anderson, ex-vocalista do Yes

Espiritualizado, o cantor inglês Jon Anderson é uma pessoa do bem e com alma iluminada, mas não deve ter deixado de dar um leve sorriso quando soube, nesta semana, que o Yes cancelou todos os shows deste ano por causa de uma cirurgia de emergência do guitarrista Steve Howe, o chefão atual do grupo.

Desafetos desde os anos 80, os dois vivem se estranhando desse que Anderson foi demitido por ter ficado gravemente doente às vésperas da turnê de 40 anos da banda, em 2008. Desde então nunca houve um entendimento para que op cantor e também o tecladista Rick Wakeman voltassem ao Yes ao menos para alguns show de despedida.

Desde a morte do baixista Chris Squire, em 2015, que detinha os direitos do nome Yes, Howe segue levando a banda adiante com a juda do tecladista Geoff Downes – o baterista Alan White morreu em 2022.

As fofocas dão cnta de que Howe culá Anderson por ter ficado de fora da volta do Yes, em 1983, época em que a banda lançou o seu maior sucesso, o estrondoso “90125” – na época, o guitarrista estava em utro projeto de muito sucesso, o Asia.

Conformado de qu nunca mais cantará com o Yes, Jon Anderson se associou há alguns anos com a Band Geek, uma excelente banda britânica de rock progressivo, para dar continuidade a sua carreira solo, que rendeu o bom disco “True” e ao vivo “Perpetual Change” só com músicas do Yes.

Como artista solo, agora é a vez do álbum Survivor and the Other Stories”, um trabalho reflexivo e cheio reminiscências e nostalgia, mas que demonstram que o cantor de 81 ano está em plena forma. Com sua voz fina e aguda, costuma ser recriminado por amantes do rock clássico por seu estilo, contini sendo um dos maiores vocalistas de nosso tempo.  

Embora tecnicamente seja um álbum solo de Jon Anderson, na verdade é um trabalho colaborativo, com Anderson trabalhando ao lado de vários outros músicos que, juntos, compuseram as canções de Survival & Other Stories.

O álbum surgiu depois que Anderson publicou um anúncio em seu site convidando outros músicos a participarem, e, no fim, oito músicos diferentes de todo o mundo contribuíram, por meio do compartilhamento de arquivos pela internet, enviando amostras em MP3 enquanto Anderson tocava as músicas.

Não se sabe se isso aconteceu porque Anderson estava esgotado após superar uma doença debilitante, que quase o levou à morte, ou porque ele sentiu a necessida2de de uma nova inspiração.  

Seja qual for o motivo, “Survival & Other Stories” é um álbum predominantemente suave e acolhedor, apresentando uma mistura de folk, música acústica e new age, com sua crença na espiritualidade bem presente.

Essa mistura é exemplificada nas duas primeiras faixas. Em “New New World”, a percussão ao estilo do Burundi confere à faixa um toque africano, e poderia muito bem ser uma música do Yes. Já em “Understanding Truth”, Anderson se apresenta apenas com um violão, imerso em uma atmosfera espiritual. Sua voz singular sempre foi uma das mais reconhecíveis do rock progressivo e, embora haja pouco aqui que se aproxime do gênero, sua voz continua tão ressonante quanto no primeiro álbum do Yes, em 1969, um feito notável considerando que ele tinha 66 anos quando gravou este álbum.

Algumas das faixas de “Survival & Other Stories” são compostas apenas por músicas acústicas e/ou baseadas em piano, como “Effortlessly”, “Big Buddha Song” e “Love & Understanding”.

Há também faixas com acompanhamento orquestral, como a música de oito minutos “Incoming”, e até mesmo um toque de new age em “Sharpening The Sword”. Mas Anderson atinge seu ápice espiritual na encantadora “Just One Man”.

Alcançar um equilíbrio entre inserir espiritualidade explícita em uma peça musical e evitar a pregação é um ato delicado, mas Anderson fez uma tentativa convincente de alcançá-lo. Sua mensagem, o cuidado com a natureza e o amor pela vida, são transmitidos sem exageros, tornando “Survival & Other Stories” uma adição valiosa ao repertório solo de Anderson.

Satisfeito e de bem com a vida, o cantor prevê a realização de várias pequenas turnês ainda neste ano, mas sem antagonizar com a antiga banda. A última vez em que esteve em palco com Steve Howe foi na introdução do Yoes ao Rock and Roll Hall of Fame, em 2017, quando a banda 9tocou duas músicas.

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