Uma renovação do rocjk nacional: Peace Will Come, Tuerramystica, Maestrick…

De um lado, o rock brasileiro está desacelerando, com o fim do Sepultura, a paralisação do Dr. Sin e a indefinição do Angra. De outro, de forma lenta, há uma renovação com a chegada de bandas interessantes de  todos os segmentos, incluindo os mais recentes trabalhos de veteranos como Korzus, Kavla, Maestrick – para não00 r no sucesso nacional incontestável de Black Pantera e a internacionalização de bandas femininas como Nervosa, Crypta, The Damnnation, Malvada, Eskröta.

A recuperação do mercado roqueiro no mundo e, em especial, no Brasil, passa obrigatoriamente pela renovação dos sons e os nomes. Continuamos louvando Boogarins, O Terno, Electric Mob, Ego Kill Talent, Naimaculada, Papangu, The Mönic e outras.

Uma novidade do mercado reúne veteranos com larga rodagem. Se o Dr. Sin está imerso em indefinições, os irmãos fundadores, Andria (baixo e vocais) e Ivan Busic (bateria e vocais) decidiram colaborar com a banda de hard’n heavy Peace Will Come.

“Rock’N’Roll City” é um trabalho que consolida a banda como uma das vozes mais afiadas do hard rock nacional. Formado por Emerson Macedo, Andria Busic, Cesar Bottinha e Ivan Busic, o grupo entrega um álbum que une vigor técnico, maturidade estética e uma personalidade sonora cada vez mais evidente. É o tipo de lançamento que não só reafirma uma trajetória em construção, mas amplia o horizonte de quem acompanha o rock brasileiro em busca de autenticidade e renovação.
O projeto nasceu em circunstâncias improváveis, durante o isolamento de 2020, quando Emerson Macedo decidiu registrar composições que estavam se acumulando no caderno.

O que parecia um movimento pontual ganhou corpo com a entrada de Cesar Bottinha e Ivan Busic, que adicionaram peso, estrutura e um pulso que definiu a primeira fase da banda. O debut, “Peace Will Come”, chegou em 2021 como uma apresentação sólida de um projeto que ainda estava entendendo seu tamanho.

O álbum tem nove faixas autorais moldadas pela própria banda, reforçando a unidade estética do trabalho. Há riffs que respiram a linhagem de Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, mas com um lirismo que foge dos clichês do gênero e abre espaço para reflexões mais atuais. A energia é clássica, mas a entrega é moderna, guiada por uma banda que domina os códigos do hard rock sem se limitar a eles.

Tierramystica (Foto: divulgação)


As gravações foram divididas entre o Estúdio Trama NaCena, em São Paulo, onde baixo e bateria ganharam solidez, e o LeBoot Studio, em São Carlos, responsável por guitarras e vozes. A mixagem de Marcelo Sussekind adiciona densidade, clareza e um entendimento profundo do peso que o repertório exige. A masterização de Ricardo Garcia finaliza o conjunto com precisão e acabamento de alto padrão.

 Os gaúchos do Tuerramystica voltam com força com seu folk metal baseado em música. regionais latino-americana. É uma iniciativa maravilhosa, que pode ser colocada na mesma prateleira das bandas mineiras Tuatha de Danann e Lotloryen, além de Kernunna e Tray of Gift, que mergulham no folk celta de inspiração irlandesa.

A Tierramystica retorna oficialmente ao cenário do heavy metal brasileiro com o lançamento de seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Trinity. O trabalho sucede “A New Horizon” (2010) e “Heirs of the Sun” (2013), consolidando a identidade única do grupo, que mescla a força do power metal com a riqueza do folk latino-americano.

Atualmente, a banda é formada por Guy Antonioli (vocal), Ricardo “Chileno” Durán (backing vocals, ocarina, charango e violões), Alexandre Tellini (guitarra), Marcelo Caminha Filho (baixo), Luciano Thumé (teclados) e Duca Gomes (bateria).

A concepção do disco começou no final de 2019, quando a banda decidiu retomar as atividades após o retorno de vários integrantes originais que haviam se desligado em 2015. Sem ideias previamente guardadas e com algumas mudanças pontuais na9 formação, o grupo iniciou o processo criativo do zero. Em 2022, o grupo já tinha material suficiente para selecionar faixas, o que aconteceu pela primeira vez em sua trajetória. A pré-produção se estendeu por um ano inteiro, garantindo as melhores performances em estúdio.

A gravação foi feita de forma colaborativa, com cada integrante registrando partes em seus próprios estúdios: os vocais e acústicos foram captados por Gui Antonioli (voz), as guitarras por Tellini, os baixos por Marcelo Caminha Filho, e as baterias por Thiago Caurio.

Os teclados e edições ficaram sob responsabilidade de Luciano Thumé, enquanto as flautas foram gravadas em São Paulo por Giovanni Facchini. A produção ficou a cargo de Henrique Fioravanti (Fromhell Records), com arte e encarte assinados por João Pedro Chagas. O álbum sucede os singles “Eldritch War” e “Chaski Way”, já disponíveis nas plataformas digitais.

E é preciso falar novamente de “Espresso Della Vita: Lunares”, da banda paulista Maestrick. A segunda parte da saga progressiva da banda Maestrick, de São José d Rio Preto (SP), nasceu com estirpe internacional.

“Espresso Della Vita: Lunare”, foi lançado pela gravadora italiana Fronteiers e está tendo bom desempenho em mercados europeus. A continuação de “Espresso Della Vita: Solare” é ainda melhor, mais pesado e tem canções ainda melhores. É um dos melhores álbuns de metal progressivo já lançados no Brasil.

Dá para dizer que Maestrick é uma banda diferenciada no metal internacional com seu ideal progressivo ligado fortemente a conceitos filosófico e progressivos, cortesia da formação erudita do vocalista e tecladista Fabio Caldeira. O músico é um habitual colaborador de Edu Falaschi, ex-voccalista do Angra, que termina agora a trilogia história histórica de álbuns – “Vera Cruz”, “Eldorado” e agora, “Mirage”.

Caldeira é o autor dos textos qu serviram de inspiração para as letras dos três álbuns e que se transformaram em livros caprichados. É dele também o conceito dos dois álbuns “Espresso Della Vita”, em que  músicas fazem uma excelente analogia entre a oras de um dia com a evolução da vida de um ser humano.

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