Morte da rádio Eldorado sacramenta a revolução na forma de se ouvir música

Imagem: divulgação/reprodução

A rádio Eldorado morreu depois de sua hora ter chegado e praticamente sepulta uma era de extrema importância no Brasil das grandes metrópoles como vanguarda do entretenimento que ditava tendências do mundo pop.

A faixa FM (requ55ên5cia modulada) surgiu com força nos Estados Unidos no anos 60 e pegou mesmo na década seguinte por ter qualidade de som melhor do que a AM (amplitude modulada), embora co menor alcance.

Acabou dominada por emissoras de música e alguma programação segmentada dessa tendência s alastrou também pelo Brasil. A partir dos anos 1980.

Lançamentos de música pop e programações segmentadas e diferenciadas se alastraram, enquanto na AM  predominância era de programas e músicas mais populares e popularescos, além de emissoras religiosas e algum jornalismo de qualidade.

Assim como a internet devastou a indústria fonográfica neste século, também revolucionou o mundo de rádio. Este continua importante e com alguma relevância no mundo, mas está perdendo impacto no contexto social das grandes metrópoles. Longe delas, a sociedade ainda se informa pelo rádio e o tem como companheiro, mas não por muito tempo.

As grandes cidades oferecem hoje múltiplas formas de entretenimento e lazer, reduzindo o impacto do rádio, TV e cinema. A internet oferece a chance de criar a sua própria rádio, a sua própria programação e uma infinidade de podcasts avulsos, para não falar nas web rádios.

Nesse mundo difuso e multifacetado, emissoras fossilizadas como a Eldorado morreriam uma hora ou outra repetindo a mesma formula dos anos 90. Mas ela resistia mesmo com o avanço das igrejas sobre as emissoras de FM, bem como as de jornalismo 24 horas.

Com a morte da Eldorado, programada para maio, sobram, a Gazeta, a Jovem Pan FM, a Transamérica (que está sendo engolida pelo esporte), a Antena 1, a Kiss FM e a 89 FM – essas duas dedicadas ao rock, mas que resistem a modernizar sus programações e apostam cada vez mais no passado…

 As rádios Eldorado AM e FM foram criadas pelo Grupo Estado, que edita o jornal O Estado de S. Paulo. A ideia era oferecer programação diferenciada para as classes A e B e, assim, atrair anunciantes mais robustos.

Nunca deu lucro e muitas vezes foi na contramão do mercado, com programas de jazz, entrevistas e especiais sobre MPB e literatura. Deu certo por muito tempo, mas começou a perder ouvintes a partir dos anos 90.

A morte lenta da Eldorado deveria servir de alerta para as sobreviventes, mas paree que isso não ocorrerá, Será uma resistência inútil se não houver uma renovação de público, especialmente para as rádios rock, que insistem em reforçar que rock é coisa de velho e de gente que apenas quer curtir o passado.

Quero lembrar apenas que o programa de web rádio Combate Rock surgiu em 2010 como um podcast comum dentro da redação do extinto Jornal da Tarde e logo foi abrigado dentro do site Território Eldorado, d Rádio Eldorado, onde ficou por três anos. Fomos muito bem tratados e com boa audiência. Lamentamos profundamente o fim da emissora, por mais que seu fim fosse esperado.

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