Separar obra e comportamento: como ficou difícil ouvir certos artistas

Imagem: pôster com montagem em cima de foto de divukgação

Depois da autossabotagem e da autodestruição da reputação, o que sobra? Como tentar ouvir uma obra-prima na tentativa de redimir o ídolo caído em desgraça devido a crimes inomináveis cometidos na vida pessoal?

A discussão é interminável e inconclusiva, mas continua válida depois da morte do músico Afrika Bambaata neste anos 67 anos, O programa de web rádio Combate rock, na Antena Zero, discutiu o assunto em uma de suas mais recentes edições. Nome essencial da músca de todos os tempos, o americano é considerado um dos pais do rap e do hip hop, mas foi alvo neste século de dezrnas de denúncias de assédio sexual contra garotos pobres de subúrbio em cidades americanas e recebeu condenações. Dá para separar a obra do artista de comportamento condenável e criminoso?

A resposta menos comprometedora é a seguinte: depende do crime, do comportamento e da reação do artista após a “derrapada” ou imensa bobagem. No caso de Bambaata, tanto as denúncias como as conenações a sreações dele dinte disso tornam o perdão difícil, assim como a audição de suas músicas.

Nos anos recentes no rock, duas bandas e seuas extensões passam pelo mesmo crime e corroem a credibilidade de seus principais trabalhos. Os americanos do Pantera acabaram em 2000 e seus fundadores, os irmãos Vinnie Paul (bateria) e Dimebag Darrell (guitarrisra) já morreram. Entretanto, o vocalista Phil aselmo, que depois criou o Down e ensaiou carreira solo, fez o possível para mancgar o nome da importante banda de heavy metal dos anos 8- e 90.

Foram vária vezes em que Anselmo manifestou simpatia a personalidades e grupos supremacistas brancos dos Estados e de extrema-direita pelo mundo. Cansou de fzer a saudação nazista em shows – para depois alegar/tentar se desculpar afirmando que estava bêbado.

Fica difícil ouvir pantera hoje em dia sem associar o nome da banda ao espectro mais fascista e nefasto da política mundial por mais que o Pantera não tenha culpa e estar extinto nos momentos em que Anselmo se arvorou no direito de manifestar suas convicções políticas reprováveis nos palcos dos Estados Unidos.  É improvável que os irmãos Darrell e o baixisa Rex Brown desconhecessem as convicções e ideologia pregadas pelo vocalista com o qual conviveram por quase 15 ans.

Jon Schaffer (FOTO: DIVULGAÇÃO)

É o mesmo caso da banda americana Iced Earth, liderada pelo extremista Jon Shaffer, guitarrista que chegou a criar um projeto paralelo, o Sons of Liberty, para espalhar suas ideias extremistas e distorcidas sobre liberdade e direitos humanos. Até a sua prisão, em 2021, o Iced Earth não tinha sido contaminado nos álbuns com o neofascismo e a violência política pregada por Shaffer.

A coisa mudou quando o músico foi flagrado em ações terroristas em 6 de janeiro de 2021, quando partidários do então presidente derrotado nas urnas Donald Trump invadiram o parlamento dos Estados Unidos para impedir a oficialização da vitória do vencedor, o democrata Joe Biden. A foto de Shaffer em close na invasão rodou o mundo.

Perseguido pelo FBI (a polícia federal americana) acusado d terrorismo interno e outras coisas, entregou-se dois meses e esteve sujeito a penas somadas que chegariam a 35 anos.

Depois de um acordo, e colaboração com as autoridades, teve a pena estabelecida em quatro anos com progressão. No ao final do ano passado, recebeu o perdão presidencial e foi libertado. Agradeceu ao presidente Trump e reafirmou suas convicções criminosas que o levaram a cometer os crimes d terrorismo e que corroem a democracia estadunidense.

Os atentados à democracia tornam impossível apreciar a boa música do metal tradicional do Iced Earth. Não dá para dissociar o nome da banda das ações terroristas e criminosas que servem e serviram para derrubar um governo eleito nos Estados Unidos  estimular golpes d Estado pelo mundo.

Ted Nugent é outro americano execrado pelas forças progressistas e pelos partidários do Partido Democrata. Ex-integrante da importante banda Amboy Dukes, nunca escondeu seu amor pelo presidente Richard Nixon, que governo de 1968 a 1974 e que foi obrigado a renunciar devido a escândalo de espionagem interna eleitoral, e idias ultraconservadores.

Eric Clapton (Foto: divulgação)

Defende o amplo direito ao armamento da população e o corte radical de impostos e incentivos de políticas sociais. Odeia imigrantes e qualquer política afirmativa que beneficie as populações negra e hispâanica, as mais vulneráveis e pobres. Como ouvir da mesma forma sem torcer o nariz para o grande hit “Catch Scratch Fever”?

Do outro lado do Oceano Atlântico, dois negacionistas se uniram contra a obrigatoriedade  de vacinação e as medidas de distanciamento/isolamento social contra a pandemia mortal d covid-19, entre 2020 e 2022.

O inglês Eric Clapton e o irlandês Van Morrison provocaram revolta mundial ao gravarem três músicas contra as medidas que salvaram vidas alegando que o fechamento do mundo causava crise econômica e perda de emprego e trabalho. Foram repudiados e até hoje sofrem com as consequências de seu reprovável comportamento.

A questão chata é que os três últimos álbuns de Van Morrison são muito bons, especialmente a trilha sonora do filme “Belfast”, de Kenneth Branagh.

 Já Eric Clapton é um dos maiores guitarristas de rock e de blues de todos os tempos, mas conseguiu tornar penosa a tarefa de ouvir qualquer coisa que fez ou faça – e ele fez muita coisa genial.

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