Quando o guitarrista inglês Peter Frampton anunciou que estava reduzindo drasticamente a atividades aos 70 anos por conta de uma doença neurológica, a comunidade musical lamentou a perda de um estilista do instrumento e um dos nomes mais brilhantes do rock em todos os tempos.
Diante da demora doença em comprometer seus movimentos, Frampton não teve outra alternativa a não ser pegar de novo a guitarra e cometer um dos grandes discos de rock e de blues desta década, com direito a pitadas de jazz e homenagens a amigos e ídolos como George Harrison (1943-2001) e Jeff Beck (1944-2023).
Quase todo instrumental, “Carry the Light” acaba de ser lançado e traz o instrumentista inspirado e afiado em seus riffs elegantes e eloquentes, misturando jazz e blues em doses equilibradas e com muita vontade de evidenciar o quanto tem de inspiração para seguir encantando desde que começou na banda Herd desde os anos 60.
Peter Frampton lançou seu primeiro álbum novo em 16 anos. “Carry the Light” foi coescrito com seu filho, Julian, e conta com um elenco intrigante de músicos convidados, incluindo H.E.R., Tom Morello e Sheryl Crow.
Quem o observa tocando 0apesar do diagnóstico de miosite por corpos de inclusão (IBM) em 2015 custa a crer que ele suportealgum tipo de restri~]ao . É música em estado puro.
Isso o levou a adaptar seu estilo de tocar para combater os efeitos da doença degenerativa, enquanto apresentações ao vivo (semi) recentes tocando Beatles com Grace Bowers e Trey Anastasio, e solos com o Pearl Jam em Nashville, provam que a lenda da Les Paul ainda tem muitos riffs na manga. O novo álbum reforça esse sentimento
O primeiro single, “Buried Treasure”, é uma homenagem ao falecido Tom Petty, com a letra repleta de referências ao cantor e compositor, e conta até com a participação do tecladista do Heartbreakers, Benmont Tench0. É uma música vibrante, mas ao mesmo tempo tranquila, com amplo espaço para os solos refinados de Frampton se entrelaçarem com seus vocais roucos e agradecidos.
Mas Benmont não é o único convidado no álbum. Tom Morello, que recentemente trabalhou com o guitarrista do Måneskin, Thomas Raggi, a artista da Fender, H.E.R., Sheryl Crow, Graham Nash e o saxofonista Bill Evans atenderam ao chamado de Frampton por mais talento.
Músico afável, mas de personalidade forte, nunca ligou para o rótulo de heró da guitarra quando estava no Herd. Não hesitou em se juntar ao guitarrista e vocalista Steve Marriott em 1969 para formar o Humble Pie, de blues rock mais pesada que Cream e Jimi Hendrix Experience.
Opostos, os dois se toleraram por dois anos, mas aí a veia autoritária de Marriott manifestava quando estva no Small Faces empurrou o o virtuoso guitarrista para fora e para a carreira solo.
E então veio “Frampton Comes Alive”, d 1975, o grande disco ao vivo da década em termo de sucesso comercial misturando rock, blues e música pop e permitiu ao músico lançar uma esteira de grandes álbuns, o que permitiu a ele se segurar diante da baixa dos anos 80.
E foi o ídolo e amigo que, indiretamente, resgatou o prestígio de Framotib indiretamente. A versão emocionante e blusey de “While My Guitar Gently Weeps”, que George Harrison gravou com os Beatles, foi um estrondoso soucesso nos anos 90 e 2000 e cacifou o guitarrista como nome impossível de não ser incluído no panteão dos gigantes do rock.
“Carry the Light” é uma das grandes produções dos últimos anos na área do rock clássico desta década, como podemos observar na Nas ótimas “At the End of the Day” e a intensa “Carry the Light”.