O frito como arma, a história como argumento e os fatos quebrar barreiras, tudo embalado pela arte da sobrevivência.
O pacote podei ser aplicado ao grupo americano Rage Against the Machine, nome intimamente associado ao rock engajado e progressista, mas é o envelope perfeito pra uma banda paulista que transita pelo mesmo caminho: a paulista Asfixia Social.
A fusão de punk com rap e hip hop alicerçada em temas de cunho social e de busca por direitos embasou a trajtória de quase 20 anos de uma das bandas mais celebradas da periferia d Grande São Paulo e que levou a fama do Asfixia Social para além das fronteiras brasileiras.
O prestígio é tão grande que o grupo se prepara para comemorar os 20 na de existência com mais uma turnê internacional, novamente pela Europa, e deve lançar em, breve uma música com a banda punk inglesa Varukers, que esteve recentemente no Brasil em turnê com a própria Asfixia Social.
“Não dá para medir o tamanho do orgulho de nossa trajetória”, diz o guitarrista Kaneda. “Saindo das comunidades de Diadema e sendo ouvindo mundo afora só reforça o poder da mensagem social que levamos adiante. O poder da arte é universal.”
Usando a arte como conscientização de classe, a Asfixia Social recorre à realidade chocante e e à contextualização histórica para fazer da música uma forma de ferramenta de transformação social. É um discurso ideológico forte, ainda que datado, mas que dá resultados, segundo o músico.
“Depois de quase 20 anos gritando para ser ouvido, é gratificante ver a reação das pessoas cantando as nossas músicas nas comunidades e nos shows pelo Brasil”, empolga-se Kaneda. “ Temos convicção de que as pessoas estão absorvendo as nossas mensagens, que podem até ser confundidas com as de certo campos políticos, mas que são baseadas a dura realidade da população trabalhadora que vive nas comunidades e sofre com a abissal desigualdade social neste país.”
Kaneda não ignora que o orgulho pela mensagem levada a cabo de 20 anos está sendo desafiando por mudanças significativas na sociedade que impactam a própria trajetória da banda – inclusive nas próprias áreas onde a Asfixia Social surgiu e mantém o prestígio. Só que agora precisa enfrear forças que fazem oposição em método e em estratégia.
“AS mudanças são profundas e impactantes e isso nos obriga a gritar mais alto. Igrejas evangélica avançaram e o mundo progressista está tendo forte concorrência no discurso que exalta o individualismo e exalta a prosperidade, o progresso material.. Tudo isso amparado por uma tecnologia que avança e estimula esse pensamento”, reflete o músico. “Por isso valorizamos a educação e e a arte como forma de dialogar com essas forças políticas em busca de algum consenso.”
Não dá para negar que o forte conteúdo educativo do trabalho da asfixia Social é um de seus trunfos e responsável pela invejável penetração e prestígio que tem om seu público, mas os desafios de enfrentar um mundo cada vez mais hostil ao progressismo e direitos humanos.
A resiliência de Kaneda chega a ser comovente. “Até para o honrar o nosso legado e respeitar os avanços que obtivemos, desistir não pode ser uma opção. Temos de continuar valorizando a arte e a educação e, principalmente, gritar cada vez mais alto. Precisamos ser ouvidos sempre.”
Novo trabalho
Ao observar o planeta à beira do abismo, o Asfixia não recua; pelo contrário, mergulha na desordem global para extrair dali sua matéria-prima. O que acontece nas esquinas, nos becos e nas tensões cotidianas é capturado por um olhar vigilante e traduzido em clamor.
Para o Asfixia Social, a música é a tradução fiel da realidade das ruas, uma alquimia que transmuta o ruído urbano e a crise social em um manifesto necessário para os tempos atuais.
É sob essa urgência que nasce “Mess Bigger”, quarto álbum da banda, que chegou às plataformas no dia 21 de maio. Muito além de ser a faixa-título e coração do projeto, a música é a tradução mais fiel da energia visceral que a banda entrega nos palcos, funcionando como um catalisador feito para tirar o ouvinte da inércia e injetar um verdadeiro impulso na vida.
A música reflete a escolha consciente de não se calar diante de um mundo fragmentado. Executada ao vivo, ela se transforma em uma força física capaz de movimentar e reunir pessoas em um mundo onde a tecnologia muitas vezes tem a função de isolar. É um caos pulsante que convida o público a seguir lutando e ocupando os espaços.
Nas oito faixas de Mess Bigger, o quinteto paulistano com quase duas décadas de estrada, formado por Kaneda Mukhtar (voz e trompete), Thiko Garcia (guitarra), Leo Oliveira (baixo), Jahya (saxofone) e Barba (bateria), reafirma o desejo em usar a arte como ferramenta de combate.
“A gente faz um som pra unir todas as vertentes da cultura de rua e reverenciar sua raiz de luta. É essa mistura de hardcore, ragga, ska, punk, rap, metal e música brasileira que está no álbum”, explica o vocalista Kaneda.
Produzido por Pedro Garcia (Planet Hemp) em colaboração com a banda, o disco ganha ainda mais corpo com participações de destaque como Erick Jay (DJ com cinco títulos do World DJ Champion), Carlos PXT (beatmaker e produtor), Henrique Kehde (fundador do trio Monstro Extraordinário) e Dendê Macedo (multi-instrumentista).