Tecnologia a serviço da arte. Era assim que Florian Schneider encarava seu trabalho com o Kraftwerk, grupo pioneiro na abordagem eletrônica na música dos anos 70. Se hoje é corriqueiro escutar a tal musiquinha eletrônica, é graças ao conjunto alemão Kraftwewrk, que uniu música experimental, computadores e tecnologia industrial.
A banda abriu as portas de um mundo, onde os limites entre a arte e o artificialismo são difíceis e ser identificados. É a gênese da música eletrônica em sua plenitude. Mas Kraftwwerk é rock? É consenso que sim, e dos mais vanguardistas.
“Radioactivity” está sendo relançado em edição comemorativa de 50 anos e é tão importante na discografia do grupo, tem o mesmo prestígio de “Autobahn” e “Tour de France”. Foi o quinto álbum de estúdio do Kraftwerk e seu primeiro álbum totalmente eletrônico.
É um álbum conceitual centrado na desintegração radioativa e nas comunicações por rádio. Como tal, apresenta alguns grandes hinos temáticos cercados por variações mais curtas desses temas, com peças interconectadas de música eletrônica, sons e vozes digitalizadas.
O Kraftwerk consolidou o sucesso internacional de “Autobahn” expandindo seus conceitos para uma exploração em formato de álbum das ondas de rádio (e de outros comprimentos de onda favoritos da banda no espectro eletromagnético).
Musicalmente, o álbum representa um salto quântico na sensibilidade pop; embora ainda seja inegavelmente uma paisagem sonora “progressiva”, seus brilhantes ganchos melódicos (melhor representados pela faixa-título e por Airwaves) são organizados em uma forma mais tradicional – ou seja, mais curta.
Em faixas como a minimalista News, com sua sonoridade audiovisual, o Kraftwerk presta homenagem a outra de suas influências musicais, o grande compositor/teórico moderno Karlheinz Stockhausen. Antenna prenuncia os deuses do techno que eles se tornariam, com suas camadas eletrônicas e letras inteligentes que prezam pela simplicidade.