Mulheres em alta: Evanescence estaciona, Violet Grojl estreia bem e Dea Matrona evolui



– O esforço é enorme para manter a mesma pegada e sair da zona de conforto. “Sanctuary”, recém-lançado pela banda americana Evanescente, nada acrescenta em termos artísticos, mas ao menos indica uma possível mudança de rumo, já que há uma aproximação com o pop em pelo menos metade das canções desse álbum. I heavy metal ainda está presente nos arranjos grandiosos, mas as guitarras perdem força para dar lugar a elementos eletrônicos de gosto duvidoso em canções repetitivas e com o uso massivo de pianos sem criatividade em canções repetitivas e lamurienta. A canora Amy Lee é reconhecidamente boa compositora e letrista, mas desta vez exagera na autoindulgência e carrega nas tintas das lamentações e das queixas contra o mundo. É mais do mesmo e recomenda-se dar uma atenção maior aos álbuns iniciais da banda, quando o metal de ares sinfônicos era uma novidade para Lee e a primeira formação. Como atração roqueira destes tempos, Evanescence continua relevante e atrai público grande para seus shows em todo o mundo, o que credencia a banda a ser considerada fundamental para o gênero. Se “Sanctuary” não é um trabalho que vá marcar o rock atual e mesmo a discografia da banda servirá para mostrar que o Evanescence permanecerá no radar por muito tempo, ao menos enquanto conseguir driblar a armadilha de faz\er mais do mesmo e ficar na zona de confort

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– A timidez calculada e a tentativa de parecer uma artista iniciante não foram suficientes para tirar o peso monumental das costas de Violet Grohl. Aos 20 anos, a filha de Dave Grohl, guitarrista e vocalista dos Foo Fighters, estreia coimo artista solo se equilíbrio entre a sombra do pai e a esperança de consolidar uma carreira independente e sem amarras ou comparações. Ela começou bem e com um alarde condizente com sua condição de “princesinha do poop” por ser filha de quem é. “Be Sweet ti Me” ainda demonstra a falta de certo traquejo musical, mas são mais de 30 minutos em que a moça apresenta qualidades como uma urgência roqueira de quem precisa s expressar, a delicadeza pop das letras juvenis introspectivas, a audácia de quem quer experimentar e a impaciência de quem não suporta certas convenções musicais da indústria atual . O álbum é urgente e nada comportado, mas não foge aos padrões do que os que saem da adolescência estão fazendo atualmente. Há uma certa nostalgia dos anos 90 para ouvintes com saudades daquela década ou, no caso da própria Violet Grohl, para aqueles que nem sequer eram nascidos para vivenciá-la. Com uma ampla gama de influências, em parte refinadas por seu pai, ela citou The Breeders e PJ Harvey como referências para o projeto. Poderíamos também adicionar Pixies, Cocteau Twins, L7, Soundgarden e, claro, Nirvana e Hole a essa lista. Assim, como um documento de influências pessoais e inspiração artística, esta estreia cumpre bem o seu papel, entregando uma sonoridade impecável que imita tão bem os sons alternativos do auge que a missão maior de Be Sweet to Me talvez seja servir como porta de entrada para as gerações mais jovens descobrirem a música dessas antigas inspirações. Há uma boa dose de feedback, um toque de indiferença na interpretação e estruturas simples que culminam em refrões grandiosos e fáceis de cantar em poucas faixas. Com faixas de rock impactantes como “THUM” e “595”, o álbum de 11 músicas apresenta outros destaques, como a eletrizante “Bug in the Cake”, a leve “Big Memory”, com uma pegada Garbage, e a poderosa e repleta de riffs “Often Others”. Entre as faixas mais pesadas, há também momentos de relaxamento como “Mobile Star”, “Pool of My Dreams” e “Plastic Couch”.

– A banda Dea Matrona ganhou as rua sde Belfast, na Irlanda do Norte, com um hard rock vigoroso escorado na tradição da ilha de misturar blues e rock em uma medida explosiva, como bem fizeram Thin Lizzy, Gary Moore, Rory Gallagher, Cranberries e outras bandas de alto calibre, O então trio feminino cativava pela espontaneidade e versatilidade. O agora suo cresceu e se aproximou da música pop com o primeiro disco, “For Your Sins”, e mais ainda no trabalho, o recém-lançado “Hate That I Care”. Escrito, gravado e produzido inteiramente na estrada, este trabalho de 12 faixas dá voz aos 10 anos de história de Mollie McGinn e Orláith Forsythe – desde tocar nas ruas de Belfast até abrir shows para o The Beaches, e todas as histórias entre esses dois extremos. “Hate That I Care” representa os pensamentos intrusivos que assombram cada ouvinte; a autorreflexão, a autoavaliação e a escolha de permanecer em silêncio ou fazer algo com esse eu. Imediatamente, a sensação de nostalgia é despertada. A beleza deste álbum reside no som puro do rock e alternativo dos anos 80 que está no cerne de cada música, lembrando os ouvintes de bandas como The Cranberries ou Fleetwood Mac. A faixa-título, ‘Hate That I Care’, não perde tempo em ambientar a cena; A música evoca a ansiedade paralisante causada pela culpa e a paranoia de saber se seus entes queridos permanecerão ao seu lado caso você se distancie por um instante. “Summer Rain” se destaca como uma faixa excepcional; começa de forma sedutora, causando um impacto dramático em seus ouvintes. Rapidamente, um piano cintilante e um riff suave de guitarra elétrica se entrelaçam em algo que brilha com uma ironia pungente. A canção narra o fato de não ser mais o escolhido; a pessoa encontrou outra pessoa.

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